O mundo de um youkai
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[A lufa dele]
Neville tomou mais um gole de sua cerveja amanteigada. Estava confortavelmente sentado em uma mesa afastada do Caldeirão Furado, sendo servido pela garçonete mais incrível que já conhecera.
A jovem andava de um lado para o outro com uma bandeja na mão servindo os clientes, os cabelos, que na época de Hogwarts andavam sempre numa maria-chiquinha, estavam presos hoje por um rabo de cavalo. Ao se sentir observada, ela se virou na direção de Neville, que engasgou com a cerveja e tentou sorrir, mesmo sentindo o rosto corar. Ela respondeu ao sorriso e veio na direção dele.
- Deseja mais alguma coisa Neville?
- Uhn… - ele pensou sem graça, tentando arranjar alguma desculpa. - Vocês… Vocês tem bolo de caldeirão aqui?
Ela sorriu. Afinal, que tipo de pergunta fora aquela? Desde que estivera hospedado no Caldeirão Furado, Neville eventualmente pedia bolos de caldeirão, não fazia sentido algum perguntar se eles serviam-no. Obviamente ele soube que fora uma pergunta idiota, contudo, perto dela, jamais conseguia emendar as palavras direito.
- Claro que temos Neville! - ela soltou um risinho, ele corou.
- Então me vê dois deles. É você quem os faz? Porque são realmente muito bons, deixam a pessoa pensando se não deveriam comer mais um…
- Dois pedaços de bolo saindo. - disse anotando num bloquinho - Fico feliz que você goste. São feitos com carinho. - ela se virou para sair.
- Hannah! - chamou ele ficando vermelho como um pimentão, será que enfim teria coragem? Passara dias planejando como faria aquilo, porém, agora, se sentia de repente como um idiota, não era o momento certo, ele não podia fazer assim do nada, ela claramente diria não. Seus olhos encontraram os da garçonete, e antes que pudesse se segurar estava falando:
- Quando você largar hoje, quer dizer, se quiser, você não gostaria de… De… Assim, é só um convite, me desculpe se estou sendo deselegante, mas, estava pensando se… Não me leve a mal… Pudéssemos sair hoje, depois do seu expediente? Digo, para passearmos um pouco, andar pelo Beco Diagonal… Eu sei que você trabalha aqui, e já conhece muito bem o Beco, mas, pensei em um sorvete, eu pago!… Conversar um pouco…. Eh… Fora do ambiente de trabalho, eu…Ok, não foi uma boa idéia, esquece!
Houve um momento de silêncio no qual Hannah e Neville se encararam, ele consciente de que estava vermelho como um pimentão, ela parecia avaliar a proposta, ele se preparou para um não.
- Eu largo as 7, ficarei te esperando no muro do Beco Diagonal. - respondeu sorrindo, logo em seguida voltou a caminhar, continuando sua função de atendente do Caldeirão Furado.
Neville soltou todo o ar que tinha dos pulmões de uma vez. Tinha um encontro! O tão esperando encontro. Deu o sorriso mais largo que se lembrava de já ter dado. Tinha um encontro com Hannah Abbott, o dia não poderia ser melhor.
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Neville morava há mais tempo do que podia se recordar ali no Caldeirão Furado. Tudo começara como uma fuga da casa da avó, a busca pela independência e liberdade, deveria ter sido só um momento de transição. No entanto, agora já faziam anos, e jamais deixara o local. Não que fosse um desocupado preguiçoso que preferia morar em uma hospedaria do que ter a própria casa, no entanto, encontrara no meio de seus planos Hannah.
Namoravam fazia 3 anos, e ele permanecia morando no local unicamente para estar perto dela, havia feito de lá sua casa. E que casa! Neville jamais poderia reclamar da vida.
Recebera a notícia da aposentadoria da Profa. Sprout, foi fazer uma entrevista em Hogwarts e fora aceito. Em Setembro seria professor, Professor Longbotton. Não faltava mais nada em sua vida para deixá-la perfeita. A não ser um detalhe.
- Hannah… - disse ele tentando parecer mais seguro do que se sentia.
- Nev… Ficou tudo tão bonito. - comentou ela olhando para todos os lados do bar, Neville havia feito alguns feitiços e arrumado tudo para parecer impecável, se alguém entrasse naquele instante ali, poderia até acreditar se tratar de um verdadeiro restaurante.
Neville pigarreou, chamando a atenção da namorada.
- Hannah, você sabe que eu fui admitido em Hogwarts, e com isso meu salário vai aumentar, poderei viver melhor e… Enfim serei um homem digno.
- Nev, que besteira, você sempre foi um homem digno! - ela disse espantando a idéia como quem espanta um mosquito.
- Eu sei, mas… O que eu queria dizer é que… - antes de terminar a frase, ele enfiou a mão no bolso da roupa, de lá tirou um caixinha – Agora nós temos condições de nos casarmos, você aceita? - ele perguntou abrindo-a e mostrando dentro dela um anel de noivado.
- Ah Nev… Você é tão… Bobo. - dizendo isso, com os olhos brilhantes, ela o abraçou. Disse baixinho para o pescoço do amado:
- Sim Nev, eu aceito.
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- E então? - ele perguntou tenso assim que a viu entrando pela porta.
Ela parou um instante, no rosto uma expressão neutra, Neville sentiu que não agüentaria.
- Eu… - ele prendeu a respiração. - Consegui!!! - disse rindo, em seguida correu e pulou nos braços do esposo.
- Hahahahaha! Eu sabia Hannah, eu sabia! - deu um beijo estalado na bochecha dela.
- Veja! - disse mostrando um papel no meio do abraço. - ”Apartir desta data, declaro que o Restaurante & Hospedaria Caldeirão Furado pertence à senhora Hannah Grace Abbott Longbotton.” - leu em voz alta. - Ele é meu Nev, é meu!!
- Eu sabia que você conseguiria, sabia!
Os dois se abraçaram apertado novamente. Enfim Hannah realizava um sonho: a compra do Caledeirão Furado. Agora era inteiro dela, começariam logo a reforma, iriam transformá-lo num restaurante de verdade. Ela falava desse sonho desde o primeiro encontro dos dois, e só ambos para saberem como era importante aquela compra.
Neville não ajudara com quase nada, Hannah fizera questão de comprar com o próprio dinheiro ganho como garçonete, e posteriormente gerente, o estabelecimento. Tom vinha recusando a oferta por anos, dizendo que era um negócio de família e que não poderia vendê-lo tão fácil. Porém, a idade foi chegando e em algum momento teve de ceder, era isto ou o fim do bar.
Aquela noite, no segundo andar do Caldeirão Furado, houve uma festa de apenas duas pessoas. Duas pessoas felizes que dançaram encantadas ao som de muitas músicas. Afinal, o casal Longbotton ostentavam o título de casal mais simpático e feliz. Não era a toa!
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Neville simplesmente amava lecionar. E todos os alunos deles podiam ver isto, era tão claro quanto o fato de Hannah gostar de gerenciar o Caldeirão Furado, que sob sua gestão, transformara-se num verdadeiro restaurante familiar e agradável, no qual famílias bruxas vinham passar as tardes.
Neville gostava realmente de seus alunos, há pouco tempo, dois Potters e um Weasley passaram por suas mãos, ficava realmente encantado em ver os filhos daqueles que foram seus melhores amigos quando estudante, aprendendo com ele. Gostava de pensar que se tornara um bom professor, afinal, vários alunos perdiam tardes conversando com ele ou admirando-se da matéria. O que era simplesmente a maior recompensa dele.
Todo final de semana em que não estivesse muito ocupado, o prefessor deixava os terrenos de Hogwarts e ia visitar a esposa Hannah na casa deles, o segundo andar do restaurante. Foi num dia comum como esses que tudo pareceu mudar na sua vida.
Reparara há muito que Hannah estava ficando cada dia mais estranha. Parecia mais nervosa, arisca e até briguenta. Isso se repetia todo final de semana, Neville começava a ficar preocupado e se perguntava se isso era o início de uma crise no casamento deles.
Enquanto corrigia alguns deveres de casa concentrado, ouviu Hannah da porta do quarto dizer:
- Você quase nunca vem para casa, e quando vem, só pensa em trabalhar! - disse ela parecendo chateada. Neville olhou-a admirado, a esposa nunca fora de reclamar do seu trabalho, que ele fazia questão de nunca levar em excesso para casa.
- Desculpe. - disse guardando o material. De fato, só teria de entregar a correção na próxima quarta, portanto, não achava necessário arranjar briga.
- Você… Você só sabe pedir desculpas, sempre. Me faz sentir um monstro mal educado… - disse ela com os olhos marejados, deixando o esposo chocado.
- Mas… Eu… Querida!
- Não me venha com querida! Você simplesmente não valoriza o nosso casamento!
- Ein? Quero dizer… Por que você está dizendo isso assim, do… - antes que ele pudesse terminar de fazer a pergunta, Hannah já havia deixado o quarto batendo a porta em seguida. Neville ouviu o barulho de cano de escape típico da desaparatação. Ele não estava entendendo nada.
E continuou sem entender até o final de semana seguinte. Chegou durante a semana a mandar cartas para a esposa em busca de respostas, porém, só na sexta obteve resposta, um pedaço de pergaminho com apenas uma frase escrita:
“Não deixe de vir neste final de semana.”
Continuava intrigado quando aparatou de Hogsmead até a sua casa. Encontrou o restaurante ainda cheio de pessoas, a esposa atendendo os clientes, preferiu não incomodar, por isso subiu logo para o quarto.
Algumas horas depois ela adentrou o quarto com um semblante cansado e sério. Ele automaticamente sentou ereto na cama, onde estivera lendo um livro, que pôs de lado assim que a viu entrar.
- Hannah…
- Nev.
- Aconteceu alguma coisa? - ele perguntou preocupado enquanto a observava sentar na ponta da cama.
- Eu… Tenho uma notícia para você.
- Sim? - perguntou ansioso. Ela suspirou, pareceu tomar coragem e disse:
- Vamos ser pais Nev.
- Eu…. Ein, quê?! - perguntou sem processar completamente. Hannah olhou para o lado, parecia sem jeito. - Pais??? Isso… Você… Você está grávida?
Ela apenas confirmou com a cabeça, ainda sem o olhar.
- Uow, Hannah! Eu… Eu achava que, bem, que nós nunca poderiamos ter filhos, você tem certeza?
- Sim, eu fui no St. Mungus, eles confirmaram.
- Isso é incrível. Hahahahhaha! Eu não acredito, um filho! - e levantou da cama indo até ela abraçá-la. Não se lembrava de ter recebido um notícia tão encantadora como aquela a eras. - Vamos ser pais, isso é ótimo!
- Tudo bem para você Nev? - ela perguntou ainda com um fiapo de voz, o rosto perdido no pescoço do marido.
- Bem? Do que você está falando? Essa é a melhor notícia que eu já recebi!
Depois disso, naquela casa só houve alegria. Hannah tinha medo de estar velha demais para um filho, ou de Nev jamais ter querido um, visto que nunca falaram de fato, sobre o assunto, mas agora, com seu doce Neville sendo tão doce como sempre, ela não podia deixar unicamente de estar super feliz.
Eles se beijaram e comemoraram, no final de semana seguinte chamaram todos os parentes e amigos para anunciar a novidade, no discurso que fez, Neville demonstrou seu desejo de que a avó ainda estivesse viva para ver o último e mais grandioso sucesso dele na vida: ser pai.
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Terrence Midrit Longbottom sabia muito bem de onde vinha seu nome: Terrence era em homenagem a sua avó que morrera quando sua mãe era adolescente, Midrit era o nome de sua bisavó, que criara seu pai, e Longbottom era o sobre nome da melhor família que poderia existir, em sua humilde opnião.
Estava com 10 anos, logo completaria 11. Esperava ansiosa pela carta de Hogwarts que a chamaria para ser uma aluna, e mais que isso, poderia ficar todo o dia junto do pai, portanto, não parava de falar em como estava emocionada e excitada.
- Pra que casa de Hogwarts você acha que ela vai? - perguntou Neville casualmente ao fim do almoço, enquanto Terrence visitava a sorveteria com o ‘tio Florean’.
- Não sei… - disse Hannah apreensiva.
- Ela é uma menina muito corajosa… Lembra daquele verão em que os dois meninos maiores vieram incomodar Flora? Terry não hesitou em defendê-la com unhas e dentes.
Hannah concordou levemente com a cabeça, porém acrescentou:
- Terry também é muito justa. Sincera a ponto de doer, você sabe.
- Sim, verdade. Mas, também é verdade que em situações de crise ela é uma das poucas a manter o sangue-frio.
- Ela é leal a todos e a tudo que acredita, você bem sabe disso.
- E também que ela é capaz de atitudes de tamanha nobreza que até admira.
- Nev… Qual é o sentido dessa discussão?
Ele se sentiu levemente envergonhado.
- É que sempre foi uma tradição da minha família os filhos irem para a Grifinória.
- E daí, você vai amar Terry menos se ela não for para a casa da sua família?
- Não. - ele disse seguro.
- Lufa-lufa, Grifinória…
- Ou qualquer outra casa…
- Sim, mesmo Sonserina. - ela disse com um olhar mais severo para o marido. - Pouco importa. Terry continuará sendo nossa filha e nos dando orgulho.
- Eu sei. Afinal, se deu certo com a gente, significa que não importa de qual casa você seja, você pode acabar gostando muito da outra.
Hannah olhou-o sem entender, aquela frase simplesmente não parecia fazer muito sentido.
- Eu por exemplo, - continuou ele – amo a Lufa-lufa só por ela ter sido a sua casa. No final, a casa é o menos importante, o que vale são os indivíduos em si.
Hannah riu. Sempre achava engraçado quando o marido filosofava, não por que fosse ridículo, ou o desprezando, simplesmente ria pois era incrível a capacidade dele de filosofar nos momentos mais inesperados.
- Você está certo.
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