O mundo de um youkai
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[A primeira horcrux]
Ela suspirou ansiosa. A visão da Torre de Astronomia era perfeita e bela; o sol estava se pondo enquanto ela balançava levemente de um lado para o outro com as mãos enfiadas nas vestes. Estava nervosa.
Sinceramente, ainda não achava que deveria estar fazendo isso. Deveria ter avisado a alguém sobre suas experiências e recém adquirida habilidade. Contudo, como monitora da grifinória, era dever dela tentar descobrir alguma coisa. Se todos soubessem do que ela podia, qual seria a graça? O maldito também saberia pelo quê esperar.
Minerva olhou novamente para o sol, que se transformava cada vez mais em uma linha no horizonte. Ergueu os olhos e observou distraída as matizes de cores em degradê até chegarem ao tom de roxo. Olhou então por cima do ombro, nervosa. Não queria que alguém a visse, o que estava fazendo não era bem errado, mas não queria nenhuma abelhudo sabendo de sua vida. Por isso escolhera a Torre de Astronomia, ninguém ia ali sem ser nas aulas.
Suspirou mais uma vez. Precisava de coragem, balançou um pouco mais agitada sobre os próprios pés e por fim tirou as mãos dos bolsos, o sol havia se posto, ajeitou os óculos e se concentrou. Ia dar certo. Tão certo como da última vez, e dessa vez ela iria ficar mais tempo, iria experimentar mais, sabia que podia.
Seu rosto se contraiu em uma expressão furiosa e determinada, apertou os olhos até o limite, à beira de um desmaio ou de um apagão em sua mente devido à pressão. Quanto teve certeza de que estava no limite e achava que não daria mais, sentiu-se sugada para dentro de si mesma em um turbilhão com o peso do mundo. Soltou uma exclamação sem perceber, voltou a se concentrar, não podia dar errado, ou teria uma transformação incompleta. Foi sugada e cuspida de dentro de si para fora do mundo e para dentro de um vazio infinito, por um momento deixou de existir, não era nada e não se reconhecia como um ser, estava perdida no limbo quando em seguida sentiu-se um nada girando e rodopiando por um mundo paralelo, frenético e surreal onde começou a se remontar em pedaços desconexos, voltando periodicamente a existir, sentiu-se novamente algo.
Uma interjeição de desconforto fugiu de sua boca e ela ouviu um miado. Sorriu ao perceber isso, e esse ato evocou um ronronado. Tinha dado certo. Minerva era um animago.
Estava tão contente com a perspectiva de sua segunda vez naquela forma ter dado certo, que esqueceu momentaneamente o objetivo de ter se transformado em segredo, correndo escada abaixo, feliz em sua nova forma.
Quando chegou nos corredores escuros e vazios, ela sentiu um arrepio pela coluna. Isso a fez recordar o que estava realmente fazendo ali em Hogwarts enquanto a maioria dos alunos devia estar chegando no conforto de suas casas. Ela tinha que descobrir informações que terminassem com os ataques contra nascidos trouxas; aquilo não podia continuar, não podiam fechar Hogwarts. Ela, como grifinória, tendo o poder para desmascarar o imbecil que fazia essas coisas, jamais deixaria a chance passar.
Olhou de um lado para o outro na bifurcação de corredores. Não tinha a menor idéia de por onde começar, no entanto, alguma espécie de aviso incômodo lhe dizia que deveria correr para trás da armadura e se esconder ali. Ela achou isso ridículo, o local estava vazio e tinha certeza que ouviria qualquer sinal de passos antes de qualquer um passar, e afinal, não ajudaria nada ela ficar só se escondendo por aí. Ainda assim, um arrepio incômodo subiu sua coluna dorsal eriçando seus pelos. Antes de poder se conter, correu para trás da armadura.
Apenas alguns instantes depois ela viu um vulto negro passar rapidamente pelo corredor à frente do qual ela estava. A capa esvoaçava atrás da figura, mas mesmo assim não produzira som algum. Sua narinas sensitivas conseguiram apenas captar um cheiro, o cheiro daquela pessoa.
Haviam dois sentimentos na jovem Minerva naquele momento: seguir o vulto ou sair correndo do vulto. Ela conseguiu vagamente identificar que seus instintos felinos queriam se distanciar o mais rápido possível, fugir de quem quer que fosse, contudo - algo que ela considerou sua consciência grifinória - mostrava uma urgência de que encontraria algumas respostas ali.
Com um ronronar determinado, ela ignorou suas garras que estavam para fora devido a subta sensação de ameaça e correu silenciosa atrás do vulto. Agradeceu internamente por ser uma gata pequeno, ágil, de velocidade excepcional. Alcançou-o rapidamente e manteve uma distância aceitável. Não queria de forma alguma ser vista, tentava correr se aproveitando das sombras pelos corredores. De certa forma ela não ficou surpresa quando percebeu que a pessoa ia na direção das masmorras. Sonserinos! Sempre eles.
Quando precisavam encontrar um encrenqueiro, procuravam - infelizmente - entre os grifinórios. No entanto, quando se queria encontrar alguém fazendo maldades, era só procurar dentre os sonserinos. Minerva bufou.
O que a deixou surpresa foi o caminho que ele tomou ao chegar nas masmorras. Esperava, ainda que inconscientemente, que ele seguisse em direção à sala de poções, porém foi levemente surpresa que se deu conta de que ele seguia para as profundezas das masmorras. Seus pelos se eriçaram novamente, aquele lugar dava medo, e ele virou em tantos lugares e fez tantas curvas e voltas que se perguntou se conseguiria voltar sozinha.
Em algum momento ele desacelerou aquela corrida frenética e silenciosa, na velocidade de uma pulsação. Passou pela cabeça de Minerva a idéia de que talvez ele tivesse percebido que era seguido. Instintivamente ela se esgueirou para a sombra mais próxima, agradecendo o fato de as masmorras serem sombrias.
O vulto, que ela notou tratar-se de um rapaz quando abaixara o capuz, disse alguma coisa para uma gárgula de pedra próxima, que se deslocou para o lado abrindo uma passagem, e foi com surpresa que Minerva se deu conta de que aquela provavelmente deveria ser a entrada para o salão comunal da sonserina.
Uma parte de si advertiu-a de que entrar em um ninho de cobras era potencialmente perigoso, mas ela sabia que devia ir em frente, afinal, dois anos como monitora a diziam com certeza que nenhum aluno se locomoveria daquela forma pelo castelo se não estivesse escondendo alguma coisa. No último momento optou por continuar sua investigação. A Gárgula estava quase se fechando quando com um pulo ela correu, encolhendo o rabo na hora precisa que a porta se fecharia sobre ele. Correu para trás de uma poltrona velha, automaticamente se camuflando. Sentiu-se plenamente feliz e consciente de seus novos instintos felinos. Ronronou satisfeita.
Seus olhos acompanharam o jovem retirar a capa negra que usava, e ficou levemente surpresa ao se dar conta de que se tratava de Tom Riddle, o monitor da sonserina. Ele não parecia o tipo de suspeito ideal na opinião de Minerva.
Riddle retirou a capa e a jogou displicente sobre uma das poltrona. Segurava nas mãos um pote de tinta como se fosse um tesouro, o que a fez ficar desconfiada, pois o que um pote de tinta podia ter de mais?
Riddle - ela ouviu uma voz grossa em tom de cumprimento saindo do outro lado do salão.
Avery - respondeu ele também em cumprimento, educadamente surpreso por encontrar o outro. - Achei que você passar o feriado com a sua família.
Minerva captou o tom de ironia à pronúncia da palavra ‘família’. Suas orelhas se moviam acompanhando atentamente a conversa e seus olhos não perderam o movimento discreto que Riddle fez ao colocar o frasco em seu bolso. Na verdade, tinha alguma coisa incomodando-a ali.
As pessoas que freqüentavam o Clube do Slughorn eram razoavelmente conhecidas pelos outros alunos, e nunca escapou aos olhos dela a estranha admiração de Avery para com o jovem Riddle. Às vezes, ela conseguia enxergar nas ações e na forma de olhar do outro uma admiração e receio que a assustava. Contudo, Riddle, apesar de simpático e prestativo, parecia sempre distante de toda e qualquer pessoa. Um evidente ar de superioridade que amenizava a impressão de Minerva de que havia mais entre os dois rapazes do que a maioria parecia acreditar.
Talvez tenha sido por essa sensação de que havia algo estranho não só com Riddle, como na postura de Avery, que ela não ficou de todo chocada quando o mais velho se levantou de seu lugar e foi até o quinto anista com uma expressão predadora.
O que você estava fazendo, hein, Tom? - sua voz era sussurrada, quando chegou perto o suficiente, passou um braço pela cintura de Riddle, o puxando para uma proximidade provocativa de seus rostos.
Não creio que eu te deva satisfações, Avery. - respondeu o jovem, os lábios roçaram incautos pelos do companheiro de casa. Tinha um tom calculadamente frio e sedutor ao pronunciar o sobrenome do outro.
O rosto Avery expressou algum sentimento que Minerva não conseguiu compreender, algo que se assemelhava a ódio e desejo, ambos extremos. Com um puxão forte e impetuoso, ele terminou o espaço entre as duas bocas, enlaçou com os dois braços Riddle para uma espécie de abraço ávido e desesperado.
Minerva ficou chocada com o que viu. Não pelo casal em si, que afinal, ficava meio óbvio ao analisar atentamente as ações de Avery no dia a dia, mas pela forma como os dois pareciam se tocar.
Parecia uma dança de corpos faminta, mãos rápidas puxavam com brutalidade as peças de roupas de Tom, que parecia querer arrancar os cabelos de Avery com suas mãos pálidas. E ainda que ali só parecesse haver violência, os dois gemiam estasiados. Riddle inclinou o pescoço, oferecendo-o, prontamente o outro rapaz o tomou com audíveis chupões, e mordidas.
Aonde você estava, ahn? - perguntou Avery afastando-se um pouco e segurando o rosto de Riddle com uma firmeza dolorida, enquanto falava desafivelava as próprias vestes, ansioso - Saindo com outros é, seu meretriz de segunda?
Riddle não respondeu, apenas sorriu, um sorriso que provocava e parecia perguntar: ‘E se for isso?’. Avery parou de desafivelar suas vestes já semi-abertas e encarou Riddle com uma fúria genuína. Pareceu por um momento prestes a batê-lo, ou a soltar alguma azaração. Se controlou no último instante, como se avaliasse melhor suas ações, voltou a desabotoar suas vestes. Sexo via em primeiro lugar, obervou Minerva.
Seu fraco - Riddle disse de repente. Minerva ergueu as orelhas, atenta. O tom que ele usara estava a uma linha do puro escárnio. - Você não sabe dominar, é um fraco, um inútil.
Cala a boca - respondeu Avery, perigoso, um olhar alucinado e cheio de fúria tomava seu rosto. As mãos tremiam ao tentar terminar de desafivelar as vestes.
Fraco - repetiu Tom incisivo, Minerva percebeu claros sinais sádicos em sua voz. - Todos sabem disso, basta te olhar para ver. Um fraco, um nada. Até sua família te despreza por você ser tão insignificante, um ninguém patético.
Com um urro que assustou os sentidos aguçados da animaga, Avery desferiu um tapa rápido e forte no rosto pálido e belo de Riddle, que manteve o rosto virado na direção em que apanhara, sem reação, ainda que Minerva pudesse ver suas mãos se fechando em punho.
Você gosta disso, Tom? - perguntou o mais velho descontrolado, gritando. Desferiu um novo tapa do lado oposto do rosto de Riddle, tão forte que Minerva se encolheu com o som. - Gosta de apanhar? Gosta de provocar os outros?
Avery parecia fora de si, doentiamente pálido, cuspindo enquanto gritava. Minerva quis por instintinto entrar no meio daquela briga e separar os dois, mas sabia muito bem que não deveria nem ao menos estar ali, e alguma coisa a dizia que Tom Riddle não estava nem perto de ser a pessoa desamparada da cena.
Mal ela pensou nisso e viu Riddle sacar a varinha com tanta rapidez que mesmo ela, com seus reflexos felinos, não pôde assimilar o movimento por completo. Avery foi arremessado longe.
Não use uma forma trouxa para me castigar, seu frouxo! - Riddle tinha uma voz tremida, alucinada como a do outro, ainda que de certa forma mais assustador. Enquanto o outro sonserino tentava se levantar após bater estrondosamente contra uma mesa, Tom fez um novo movimento igualmente desconcertante e rápido com a varinha, e Avery escorregou de novo para o chão, gritando de dor. - Você tem uma varinha! Se quiser me ferir, ao menos use-a. Você nasceu bruxo, então não comporte-se como um trouxa imundo!
O grito de Tom era frio, insano. Ele não parecia mais um jovem belo e atraente, seus olhos estavam saltados enquanto ele gritava. Minerva percebeu com um eriçar assustado que ele era um uma pessoa maníaca. Se encolheu mais atrás da poltrona, perguntando-se se havia feito certo ao correr atrás de um vulto qualquer passando pelos corredores de Hogwarts. Talvez ela acabasse encontrando algo mais assustador que um atacante de nascidos trouxas.
É disso que você gosta Avery? Ser dominado por alguém mais novo? Ser dominado por alguém que você achava inferior? - Riddle conjurou cordas que amarraram o outro sonserino ainda caído no chão de uma forma estranha e nada convencional, Minerva conseguia perceber um padrão das amarrações, prendendo incômodas cetas partes do corpo, obrigando Avery a fazer um leve arco com a coluna. O brilho de diversão sádica iluminava os olhos dos dois.
E você gosta de se sentir no poder, não é? - Avery conseguiu dizer, sem ar, numa voz grutual.
Riddle, com os lábios vermelhos de sangue, cuspiu no chão, um ar de surpresa com o que fora dito conseguiu aparecer em seu rosto, rapidamente dando lugar à um sorriso sádico.
É, eu gosto - outro movimento de varinha e a roupa de Avery desapareceu, revelando seu corpo cumprido e branco. Riddle riu, e seguiu-se mais uma seção de feitiços que Minerva percebeu se tratar da Maldição Cruciatos. Era terrível, Avery gritava e ele ria, gemia e expirava intenso. Aquilo o dava prazer, lia-se claramente em seu rosto. Ainda com a varinha em mão, subiu sobre Avery. - E isso te excita, não é? Meu poder, o poder sobre você. Seu verme.
Um movimento de varinha e Avery recebeu uma pancada no rosto.
É assim que se faz! - Riddle, descontrolado, realizava uma seqüência de pancadas como a primeira, os olhos brilhando cruéis. O fato de Riddle ter prazer com a dor de Avery era bizarro, contudo, o que assustava era reparar que o sonserino mais velho de fato ficava mais exitado a cada injúria, principalmente com aquela amarração que prendia seu membro e parecia mais apertada quanto mais excitado ele ficava.
Seu miserável sujo. - cuspiu Avery, sem efeito, uma voz fraca acompanhada de um gemido perdido entre a dor e o prazer quando Tom apertou as cordas, rindo.
Minerva se sentiu intimidada com aquele riso, era pior do que todas as coisas que havia escutado até ali, fechou os olhos com força no exato momento no qual Tom lançava um feitiço que produziu uma pancada na altura do estômago do outro.
Seu fraco! - ele gritava e mais uma pancada podia ser ouvida. - Tolo. Simplório. Imbecil. Medíocre - a cada palavra, uma pancada acompanhada de um grito de Avery, o som daquilo era mórbido. Riddle abaixou a varinha, segurou Avery pelo rosto sem nenhum zelo e aproximou seus lábios ávidos, foi correspondido intensamente, o outro sonserino parecia querer colar ainda mais suas bocas, inclinando o corpo na direção dele. Riddle gritou, empurrou Avery para longe e em seguida colocou a mão sobre os lábios, estava sangrando. Com um olhar de puro ódio ele fez um novo movimento com a varinha e o mais velho recebeu mais uma pancada na cara, ria ensandecido enquanto deixava Tom espancá-lo. Os gritos de dor se misturavam às risadas e o som daquilo tudo fazia Minerva sentir um arrepio frio.
Ela se sentiu mal. Aquilo era uma demonstração mais doentia do que ela poderia suportar. Ia muito além do que ela esperava vinda de dois humanos, sendo sonserinos ou não.
Sem agüentar nem mais um pouco daquilo ela tentou se afastar; saiu de trás da poltrona e procurou pela sala um lugar melhor para se esconder, vagou desnorteada por sofá mesas e cadeiras, se encolhendo a cada grito, até que acabou encontrando o esconderijo perfeito dentro de um vaso de planta vazio perto da saída, longe daquele dois. Tentou tampar as orelhas dos sons de espancamento acompanhados de gritos de prazer e dor, fugindo de seu próprio sofrimento e consternação por ter que presenciar aquilo.
Ela demorou a se dar conta que soltava leves e agudos miados de desespero quando ouvia uma surra mais forte, e ao perceber, se calou. Tremendo, permaneceu dentro do vaso por incontável tempo, horas talvez, temendo ficar presa ali para sempre, no salão comunal sonserino com aqueles dois demônios.
Porém, em algum momento os dois pareceram finalmente saciados de seus jogos sexuais enjoativos ao ponto do asco. Minerva estava tão concentrada em ignorar por tempo indeterminado o mundo a sua volta, que a princípio não percebeu o fim dos gritos e porradas. Só reparou no silêncio quando este foi quebrado por uma respiração descompassada e uma sombra se fez sobre o vaso que se encontrava, alguém passava ali perto.
Retirou as patas de cima da cabeça e abriu os olhos. Ergueu a cabeça o máximo que ousou para observar a sala em volta. Tom terminava de abotoar a própria capa ao lado da saída da sala comunal. Em sua pele não havia uma marca sequer que incriminasse os dois tapas que Avery havia lhe desferido ou a mordida no lábio. Seu rosto pálido continuava belo como sempre. Terrível e belo, percebeu Minerva. O outro sonserino estava novamente vestido e desamarrado a um canto do salão, no entanto, seu estado era deplorável. Ele se arrastava, com uma mão segurando as costelas, indo atrás de sua varinha.
Sem dizer uma palavra, lançando apenas um olhar desdenhoso para outro, Riddle empurrou a gárgula, saindo. Minerva, por mais que agora estivesse inundada do mais puro choque e nojo, percebeu que aquela era a chance de escapar do covil das cobras. Novamente, quando a porta se transformava em uma fenda, ela pulou do vaso e saiu no exato instante em que a gárgula se fechou de vez, por pouco não prendendo seu rabo.
Ela queria distância de Tom Riddle e sua figura bizarra, medonha e doentia, no entanto, sabia perfeitamente bem que sem ele talvez demorasse tempo demais perdida no labirinto que eram as masmorras. Sem opções a vista, seguiu Riddle, dessa vez a uma distância perceptivelmente maior do que na vinda.
Estava tão desesperada em ir para longe daquelas masmorras que a princípio não reparou para onde Tom se encaminhava. Não demorou muito e ela reconheceu o corredor que levava à sala das aulas de poções. Dali ela saberia perfeitamente bem voltar para onde quer que ela quisesse e talvez recomeçar suas investigações sobre o atacante dos nascidos trouxas em outro lugar.
Porém, novamente, foi aquele novo e estranho instinto que pareceu estimulá-la à curiosidade. O que Riddle fazia indo tão discreto e rápido na direção da sala de aula de poções? Qual seria o interesse dele? Depois de assistir tudo que ele fizera com Avery, Minerva não estranharia mais o fato de ser o jovem Tom Riddle o insensível a atacar os estudantes nascidos trouxas. Ainda assim, parecia algo tão distante do que aquele monitor parecia ser.
Quando ela reconheceu o corredor que a levaria de volta ao hall de entrada, soube que o futuro de suas investigações dependiam de alguma forma da escolha do caminho que tomaria. Seu instinto dizia que estava mais perto de uma verdade do quem em qualquer outro momento, por mais que sentisse uma urgência de se manter longe de Riddle. E assim ela escolheu segui-lo pelo corredor que desembocava na sala de aula.
Contudo, foi uma informação a mais que verdadeiramente a convenceu daquela decisão. Não era unicamente a sala de aula que ficava naquela direção, mas também os aposentos de Slughorn, onde à vezes haviam algumas famosas reuniões sociais entre seus escolhidos.
Minerva, que já estranhava a relação de Riddle com Avery, mesmo sem saber a profundidade de podridão daquilo, da mesma forma sempre achara estranho como às vezes Slughorn, apesar de fingir admiração, parecia evitar Tom Riddle em público. Ali deveria haver algum segredo, e ela se sentiu novamente determinada a desvendá-lo.
Metade de si era curiosidade, e outra metade um temor sensível de auto-proteção mandando-a se afastar. Ela foi em frente.
Sem erro, Riddle não foi na direção da sala de aula. No entanto deu três batidas leves na porta que Minerva sabia ser a sala do mestre de poções.
Entre - veio a voz do professor, descontraída.
A porta rangeu levemente ao ser aberta. Minerva sentiu as patas moverem-se nervosas de uma lado para o outro, não sabia se entrava atrás do quinto anista ou não. Porém, sua escolha foi adiada, já que ele permaneceu encostado na porta aberta.
Boa noite, professor - sua voz voltara a ser melodiosa e cordial. Minerva não sabia se fora pelo que presenciara, porém, pareceu-a de repente que a voz dele não era mais tão bonita assim, era perigosa, venenosa.
Ah… Tom, meu rapaz. O que você faz aqui a essa hora? - perguntou Slughorn, a voz agora incomodada, ainda que tentasse soar simpática e expansiva.
Posso entrar? - Tom soou irônico, como se o pedido soasse levemente engraçado.
Claro, claro. Entre Tom, meu rapaz - Minerva ouviu o som de couro sendo friccionado, em seguida Slughorn apareceu puxando camaradamente Tom pelos ombros. Antes de entrar novamente, o professor olhou para o corredor desconfiado. Minerva se encolheu mais atrás da estátua na qual estava, assistiu o professor olhar nervoso para todos os lados antes de enfim fechar a porta.
Tomada por uma desconfiança excepcional por conta da reação de Slughorn e pelo que ela já presenciara, Minerva se aproximou da porta, dando graças por dessa vez poder ficar do lado de fora, livre para ir embora quando quisesse.
Se aproximou agachada em um andar felino e sinuoso da porta, se deitou, um olho espiou pelo pequeno vão entre o chão e a porta. A visão da sala proporcionada não era das melhores, porém, ela conseguia ver perfeitamente bem o professor sentado em sua larga e confortável poltrona de couro olhando consternado na direção de Riddle, parado em frente a porta de onde Minerva podia ver somente suas pernas.
- Tom, você sabe que não deveria mais voltar aqui - disse Slughorn parecendo nervoso e deixando de lado a falsa simpatia. - Eu te avisei que Dumbledore está desconfiando de algo, temos que parar com isso. E você sabe muito bem que eu não acho certo o que estamos fazendo, eu…
- Ah não, professor - na voz de Riddle não havia nada parecido com súplica, ele se aproximou de Slughorn sentando-se em cima da mesa de uma forma suntuosa. - Não quando estamos tão perto. Só preciso de mais uma informação.
Enquanto falava ele retirava a capa, deixando-a escorrer sensualmente por seu ombro, Minerva pôde ver perfeitamente bem quando as mãos de Slughorn pareceram apertar o braço de sua cadeira e ele engoliu em seco.
- Só mais essa vez e eu prometo que você nunca mais me verá assim.
Logo suas vestes estavam sendo abertas pelos dedos pálidos que pareciam torturosamente lentos em seu serviço. Minerva o via dali debaixo da porta uma parte do peito de pele clara sendo exposta. A língua felina e sensível dela umedeceu o focinho, mesmo naquela forma animaga ela compreendia muito bem como Tom Riddle conseguia ser bem sucedido em seus jogos de sedução.
- Tom, e-eu… - Slughorn não parecia mais tão seguro do que ele queria. Minerva se sentia enjoada, ainda assim estava com os olhos fatalmente grudados nos movimentos lentos e sexuais realizados pelos corpo de Tom.
Ela estava admirada com a mudança de comportamento de Riddle. Instantes antes ele estava tendo uma sessão simplesmente repugnante de sexo selvagem ou sado-masoquista com outro sonserino e agora se sentava na mesa de um professor e brincava de seduzi-lo. O que a admirava é que além de não parecer a primeira vez, estava também dando tremendamente certo.
Logo o jovem já estava sem a parte de cima das vestes e se inclinava tentador na direção de Slughorn, que se mexia incomodado em sua cadeira.
Tom se levantou, Minerva inconscientemente prendeu a respiração. O professor encolheu em seu lugar enquanto o jovem semi despido se aproximava, sentando-se no braço da poltrona. Sua mão fina e branca se esgueirou por cima da calça de Slughorn e pressionou o que tinha ali, o professor fechou os olhos e soltou um fraco gemido.
- Agora, professor, queira me dizer como exatamente tem de ser feito na preparação…
- E-eu já expliquei, não precisa de um ritual e-em si…
- Mas o que eu tenho que ter antecedentemente? - a massagem se tornou mais intensa, Slughorn gemeu longamente.
Enjoada e revoltada com o que via, por mais que até aquele momento não tivesse realmente nada contra o professor e sempre tenha achado estranha a relação dele com alguns de seus jovens talentos, ela jamais esperou presenciar uma cena dessas por si só. Pelo menos Tom Riddle não parecia nem um pouco com um menino inocente nas mãos de alguém mais velho.
Porém, a Minerva pouco importava que quer que Riddle estava interessando em preparar. Não parecia ter simplesmente relação alguma com os ataques a nascidos trouxas, o que era exatamente o que ela viera procurar.
Se afastou daquela porta trotando indignada com o comportamento de alguém que deveria ser monitor. Pensou seriamente se não deveria contar a alguém o que vira. Porém, quem acreditaria nela? Uma aluna apagada, reconhecida unicamente por notas boas tentando incriminar um quinto anista considerado genial, queridinho de muitos professores, monitor e bolsista de Hogwarts. Além de tudo, ela não tinha como explicar aos outros o que havia visto, não sem revelar que se transformara em uma animaga ilegalmente.
Ronronou zangada enquanto trotava em direção ao hall de entrada, onde pretendia tomar as escadas para uma ronda aleatória pelo castelo, esperando encontrar algo que de fato a trouxesse para perto do mistério dos ataques. Foi nesse momento que ela ouviu uma comoção de pessoas tentando passar pelo portão principal. Ela correu rapidamente para de trás de uma das estátuas e observou atenta.
Haviam dois homens que pareciam tentar manobrar um pacote alto e fino pela porta de entrada, na frente deles o professor Dumbledore assistia a com um sorriso discreto e satisfeito no rosto e os braços atrás das costas.
- Para onde, professor? - perguntou um dos homens olhando em todas as direções do castelo, assim que conseguiram passar o pacote.
- Sigam-me - disse ele rodopiando o chamativo conjunto de vestes douradas enquanto levava os homens escada acima.
Minerva sabia que a idéia não era ficar seguindo todo mundo que aparecesse aquela noite no castelo fazendo algo curioso, contudo, professor Dumbledore era de longe o mais admirado pela jovem, não só pela matéria que ele ensinava ser a paixão dela, mas pela pessoa dele como um todo, que inspirava confiança e respeito, mesmo não sendo nem um pouco convencional. Como para que se convencer, ela resolveu que seria bom segui-lo para saber se o que ele trazia para o colégio naquela hora da noite não seria de alguma arma para o terminar com os ataques. E se fosse isso, talvez a ajudasse com uma pista sobre por onde recomeçar sua busca.
Não precisou de nem mais um motivo para seguir o trio e o pacote flutuante por escada e caminhos sem fim, esperando pacientemente que o embrulho fosse manobrado para passar nos lugares mais baixos. Sua curiosidade felina se perguntava o que viria a ser aquilo, as mais diversas hipóteses passando por sua cabeça.
Ficou surpresa por Dumbledore ter guiado a todos para a ala oeste do terceiro andar. Minerva se lembrava claramente dos Grifinórios fazendo apostas de quem teria coragem de ir naquela direção, enfrentar as salas ermas e aparentemente abandonadas do local. Elas pareciam carregar na sua latente não utilização uma maldição ou azaração para aquele que as violassem.
Contudo, Dumbledore guiou os dois homens sem hesitação por aquela parte do terceiro andar até uma das salas abandonadas, onde os carregadores posicionaram o pacote a um canto da sala vazia e retiraram seu embrulho.
Revelou-se então um grande espelho, com uma moldura de talha dourada, aprumado sobre dois pés em garra. Uma inscrição entalhada no alto dizia: Oãça rocu esme ojesed osamo tso rueso ortso moãn. Minerva leu e releu aquela frase sem conseguir compreende-la, estaria em que língua? Não se parecia com qualquer runa que ela já tivesse estudado. Cogitou se aproximar do espelho para observar seus detalhes curiosos enquanto o professor dispensava os dois homens, porém, se fizesse isso acabaria exposta demais. Resolveu olha-lo de longe, das já habituais sombras.
Quando os homens haviam sido dispensados, Minerva não retirara nem por um momento os olhos da superfície límpida e perfeitamente reflexiva do espelho, só voltou a encarar Dumbledore ele parou em frente ao objeto.
Um sorriso triste e cheio de dor se desenhou no rosto do professor pelo reflexo que ela pôde ver.
- Vocês nunca vão voltar, não é? - ele perguntou depois de um tempo para algo que ela não conseguia enxergar. Quem seriam “vocês”?
- Eu não sei o que fazer… - continuou ele em um tom triste. - Eu sei que Gellert está ficando poderoso, e o mundo bruxo pede o meu auxílio mas…
Ele suspirou apoiando a mão na superfície reflexiva, seus olhos enxergavam alguma coisa a mais naquele espelho, ele olhava avidamente para algo a sua direita, algumas cabeças abaixo dele.
- Você está tão linda… - ele disse em um sussurro que Minerva pôde unicamente captar por ter orelhas sensíveis, a mão do professor foi na direção do local que ele observava, acariciou o espelho como quem alisa o rosto de um ente querido.
Minerva percebeu assustada uma lágrima escorrer dos olhos do professor e se embrenhar por sua barba ruiva. Ela jamais esperou ver alguém como Dumbledore chorando, ele parecia sempre superior e invencível…
- Você acha que eu conseguiria encará-lo novamente? - continuou ele em seu monólogo. - Você acha que eu agüentaria saber de quem de nós partiu aquele feitiço? Você entende o meu sofrimento, Ariana? Você me perdoa por ser tão covarde?
Nenhuma resposta audível pareceu vir de todas aquelas perguntas, e Minerva se sentiu terrivelmente incomodada e curiosa por saber o que se passava. Seus olhos passeavam de toda a superfície lustrosa do espelho, ao rosto cheio de dor do professor, ao entalhe no topo e ao ambiente em volta, como se esperasse encontrar com quem o professor falava logo ali, em algum lugar atrás dele.
Contudo, o mais perto de uma resposta que ela encontrou foram os entelhes, que algo a dizia terem um significado importante. Não era como uma língua estrangeira, mas algo que a escapava por pouco da compreensão. Com um estalo de inspiração ela leu o texto novamente: Oãça rocu esme ojesed osamo tso rueso ortso moãn. Leu-o, três vezes seguida, na quarta, entendeu. Ansiosa, nem ao menos reparou no que Dumbledore continuava a monologar sobre o tal de Gellert. Se ela lêsse aquele texto não da forma convencional mas de trás pra frente…
“Não mostro seu rosto mas o desejo em seu coração”
Era isso! Um espelho dos desejos… Dumbledore não estava enxergando seu próprio reflexo, ele estava vendo algo além da sua compreensão, ela ficou consciente do quanto estava invadindo completamente a privacidade, assistindo àquela cena íntima e dolorosa para o professor. Sentiu que não deveria permanecer ali em respeito a sua admiração pelo mestre, silenciosa abandonou a sala, agradecendo o fato da portar estar entreaberta.
Pôde ouvir pouco antes de sair:
- Tudo que eu queria era que não tivesse dado tão errado. A força do amor pode se virar contra nós. Você me perdoa por ter sido um tolo apaixonado?
Mesmo sem saber qual seria a triste história de seu professor, Minerva sentiu seu coração se apertar com essa frase. Seria possível que alguém de olhos tão astutos e sempre tão bem humorado tivesse um dia feito algo tão humano como errar por amor?
Minerva afastou esses tristes pensamentos de sua cabeça, sabendo que cada pessoa têm seus próprios problemas e estes devem ser respeitados.
Vagou inconsciente pelo colégio até se dar conta de que simplesmente não tinha mais rumo, nem sabia em que andar havia ido parar. Olhou na direção dos quadros e dos corredores buscando algum ponto de referência quando reconheceu o corredor que desembocava nas salas de Defesa Contra as Artes das Trevas. Mesmo tendo se achado, não sabia bem por onde seguir quando viu um vulto passar andando rápido por ela, sem parecer notá-la em sua forma animaga.
Minerva se perguntou se aquela era a noite das pessoas fazerem todas as coisas de uma vez, ou se era sempre assim mesmo.
Reparou que o vulto tratava-se de uma menina levemente atacarrada de maria chiquinhas, tentando ser silenciosa, mesmo andando rápido.
Apenas porque simplesmente não sabia o que mais poderia fazer, Minerva a seguiu, curiosa por saber exatamente por quê da jovem querer ser tão discreta.
Quando chegaram passaram por um trecho cheio de archotes, Minerva pôde ver o rosto espinhento da menina, percebeu que ela não deveria passar dos 13 ou 14 anos, usava um óculos de armação grossa. A animaga reconheceu-a levemente como uma provável aluna da Corvinal. A pergunta de o que uma criança daquelas fazia numa sexta a noite fora da cama era realmente um mistério. Um mistério que Minerva pretendia resolver.
A garota não foi muito longe naquele corredor, logo encontrou uma porta semi-aberta com luzes vindas de dentro. Parecendo ter achado o que ela procurava, adentrou o recinto sem no entanto, fechar a porta, permitindo que de seu canto Minerva visse tudo.
- Murta! - exclamou uma voz feminina de dentro da sala, parecia feliz. - Você veio!
- Olha Olive… eu vim sim, mas não sei bem ainda se vou querer fazer tudo o que… você sabe - a menina chamada Murta olhou sem jeito para um canto da sala, de lá, Minerva ouviu alguém se movendo.
Se posicionando melhor, ela achou um lugar que a permitisse ver todas as pessoas na sala sem ainda assim ser vista. Foi com surpresa que constatou que a terceira pessoa se tratava de um terceiro anista de sua casa, Rubeus Hagrid. O que aqueles três jovens faziam em uma sala de aparência abandonada no castelo no feriado de fim de ano aquela hora da noite?
- Ora Murta, não me diga que você conseguiria por aí alguém melhor que o Rubeus aqui? - perguntou Olive, que Minerva tinha impressão de ser uma quarta anista também corvinal. Murta ficou sem jeito e parecia querer olhar um todas as direções, menos na de Rubeus.
- Não é pessoal, eu apenas não sei se devo fazer isso… - respondeu a mais baixa em um sussurro inseguro.
- Deixe de ser antiquada - a outra corvinal tinha um tom de desprezo. - Olhe o tamanho do Rubeus! Ele tem só quatorze anos, imagina o quão bem dotado ele deve ser por debaixo da vestes.
O rapaz ainda sorria, parecendo meio por fora do assunto, Murta engasgou e Minerva viu o claro olhar que ela lançou para a região do meio das pernas do garoto.
- M-mas eu não estou bem aqui por isso - disse a menina com leve indícios de uma gagueira. - Eu estou só por você Olive - ela lançou um olhar tímido à outra menina, que apenas revirou os olhos.
- É, mas eu não vou encontrar com você se não for com o Rubeus, é pegar ou largar - respondeu nem um pouco sensibilizada dando tapinhas no ombro do menino grandalhão que parecia deslocado.
Murta olhou de um para o outro e seu olhar se prendeu por mais tempo em Olive, que parecia decidida a ter seus pedidos atendidos.
- Por que ele tem q…
- Ah-ah! Como eu disse, é pegar ou largar! - impôs a menina mais velha sem dar chance para argumentação.
Novamente hesitação, até que Murta, vencida, apenas disse um fraco “tudo bem”.
- Então, antes de começarmos, tire esses óculos.
Parecendo levemente consternada, a menina Murta retirou os próprio óculos e Olive pegou-os com beligerância.
- Sem eles eu não enxergo nada Olive… - disse ela em uma voz chorosa.
- Não importa, você ia ser vendada de qualquer forma - dizendo isso, esticou a mão na direção de Hagrid, que prontamente a entregou um pedaço de pano negro que ela amarrou nos olhos da outra menina.
- Vo-você sabe que eu só estou fazendo isso por você, não é, Olie?
- Não me chame de Olie, soa ridículo. Agora, eu vou usar os seus óculos de uma forma que você nunca vai esquecer, e enquanto isso o Rubeus aqui vai te dar prazer pela outra entrada. Murta, essa noite você vai ser conhecida como a Murta-Que- Só-Geme, ou algo assim.
Minerva estava pronta para interferir, como monitora jamais permitiria que qualquer aluno fosse molestado daquela forma, principalmente se algum colega de casa estivesse no meio, porém, a menina chamada Murta não parecia com medo e até sorriu.
- Eu vou adorar o que você tem para mim dessa vez Olive… - disse ela com um sorriso que deixava claro que ela realmente apreciava aquilo. - Dessa vez você vai usar a coleira?
- Não, mas eu trouxe as algemas, você vai gostar. Agora, vire-se - o tom imperioso e ignorante da corvinal mais velha não sumia, e Minerva se perguntava por quê Rubeus e Murta pareciam tão facilmente se sujeitar a ela.
Quando Minerva viu a menina gordinha se inclinar sobre uma mesa expondo-se para ser despida pelos dois enquanto era algemada ainda de venda nos olhos, Minerva achou que já tinha visto o suficiente para uma vida inteira em relação a humanos e sexo. Estava na hora de ela procurar algo verdadeiramente importante.
Deu as costas para a cena, não sem antes ouvir Rubeus falando algo pela primeira vez:
- Sabe, se pudermos não demorar muito… É que eu tenho que alimentar meu… minha… ahn… meu gato. É, meu gatinho, pobrezinho, ele morre de fome essa hora da noite. - disse ele de uma forma nem um pouco convincente, Minerva ignorou o que quer que fosse. Estava cheia de estudantes e suas manias doentes. Por Merlin, será que só ela em todo aquele castelo achava esse tipo de coisa um absurdo?
Ainda indignada, ela foi seguindo na direção do hall de entrada, com todo esse tempo que ela perdera, chegara à conclusão de que o melhor lugar para se procurar alguém suspeito era definitivamente nas masmorras, lar da casa dos que mais amavam ostentar serem puro-sangue, principais suspeitos para atacarem nascidos trouxas.
Chegara no hall de entrada quando viu uma já conhecida figura passar correndo, vindo exatamente da direção que ela pretendia voltar.
Aquela era uma noite realmente agitada na vida de Tom Riddle, pensou Minerva consigo mesma. Estava pronta para ignorar que acabara de vê-lo se esgueirando para fora do castelo quando novamente a maldita curiosidade a mordeu. Aquela noite parecia inútil mesmo, então, qual o problema de desmascarar mais um dos segredos daquele monitorzinho de araque?
Não precisou nem reparar admirada que o rapaz ia na direção da Floresta Proibida para já estar correndo atrás dele. Margearam por um tempo a orla até chegar a um pequeno morro, de onde podia-se ver vagamente o começo das estufas. De lá, Tom adentrou a mata, e Minerva percebeu que na sua forma animaga simplesmente não tinha medo de entrar se embrenhar pela árvores que no geral a assustavam pelos perigos que guardavam.
Andaram por um tempo indeterminado, que ainda assim não pareceu muito para ela, até chegarem nos arredores do que parecia ser uma clareira pouco utilizada.
Seus instintos felinos apurados a fizeram se esconder atrás de uma grande moita a poucos passos de Tom, no exato momento em que um jovem centauro baio saía do meio da mata fazendo um barulho assustadoramente insignificante para todo o seu porte. Riddle só notou-o quando ele disse em uma voz grave e arrastava que contrastava com sua aparente juventude.
- Você veio.
- Eu disse que viria. Você trouxe o que mandei, Firenze? - perguntou Riddle imperioso, um tom claro de superioridade.
- Sim, mas antes…
Tom colocou um dedo sobre os lábios do centauro, Minerva se assustou novamente com a forma que o jovem sabia guiar as situação, pareceria até romântico se seus olhos não fossem tão frios, insensíveis. O centauro parecia apreciar aquele toque e se render aos olhos de Riddle, aos poucos as pernas dianteiras dele começaram a ceder, nivelando seus rostos. Tom fechou os olhos em uma típica forma romântica de se comportar, convidando Firenze a beijá-lo.
Dissimulado, falso e sujo, foi o que pensou Minerva, enojada pelas múltiplas personalidades que o sonserino parecia assumir para cada ser com o qual se encontrava. Obediente, e aparentemente perdido pelas falsas demonstrações de afeto do jovem, Firenze, com um olhar apaixonado, juntou seus lábio com delicadeza, como se tivesse medo de macular o garoto a sua frente. Minerva pensou no que acharia o centauro se presenciasse a cena da doente relação entre Riddle e Avery que ela vira mais cedo.
Mais uma vez naquele dia ela sentiu vontade de se meter no meio da cena, avisar ao pobre centauro que Tom Riddle não era nada disso que seu olhar cálido e apaixonado parecia enxergar nas feições frias e belas do jovem. Porém, mais uma vez ela se manteve na dela, agachada, raivosa com o que via, com a facilidade que aquele menino parecia ter para usar os outros.
Sua consternação durou até ver Firenze puxar a nuca do rapaz para um beijo mais intenso. Ela podia ouvir as línguas se provando, o som ecoando em seus ouvidos atentos, os corpos do dois pareciam emanar uma necessidade animalesca, desvelada pela forma como os tórax dos dois se chocavam em terminarem a distância entre si.
Quando o beijo parecia durar mais do que o previsto, Tom afastou-se levemente. De lábios ainda vermelhos ele olhou nos olhos desconcertantemente claros do centauro e disse em tom de ordem:
- Dê-me.
- Ainda não, Tom - respondeu o outro, afastando delicadamente os cabelos do jovem de seu rosto, o calor ainda emanando da forma como segurava-o em seus braços, ele parecia determinado a continuar com o beijo.
Riddle encarou-o por alguns instantes, e Minerva reconheceu como a atitude que ele manteve quando estava prestes a azarar Avery no salão comunal, contudo, parecendo agora extremamente mais cuidadoso do que com o companheiro de casa, Tom resignou-se a lançar-se em beijos pelo pescoço do centauro, realizando trilhas quentes a sua passagem, lambeu, sugou e mordeu com vontade, como se quisesse deixar provas de sua passagem pelo corpo do outro. Um sonoro e profundo gemido brotou da garganta do centauro, extasiado de olhos fechados, parecendo delirar sobre os contatos indecorosos do rapaz. Os corpos colados e a vontade devoradora do centauro ao receber as carícias ao puxar os belos cabelos de Tom para trás com força indicavam que logo tudo ficaria mais quente. Quente demais para Minerva, que sentiu vontade de ir embora, já havia visto coisas demais.
- Senti sua falta, menino Tom - confidenciou Firenze quando suas mãos procuravam retirar de vez a capa negra de Tom. Minerva se perguntou quantas vezes mais aquele acessório seria retirado em prol dos objetivos escusos daquele monitor inescrupuloso. Para ele parecia não haver nenhum limite, e foi exatamente ao pensar nisso que a animaga se perguntou o que Riddle poderia estar querendo de um centauro para estar ali naquela hora da noite. Mais uma vez sua curiosidade suplantou o instinto de ir embora e ela continuou em seu esconderijo.
Firenze deixou a capa escorregar para o chão de terra, e de forma quase reverente se pôs a desabotoar as vestes de Tom, fazia tudo com um carinho que destoava todas as outras cenas que ela havia visto até ali. A cada botão aberto, um novo pedaço de pele era descoberto, sentido, beijado e acariciado por Firenze, tão subserviente e entregue, que Minerva percebeu com choque, que, de todas as pessoas que Tom Riddle seduzira até ali, o centauro era o mais puro, irreversivelmente apaixonado. Isso incomodou-a sobre maneira, Tom não tinha o direito de enganar alguém tão entregue em suas mentiras de interesse, fossem eles quais fossem.
Novamente, antes que percebesse ela ronronava zangada, os pelos eriçado, as garras para fora e a coluna assumindo o formato de arco, em um comportamento de estresse tipicamente felino. Assistiu quando Firenze, ainda delicado e cuidadoso, mordeu a barriga e lambeu o umbigo de Tom. Quando chegou à calça o centauro voltou-se novamente para o rosto de Tom, e, começando pelo pescoço, que o jovem inclinou displicente, seguiu em uma trilha até a sua boca. Desta vez uma de suas mão escorregaram para baixo e acariciaram por cima da calça o pênis de Tom, que tremeu instintivamente de prazer com o contato, e depois pareceu se contrair.
- Chupe-o - ordenou, imperioso enquanto desfazia o botão do cinto, da calça e o zíper e deixava as próprias calças caírem, exibindo um corpo delgado, de aparência levemente frágil, pálido à luz da lua, que parecia se refletir em cada pedaço da pele do jovem. Minerva arregalou seus olhos felinos, sentindo como se de repente eles enxergassem melhor do que antes, refletindo os reflexos do belo corpo de Riddle.
O centauro de cabelos loiros o olhou com aqueles belos olhos azuis, como se avalia-se a ordem que recebera de forma tão fria, recebeu um olhar que soava como reconfortador de volta, que Minerva podia ver que claramente não era sincero. Parecendo temeroso, daquela mesma forma reverente, o centauro se abaixou e acariciou a ereção do jovem em seguida colocou a língua para fora e provou do membro de Riddle, que sorriu exultante olhando para o céu, ignorando o frio e sentindo Firenze saciá-lo. Minerva não conseguia deixar de admirar a forma ávida e ainda assim reverente com a qual o centauro lambia, provocava e abocanhava em movimentos contínuos o pênis de Riddle, ela nunca havia visto uma cena daquelas e teve a impressão de que estaria extremamente corada se em sua forma humana.
Talvez não pelo teor sexual em si, mas Firenze parecia de alguma forma tão puro no que fazia que ela se sentia uma intrusa suja ao violar a intimidade de suas ações. No entanto, bastou um olhar na direção do rosto do sonserino para voltar a se lembrar porque estava ali. Riddle tinha um sorriso sádico se espalhando pelo seu rosto enquanto impunha dominante certa velocidade aos movimentos do centauro e o olhava de cima, como um rei pronto a ser peremptoriamente servido.
Firenze em algum momento parou os movimentos com a boca, substituída por sua mão que apenas acariciava o membro de Tom, enquanto os lábios buscaram os do rapaz em um novo beijo carinhoso e faminto. Um sorriso malicioso brotou na boca do centauro ao reparar que Riddle estava corado, o rosto contorcido que o centauro aparentemente julgou ser prazer, pois intensificou a massagem de suas mãos.
- Faça-me gozar - demandou o jovem com um tom de gemido na voz.
- Você não está em posição de mandar - Firenze tinha um sorriso divertido no belo rosto, levemente provocativo.
- Mas eu mando… Oh! E você sempre obedece. Faça-me gozar.
Ainda com seu sorriso no rosto, Firenze obedeceu. Posicionou novamente a boca no pênis do outro, lambendo-o desejoso, abocanhando-o satisfeito por escutar os gemidos raros do outro. Periodicamente Firenze acelerou seus movimentos, e de olhos fechados impôs uma intensidade avassaladora sobre o que fazia, Tom grunhiu alguma coisa incoerente enquanto movia o corpo para se chocar contra o rosto do outro, e Minerva ouvia o som de pele contra pelo que aquilo causava e sentia uma nova espécie de arrepio percorrendo o seu pelo de gato. Resolveu que já era demais ficar assistindo aquilo, por isso se pôs inteiramente atrás da moita. Queria apenas saber o que Tom Riddle podia querer com um centauro, não assistir a mais uma de suas cenas de sexo impetuoso.
Ela pôde perceber quando Firenze enfim realizara a ordem de Tom, pois o rapaz libertou um gemido grutual de sua garganta que ela não ouvira até ali. Depois, mais sons de beijos. Minerva divagou sobre os gosto que esses novo beijo teria e qual seria a sensação de ser beijado com o gosto de seu próprio gozo na boca do outro, depois sacudiu a cabeça exasperada, não era a hora de ficar apreciando os eventos ou fazendo tais tipos de questões.
Seguiu-se um longo momento que pareciam recheados de carícias, quando ela se permitiu deitar cansada e achando que aquela tocaia não a traria nada. Talvez Tom só tivesse alguma espécie de fantasia sexual com humanóides, quem sabe o próximo passo dele fosse entrar no lago e seduzir algum sereiano?
- Você trouxe, não foi? - ela ouviu a voz de Tom interromper o silêncio e saltou sobressaltada.
- Trouxe o quê? - perguntou Firenze em uma voz calma.
- O que sempre venho buscar com você - respondeu tom em uma voz sonoramente descontraída, contudo, Minerva precisou olhar uma única vez que os olhos do jovem eram uma ameaça velada.
Com um suspiro, como se enfim tivesse se dado conta de que não valia se meter em jogos com aquele rapaz, Firenze respondeu apontando a um canto da clareira:
- Sim, estão ali - Minerva seguiu o dedo erguido do centauro e encontrou um pacote em cima de uma pedra.
Sem dizer uma palavra, ainda despido, Tom foi até o local indicado e recolheu conferindo atento o que havia ali. Seu rosto se contraiu no primeiro sorriso sincero que Minerva viu naquela noite, um sorriso tão desvirtuado e distraído que ela desejou não ter visto.
- Isso me vai ser muito útil Firenze. Não esquecerei desse seu favor no futuro - disse ele enquanto guardava o pacote dentro de suas vestes e as recolocava.
- Pergaminhos de centauro são muito raros, eu tive de ser muito discreto ao retirar esse maço. Há quem tenha começado a desconfiar da falta no estoque. Não acho que vou poder continuar com isso.
Minerva sentiu que naquelas palavras o centauro estava tentado dizer alguma coisa a mais.
- Tudo bem. Não precisarei mais de pergaminhos - Tom parecia indiferente, acabava de abotoar sua capa negra, enquanto limpava-a com um feitiço.
- Isso quer dizer…?
- Isso quer dizer que eu não preciso mais dos seus serviços - disse o jovem aparentemente generalizando tudo com um aceno de mão. - Mas como eu disse, Voldemort jamais esquece daqueles que o ajudam.
- Voldemort? - perguntou Firenze surpreso.
- Sim. Não se esqueça desse nome, será bom para você no futuro - Riddle tinha ainda o tom indiferente enquanto espanava uma poeira imaginária de suas roupas.
- Quando te verei novamente?
A essa pergunta, um ar perigoso de irritação se passou pelo rosto do jovem Riddle, que em seguida foi substituído por um sorriso sádico enquanto ele voltava pelo caminho que viera.
- Provavelmente, nunca mais - acenou sem olhar na direção do centauro de costas para ele, indo embora.
- Tom! - gritou Firenze, em seu rosto Minerva viu apenas um choque sincero. - Você não pode estar falando sério. Não depois de tudo… de tudo que eu fiz de…
- Adeus - disse Tom e desapareceu. Minerva reconheceu um feitiço desilusório potente, contudo, ainda sentia seu cheiro, provavelmente ele se afastava naquela curiosa corrida silenciosa que usara nos corredores de Hogwarts. Não que ele precisasse de silêncio, não com o estrondo que Firenze produziu.
O centauro cavalgou a esmo de um lado para o outro, enfurecido, gritando, chamando por Tom, e Minerva sentiu-se levemente culpada por algo que não sabia exatamente o quê, pois sabia que Riddle já ia longe. Firenze fora unicamente usado, e para ele aparentemente aquilo doía. A jovem em sua forma animaga imaginou o quanto um coração partido doeria.
O centauro pisoteou irado de uma lado para outro, acertando com uma força assustadora as árvores a sua volta, socando e se revoltando, seus casco passou tão perto do esconderijo de Minerva, fazendo uma moça tão funda que ela pela primeira vez temeu por sua vida.
Escapuliu como pode de seu esconderijo e voltou a correr em direção a Hogwarts. Assustada, a última coisa que ouviu saindo daquela floresta foi algo semelhante a um relincho e um grito enfurecido que dizia algo como: ‘Nunca mais’ e ‘Aguarde o futuro’.
Desnorteada com o que vira e ouvira, Minerva não viu outra opção que não seguir de volta ao castelo. Não sabia mais o que esperava encontrar e estava com medo, ou talvez nojo, do que alguns humanos eram capazes. Uma parte de si ficou realmente abalada pela forma como o centauro reagira ao perceber a falta de escrúpulos de Riddle.
Inclusive, não havia sinal do jovem em lugar nenhum, ela não tinha idéia para onde ele poderia ter ido, e por sinal, não se importava muito se ele tivesse resolvido simplesmente sumir do mapa. Com um ronronar de escárnio ela desejou que isso fosse, inclusive, para sempre.
Entrou no castelo meditando se não era melhor voltar para o dormitório grifinório e aproveitar seu resto de sono, quando um barulho vindo da sala adjacente ao salão principal chamou a atenção dela ao passar pelo hall de entrada.
Com um movimento rápido de rabo ele se pôs atenta enquanto se espreguiçava e soltava um longo bocejo, a noite estava agitada de mais e isso cansava, correr de um lado para o outro o tempo todo. Seguiu na direção do aposento temendo o que poderia ver, visto o nível de coisas daquela noite, se aproximou da porta entreaberta com cautela, e o que viu a deixou muito mais chocada que qualquer outra coisa aquela noite inteira.
Tom Riddle ser um sadomasoquista ensandecido parecia nada agora, Slughorn se deixar seduzir e aliciar por um aluno era até previsível, e depois de tudo que vira, assistir o rapaz com um centauro apaixonado não fora nem de longe a surpresa da noite. Agora isso. Isso estava fora de suas compreensões felinas. Não isso, não Dumbledore.
Assim que se aproximou da sala e sua cabeça cautelosa espiou para dentro, o que Minerva viu eriçou de vez todo os seus pelos, as fez arreganhar os dentes e inclusive chiar em protesto quanto se punha em arco na ponta das patas com as garras para fora. De onde estava não conseguia ouvir o que era dito em uma voz sussurrada por Tom e respondido por Dumbledore, contudo, o que a chocou foi a pose dos dois.
Professor Dumbledore estava sentado em uma carteira, ela não sabia se era impressão, contudo, seus olhos ainda pareciam vermelhos da cena que ela presenciara com o espelho, e Tom Riddle, o maldito rapaz que parecia ter aliciado Hogwarts inteira, estava encaixado entre suas pernas, falava alguma coisa enquanto segurava o rosto do professor.
Pelas barbas de Merlin! Não ele, não o professor de transfiguração, não o Dumbledore!
Ainda que Minerva estivesse naquele momento andando ansiosa e nervosa de um lado para o outro vendo seu professor, o único que parecia ainda ter o mínimo de respeito ao olhos dela, se deixar seduzir por alguém como Riddle, a jovem animaga ficou ainda mais consternada e virou o rosto quando viu exatamente o que temia. Um beijo.
Riddle embrenhou as suas mãos pelos longos cabelos do professor e se aproximou. Dumbledore não se afastou, até fechou os olhos e pareceu aceitar o beijo, ainda que suas mãos permanecessem soltas ao lado do corpo. Pelo menos a isso ele se prestava, nada de alisar, abusar ou…
Foi só ela pensar nisso que Dumbledore mexeu os braços, ergueu as mão. O estômago felino de Minerva quis regurgitar alguma coisa, aquilo não podia serão incrivelmente nojento, ela não ia mais conseguir olhar na cara do professor ou respeitá-lo como fazia, não depois disso.
Contudo, para a surpresa dela, que já achava que de fato o mundo estaria perdido, Dumbledore ergueu os braços não para puxar o aluno para mais perto, ou para provocá-lo e ceder ao que todos os outros pareciam ceder. Ele afastou o aluno, delicado, porém impetuoso.
- Isso não vai funcionar comigo, Tom - disse ele auto, com um tom entre o triste e o frio.
- Estava funcionando até um minuto atrás, não? Qual o problema professor, por que não podemos, eu sei que o senhor tem desejos que…
- Você não entende nada de desejos que não físicos e particulares, Tom - disse Dumbledore, e agora ele alguém realmente triste com o que via.
- Então porque você deixou esse beijo ocorrer? - Tom parecia começar a fica irritado, e pela primeira vez naquela noite, a irritação dele pareceu apenas uma birra de criança mimada. Dumbledore ainda o encarava tranqüilo.
- Porque eu sou humano, e você me pegou em um momento de fraqueza, Tom - o professor disse sem vergonha, no mesmo tom que ele usava em suas aulas ao ensinar algo novo aos alunos.
- Então voc… - Riddle tentou se aproximar novamente, sem se dar conta que seus jogos de poder podiam ter encontrado pela primeira vez alguém resistente a eles.
- Sr. Riddle, eu não sou como alguns de meus colegas e não permitirei que você insista nesse assunto - o tom de comando irredutível na voz de Dumbledore de repente fez Minerva perceber como Riddle parecera apenas uma criança mandona em todos os outros momentos daquela noite.
Minerva observou Riddle, aparentemente chocado demais por seus jogos terem dado errado, encarar Dumbledore intensamente, até se afastar, e abaixar a cabeça. A atitude pegou a animaga desprevenida.
- D-desculpe professor. E-eu achei que no mundo mágico eu tinha que ser com todo mundo como o professor Slughorn me ensinou… - a voz dele era calculadamente gaguejante e pretensiosamente inocente, Minerva sentiu seus pêlos eriçarem novamente ao perceber que seduzir sexualmente as pessoas não era nem de longe a sua única arma usada na hora de conseguir tudo o que queria.
- Não subestime a minha inteligência, Riddle - Dumbledore parecia agora frio como gelo, e até Minerva se incomodou com o olhar penetrante que ele lançou ao rapaz. Ela sentiu que jamais gostaria de se ver sobre aquele tipo de mira. - Não pense que vai poder se aproveitar das fraquezas do professor Slughorn eternamente, se você insistir no assunto, serei obrigado a levá-lo até o diretor.
Minerva não poderia dizer se foi só um efeito da iluminação bruxelante do ambiente, contudo, os olhos do professor de transfiguração pareceram faiscar.
Riddle pareceu chocado com o que ouvia, se afastou dois passos hesitantes do professor. Sua boca se abria e fechava em um gesto tão tipicamente chocado, e ainda assim culposo, que Minerva percebeu o quanto Dumbledore o havia surpreendido.
- E-eu não…!
- Tom, por favor. Acho que já terminamos. Vá para o seu dormitório, não me obrigue a tirar alguns pontos da Sonserina por encontrar o monitor deles a essa hora da noite andando por Hogwarts.
Riddle ainda teve coragem de lançar um olhar entre o temeroso e o ameaçador na direção de Dumbledore, porém, logo seguiu para fora, Minerva, que correra para se esconder atrás de uma estátua, viu no semblante do jovem a mais pura fúria e vergonha. E ela percebeu que a vergonha não era devido ao que ele fizera, não, era vergonha por ter falhado, aparentemente, pela primeira vez.
A animaga ronronou satisfeita, agora sim Riddle compreenderia o que diferenciava Dumbledore de todos os outros, ele nunca poderia ser enganado nem manipulado. Não por um menino de no máximo dezesseis anos.
Contente, Minerva trotou pelo corredor inicialmente seguindo o rapaz para o hall de entrada, de lá pretendia seguir escadas acima e dessa vez de fato ir para o dormitório. A cena que vira com o o Dumbledore fora suficiente para fazê-la trotar feliz pelo corredor, porém, Riddle, a sua frente, que agora simplesmente não pareci mais tão apressado, retirou de suas vestes um pacote, e ficou a analisa-lo friamente, enquanto virava na direção das masmorras.
Minerva congelou. Quantas vezes naquela noite Riddle a atrairia para a busca da resposta de seus mistérios enquanto a levaria para mais perguntas sem resposta? Se continuasse assim ela ficaria uma semana seguindo-o sem jamais desvendar qualquer mistério e o atacante de trouxas continuaria livre…
Ainda assim, a pergunta insistente de o que poderia ser tão importante para Riddle ao ponto de ele se sujeitar a seduzir um centauro em busca de pergaminhos não a abandonava.
Sim, pergaminhos de centauros eram extremamente raros, porém, não tão impossíveis de conseguir por alguns galeões em uma boa loja do Beco Diagonal, Minerva simplesmente não compreendia porque ele parecia precisar tanto deles, novamente, Tom Riddle havia aguçado a curiosidade da jovem, e ela, sabendo que não teria nada mais a perder naquela noite, mais uma vez o seguiu.
Pelo menos dessa vez ele não estava apressado, parecia que enfim havia resolvido todos os problemas daquela noite e andava razoavelmente tranqüilo pelos corredores, ainda que pela tensão dos ombros dele e o passo largo e firma utilizado, Minerva pudesse ter certeza que ele ainda estava zangado e frustrado pela reação de Dumbledore. Jubilante, a animaga ergueu a cabeça e o rabo, contente por estre simples fato.
Viravam um corredor quando Tom parou abruptamente, a princípio ela estava tão contente por ele estar frustrado com Dumbledore que ela acabou ficando a poucos passos dele antes de reparar que ele não andava mais. Com um salto ela correu para trás da gárgula mais próxima e olhou para fora curiosa.
No corredor pôde ver o que chamara a atenção do jovem. Havia alguém no corredor, aparentemente em uma porta que desembocava no corredor, pelo som que ouviu vindo lá de dentro enquanto alguém grande remexia as coisas lá dentro, tratava-se de uma armário de vassouras. Minerva podia sentir a expectativa e a curiosidade emanando de Tom Riddle, ele queria entender aquela cena tanto quando ela.
Silencioso como só ele conseguia ser, se aproximou do vulto, Minerva ficou indecisa entre segui-lo de perto e permanecer em seu esconderijo, o único lugar aparentemente salvo para ela estar sem ser vista. Decidiu por sua segurança, enquanto tencionava todos os seus músculo, não ousando mexê-los nem levemente tamanha a sua atenção ao que quer que acontecesse.
Quando estava há menos de dois metros da outra pessoa, Riddle inclinou a cabeça, como se tentasse reconhecer quem quer que fosse.
- Rubeus Hagrid? - perguntou ele no mesmo momento no qual guardava seus pergaminhos dentro das vestes.
O rapaz, o mesmo da cena com as duas garotas, se ergueu assustado, sua cabeça quase bateu no topo da entrada do armário.
- Q-quem… - Minerva não conseguia enxergar seu rosto, mesmo com seus olhos felinos, o corredor estava muito escuro, porém, percebeu o claro tom que ela conhecia muito bem que os alunos usavam quando eram pegos com a mão na travessura. - Ah, Riddle. Tom Riddle.
Rubeus não pareceu relaxar nem um centésimo após reconhecer quem era.
- O que você faz a essa hora da noite em um corredor vazio? - perguntou o monitor erguendo a varinha e iluminando o lugar a volta deles.
Minerva, sem surpresa, reconheceu o grifinório terceiro anista, em seu rosto lia-se apreensão.
- Ahn… nada. Nada não, Tom.
Não satisfeito, Riddle mirou a varinha dentro do armário, Hagrid tentou ser mais rápido, contudo, aparentemente o outro jovem fora mais rápido.
- U-oh! O que é isso Rubeus? - ele parecia deliciadamente surpreso.
- Não é nada da sua conta - de repente, Rubeus parecia mais firme, seguro de si.
- Ah, eu acho que é da minha conta sim, afinal, eu sou o monitor aqui, e é meu dever saber que tipo de coisas os alunos escondem por aí. Sabe Rubeus, você não pode esperar que eu arrisque a vida de outros alunos…
- Ele não faz mal a ninguém. Por favor Tom, deixe-o em paz. Eu juro que é inofensivo!
Pelo que Minerva observara apenas naquela noite, o jovem a sua frente jamais se deixaria convencer por súplicas tão mal explicadas. Porém, diferente do que ela esperava, Tom não riu dos pedidos de Rubeus, não o azarou enquanto lidava ele mesmo em exterminar o que quer que fosse dentro daquele armário. Tom parecia estra pensando. Olhava do ar suplicante do grifinório para o armário e então de volta para o outro aluno.
Lançou um rápido olhar em volta, como se verificasse por segurança se havia alguém por perto, Minerva se encolheu em seu esconderijo por instinto, ainda que soubesse não ser visível a olhos humanos. Foi com muita surpresa que ela viu Riddle usar um tom cúmplice e baixo ao falar com Rubeus:
- Tudo bem, desde que você não deixe essa coisa sair e ela não ataque nenhum aluno antes da hora.
- Ah Tom, muito obrigado! Obrigado mesmo! - Rubeus deu tapinhas nas costas de Tom, que se inclinou levemente com a força do menino grande. - Prometo que ele não vai causar problema algum. Nenhum mesmo. Eu sempre venho o alimentar, e deixo ele passear de madrugada, mas só um pouco. Ninguém vai saber disso. Você é tão bom. - ao fim dos seus agradecimentos Minerva viu levemente assustada o terceiro anista enxugar algumas lágrimas na manga.
- Ok, ok - disse Tom levemente desagradado, ainda que sua voz tentasse soar afável. - Apenas não arranje problemas. E vá para o seu dormitório antes que eu seja obrigado a descontar alguns pontos da sua casa.
- Eu já vou, já vou. Só estava terminando de dar comida para ela - um sorriso tolo persistia no rosto do grandalhão. Tom olhou-o mais uma vez antes de seguir em frente, seu passo consideravelmente mais leve do que antes.
Depois de tudo que vira, Minerva não poderia simplesmente acreditar aquilo fora um momento de ternura ou piedade por parte dele. Não mesmo, havia alguma coisa ali, e mais uma vez a animaga percebeu que ao invés de respostas ela conseguira mais perguntas. Desejou poder entrar na mente de Riddle e descobrir como funcionava tudo. Não era possível que ele dormisse ou tentasse seduzir toda Hogwarts para obter a sua popularidade, até porque, as únicas pessoas que para ela até agora tinham demonstrado alguma reação estranha perante o jovem eram Avery e Slughorn, o que fazia sentido com o que ela presenciara. Talvez, pensou ainda confusa, naquela noite em específico Riddle a estivesse mostrando apenas uma face de sua personalidade capaz de dobrar quem ele queria.
Mas não ela. E não Dumbledore.
Curiosa, ela queria ver o que Rubeus guardava dentro do armário que pudesse ter feito Riddle deixá-lo assim, tão despretensiosamente manter. Porém, havia o medo de ser pega pelo menino, unido ao medo de perder também Riddle de vista e não conseguir entrar na sonserina, para onde ela já havia percebido que ele se dirigia.
Quando o menino se abaixou no armário, tampando toda a sua entrada, Minerva resolveu correr, o máximo que aconteceria seria Hagrid ver um gato correndo, um gato qualquer, ninguém jamais teria receio, e esse era o seu ás na manga. Por isso pulou de seu esconderijo e correu silenciosa.
Aparentemente, no exato momento que passava por Rubeus e tentava enxergar alguma coisa rapidamente dentro do armário, a coisa pareceu se agitar.
- Ow, ow! Calma aí rapaz. Fique quieto, você não quer que ninguém te pegue certo. Pare com isso! - disse o menino tentando controlar o que quer que fosse, Minerva, sabendo que deveria se focar em um mistério por vez e preferindo não ser vista, continuou correndo na direção que sentia que Riddle havia tomado.
Encontrou-o já perto da gárgula, segurando de novo os pergaminhos de forma pensativa. Porém, antes de dizer a senha que o permitiria entrar, guardou o pacote no bolso das vestes. Minerva novamente - quase já se acostumando com aquilo - pulou para dentro no instante final e correu para dentro do vaso. De onde observou Tom reparar satisfeito que o salão comunal estava vazio.
O menino continuou andando na direção que Minerva supôs serem os dormitórios, ela seguiu-o como pôde se escondendo atrás dos móveis que apareciam. Agradeceu aos céus Tom estar tão concentrado em algo que ela não poderia propriamente supor o que - e esperava encontrar as resposta seguindo-o -, pois o jovem deixou a porta para se fechar sozinha, permitido que Minerva entrasse instantes depois sem ser percebida.
Seguiu-o por um corredor que pouco se diferenciava dos corredores das masmorras até que ele subiu por um lance de escadas e chegou a uma porta, aparentemente seu quarto.
Minerva percebeu que dessa vez Tom fecharia a posta assim que terminasse de passar, e quando ele empurrava a porta displicentemente com o pé, após passar, ela entrou correndo de uma forma ágil como só um gato conseguiria, e se escondeu embaixo da primeira cama que viu.
Ali de baixo viu Tom parado no meio do quarto, e ficou preocupada se ele desconfiaria de sua manobra audaciosa e impensada. Céus, como ela sairia de lá agora?
Bem, eram férias de final de ano, não havia real problema em ficar ali, e afinal, não era como se Riddle fosse um robô, em algum momento ele teria que pelo menos sair para comer, e ela aguardaria esse momento, sem problemas aparentes. E se fosse pega, bom, ela era um gato, pessoas não desconfiavam de gatos. Ou pelo menos ela esperava que não.
Porém, o rapaz parecia apenas concentrado em algo que ela não podia ver, não se virou em nenhum momento para o lado da cama na qual ela estava. Minerva agradeceu o tamanho do quarto e a escolha de sua cama. Por ser longe do local no qual Riddle se sentou, se ela ficasse mais para a beira da cama conseguia enxergar perfeitamente bem o que ele fazia. Ajustou as orelhas, ele parecia estar falando sozinho.
- … enganar aquele idiota. Odeio pessoas desesperadas por amor - ele riu em escárnio enquanto retirava do bolso os pergaminhos e o frasco de tinta, que Minerva havia visto logo mais cedo na primeira vez que entrara no salão comunal da sonserina.
Para a total surpresa dela Riddle sentou no chão, e fazendo a mesa de cabeceira como mesa, se prôs a costurar os pergaminhos em maços dentro de uma capa de livro com um ar típico de diário, havia inclusive uma data na frente.
Aquilo simplesmente fazia menos sentido que qualquer outra coisa. Na verdade, o sentido era tá óbvio e até ridículo que ela simplesmente não conseguia compreender porque de toda aquela cena com o centauro na floresta se era só aquilo que Riddle queria fazer, se tornar imortal através de suas memórias.
Pergaminhos de centauro são feitos através de um ritual muito secreto, ninguém tinha idéia de como, apesar de se saber que eram feitos com a crina das centauros fêmeas na época do cio. Contudo, haviam discordâncias quanto a isso ser ou não uma superstição. Fosse o que fosse, pergaminhos de centauros eram raros porque eles odiavam compartilhá-los, no geral os que iam parar no mercado bruxo era contrabandeado, ou conseguido da mesma forma que Riddle, sendo produto de troca não necessariamente seduzir um centauro sexualmente.
O mais relevante e importante em pergaminhos de centauros eram a sua durabilidade. Talvez não só durabilidade como resistência, o que fosse escrito neles provavelmente não sumiria por eras inteiras, por isso os centauros sabiam perfeitamente bem de suas tradições o tempo não as atacava com traças, manchas ou destruição, porque não importava a condição, aqueles pergaminhos resistiriam firmes e fortes, carregando com eles tudo que seus donos possam ter escrito.
Claro, usar esse tipo de pergaminho na aparente construção de um diário significava ter suas memórias eternizadas, algo que muitos humanos, bruxos ou não, sonhavam ou almejavam. E ainda assim, isso não fazia sentido algum para Minerva, que olhava simplesmente chocada com todo o cuidado que o rapaz tinha. Não poderia ser só isso, podia? Alguém tão maníaco e doentio não podia ser simpático ao ponto de deixar um terceiro anista da casa rival esconder algo num armário, depois seduzir um centauro e usá-lo sem sentimento algum para depois costurar um diário. Onde estava toda aquela maldade e loucura que ele presenciara mais cedo no salão comunal e depois na sala de Slughorn?
No final, seria Tom Riddle apenas um menino desvirtuado e ainda assim simplesmente humano?
Minerva se sentiu ridícula. Passara anoite inteira seguindo um sonserino partindo do conceito de que eles eram sempre os vilões vira cenas aleatórias da vida de uma jovem e achava que já podia julgá-lo perfeitamente bem sem saber se ele era ou não culpado de um crime. E agora estava ela ali, escondida, ridícula em seu canto, mais longe do que já estivera de descobrir o mistério dos ataques a nascidos trouxas. Grande investigadora ela era, não sabia seguir uma pista que fosse. Decidiu naquele momento que sua vida de investigadora felina morria ali.
Ficou por um tempo interminável apenas deitada lançando eventuais olhares preguiçosos na direção do sonserino, que parecia realmente concentrado em fazer um trabalho perfeito com seu diário. E assim a consciência de Minerva foi vagando até ela entrar em um estado de sonolência descontraído.
Não soube por quanto tempo sua consciência vagou para algum lugar distante e remoto até um barulho inesperado ser feito tão próximo dela que acordou de vez com um pulo assustado, pondo-se de pé com todos os pêlos eriçados.
- Riddle! - disse uma voz imperiosa.
- Avery - comentou Tom distante, Minerva reparou que faltavam poucas folhas para ele terminar o serviço, parecia criticamente satisfeito.
- Eu prec…
- Agora não. Estou ocupado - cortou Tom friamente
- Ora, e eu com isso?
Tom ergueu os olhos do trabalho, encarou Avery de uma forma que Minerva achava ter se tornado bastante conhecida. Mesmo depois de chegar a conclusão que Riddle era apenas um menino desvirtuado e cheio de problemas, aquele olhar deu a ela um arrepio pela espinha, de novo.
Aproveitando que Avery exigia todas as tenções para si ao entrar pelo quarto falando qualquer coisa que a animaga tinha a nítida impressão de como terminaria, ela saiu pela porta que ele felizmente deixara aberta.
Quando chegou ao salão comunal olhou rapidamente para os lados, e vendo que se encontrava completamente sozinha, abriu passagem pela entrada.
Correu, e dessa vez disse a si mesma que nada a deteria de chegar até o dormitórios grifinórios, contudo, sentiu uma necessidade Urgente de passar no banheiro. A noite havia passado todo praticamente e um leve brilho arroxeado podia ser visto no céu, anunciando que logo o sol nasceria, e ela não fora no banheiro desde tarde. Sinceramente, se recusava a uma forma tão bizarra de se aliviar como na forma felina. Preferia fazer isso à forma humana.
O primeiro banheiro que se lembrou foi o do segundo andar, correu para lá na forma felina, por sorte a porta estava apenas encostada, e com seu corpo ela conseguiu abri-la, porém, o banheiro não estava vazio como ela previa. Uma menina chorava apoiada na pia, seus grossos óculos caindo pela ponte do nariz, aparentemente ela estava distraída de mais com seus próprios problemas para notar o gato na porta. Minerva observou-a melhor e reconheceu-a como a tal Myrtle-Que-Geme, como chamara a outra corvinal.
Seu espírito de monitora sentiu que deveria ficar ali e descobrir o que haviam feito com a menina para deixá-la daquela forma. Será que… Será que ela estivera tão preocupada com coisas grandiosas como o mistério de Tom Riddle e os ataques aos nascidos trouxas ao ponto de ter renegado sua função primordial como monitora, proteger os alunos dos injúrios?
Quando viu aquela cena, Minerva deveria ter interrompido de qualquer forma aquela cena grotesca dos três jovens, e agora ali estava o resultado, uma aluna chorosa e talvez humilhada no banheiro.
Com um suspiro dramatical, Myrtle soluçou, e em seguida se olhou no espelho, analisando-se. Passou a mão pelo cabelo e depois se concentrou em analisar os óculos. Minerva se lembrou com desgosto o que a outra menina prometera fazer com o objeto.
- Olive disse que meus óculos são ri-ridículos - disse ela para o próprio reflexo com um soluço. - M-mas eu n-não os acho t-tão feios. S-são só o que p-pai pode pagar.
O choro dela aumentou. Minerva se irritou automaticamente com aquele escândalo, por céus, eram só óculos!
- Meus ó-óculos não sa-a-ã-ão feiooos - a menina uivava de tristeza, e Minerva, com seus ouvidos sensíveis, sentiu-se atingida por uma faca nos ouvidos, cortando-os e dilacerando.
Observou mau humorada a garota histérica correr para um dos boxes e o choro em forma de ladaínha continuar, e ela só falava da feiúra de seus óculos.
Minerva bufou, aquilo era tudo que ela menos precisava. Se preocupar com alguém achando que algo ruim aconteceu e a pessoa só reclamar de umas porcarias de óculos grossos. Tanta coisa que os outros dois pareciam ter feito com ela naquela noite e ela foi chorar no banheiro porque seus óculos não eram bonitos, francamente.
Andando a contra gosto e agora terrivelmente apertada ela resolveu que dessa vez, de fato iria direto para o dormitório e faria qualquer coisa que tivesse de fazer lá. Inclusive, dormir. Céus, como ela estava cansada. E que noite inútil. Descobriu apenas que os instintos felinos estavam longe de serem os melhores, talvez ela devesse ter se transformado em um cachorro. Pensou irônica se imaginando abanando o rabo e colocando a língua para fora como uma pateta.
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