Amor é uma desculpa - Capítulo 12

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[Avançando]

Após estar completamente vestido, ele se levantou, procurou as chaves, os documentos e o dinheiro. Era tudo que precisava. Deixaria o celular em casa porque era só um peso a mais, e qualquer coisa, sabia que Harry tinha o dele.

O pseudo-emo poderia se passar naquele dia por uma pessoa semi-normal, se não fosse a franja anormalmente longa. Ele estava parado perto da porta encarando algum ponto perdido do quarto, não pôde deixar de reparar que assim, sem muita maquiagem, o outro realmente ficava parecido com o cara do cartaz do salão.

“Vamos.” disse Draco com a mão na maçaneta da porta. Harry levantou os olhos e viu duas orbes acinzentadas o encarando, a centímetros do rosto, nariz quase com nariz. Como estava parado do lado da porta, quando o surfista fora atrás da maçaneta, acabara semi-prendendo o outro contra a parede, estavam muito próximos, claro que eles perfeitamente ignoraram que a porta podia ter sido aberta com a mão esquerda, o que evitaria aquela proximidade toda, e que mesmo com a mão direita, dava perfeitamente bem para Draco abrir a porta sem “trancar” Harry com o corpo. Mas quem liga para este tipo de detalhe? Os dois pelo menos ignoravam tais superficialidades com prazer.

Draco sentia a respiração de Harry, assim como este quase podia experimentar os lábio de Draco, olhos se perdiam um no outro, verde focalizava nariz, bochechas, boca, e voltavam para os acinzentados, que perscrutavam da mesma forma o roto dos verdes, como se cada um quisesse decorar a fisionomia do outro, e os lábios… em um momento ambos encaravam um o do outro, indecisos, um momento de suspense, quem daria o primeiro passo?

Draco fez um movimento, Harry fechou os olhos, esperando o contato, estava nervoso, ansioso, também queria aquilo, precisava, desejava…

“Vai ficar aí parado?” a voz arrastada soou a esquerda do menino. Ele abriu os olhos apenas para constatar o óbvio, Draco não estava mais a sua frente, prestes a beijá-lo, estava com a porta aberta esperando-o, se sentiu a criatura mais burra do mundo, devia ter parecido ridículo, olhos fechados, boca preparada para o beijo… Idiota!

Corou até os confins da alma e seguiu o outro pelo corredor, como pudera ser tão estúpido?

Draco não sabia o que passara por sua cabeça, estava prestes a beijar do nada, de novo, aquele emo maluco. Mas graças aos céus dessa vez sua noção fora recuperada a tempo, rapidamente transformou o movimento inusitado na abertura da porta, fora quase. Não ia mais se deixar levar por essas maluquices, ele era Draco, não um retardado mental que não pode se controlar.

Ainda assim, não conseguiu - como geralmente fazia - arranjar alguma piadinha com a pose que o outro ficara, encostado contra a parede, corpo levemente inclinado para a frente, olhos fechados, lábios entreabertos. Há um tempo atrás ele sabia que teria achado ridículo, mas naquele momento se sentia abalado de mais para ironias. Melhor ir para a festa de uma vez.

oOo

Ao chegarem na boate, a encontraram razoavelmente cheia, pessoas dançavam ao som de hip hop e as mesas estavam apinhadas de rodinhas de conversa. O clima ainda não esquentara completamente, já que quando a noite avançasse, nas mesas teriam unicamente os que não se agüentaram até o fim, casais e desmaiados. A pista estaria tão cheia que dançar seria o mesmo que ser levado pela multidão. O que de forma alguma era algo completamente ruim.

Draco procurou a figura de Pansy por todos os lados. Tudo bem que na verdade não realmente queria encontrá-la, mas tinha educação suficiente para cumprimentar a aniversariante assim que chegasse, afinal, seria terrível alguém avisar a menina que ele chegara e nem fora atrás dela. Harry estava bem atrás dele e tinha uma cara um tanto quanto enfezada.

“Só vai tocar esse tipo de música a noite toda?” pergunto passado um tempo em que permaneciam parados em frente à pista.

“Claro que não.” Respondeu o outro sem desviar os olhos de sua busca “Obviamente em algum momento vai tocar funk, e se não me engano, deve tocar alguma coisa de axé.”

Harry fez uma careta. Que maravilha de noite seria essa. Pelo menos ele não pagara a entrada - já que Draco o “obrigara” a vir, era mais do que lógico que fosse ele quem pagasse tudo.

Harry se virou um pouco para analisar o ambiente: A boate tinha qualquer coisa de um tom azul predominante, como se tudo fosse meio azulado, fumaça provinda de gelo seco por todo canto, luzes coloridas piscando, pessoas ainda dançando não tão animadas, separadas em grupos que iam desde grandes a pequenos. No fundo, num local mais elevado, havia um DJ, que era para Harry só um ponto se movendo animadamente enquanto mixava as músicas. Ao lado da pista havia um bar, no qual Harry e Draco poderiam unicamente comprar refrigerante, visto que as pulseiras laranja berrantes no pulso deles indicavam que eram menores de idade. Lá vendiam aperitivos também, a uma preço módico de três vezes o valor real da comida.

“Dracooooo!!!” uma voz histérica pôde ser abafadamente (graças a música) ouvida, em seguida Harry viu apenas Draco reagindo como se estivesse levando um choque pelo corpo. Pansy o abraçava bem abraçado. “Draquinho, você veio, que maravilha!” Se desvencilhando do menino, o segurou pelo pulso e começou a puxá-lo pela pista, Harry vagamente pôde ouvir “Vamos, vamos! O pessoal está logo ali!”
Ficou um instante sem saber o que fazia, deveria seguir Draco, certo? Mas sua indecisão não durou muito: com a mão livre, Draco agarrou a blusa dele e o puxou junto. Quase caiu desequilibrado pelo puxão, mas seguiu os outros dois. Pensou em protestar e pedir para ser solto, até chegou a abrir a boca em protesto, mas desistiu, sabia que só arranjaria briga e que enfim, o outro só estava fazendo aquilo porque devia estar desesperado.

Chegaram a um grupo de pessoas, as quais Harry reconheceu uma parte como os que surfavam com Draco. Cumprimentos, blá blá blás, piadinhas, abraços, beijos, tapinhas. Ele estava completamente excluído. Draco fechava a roda a sua frente, Pansy grudada no braço do surfista parafinado. Ninguém se dava ao trabalho de introduzir Harry, apresentá-lo, e ele mesmo não sabia se queria que isso fosse feito.

Draco tinhas as mãos no bolso, devia estar incomodado com o contato da menina, porém, conversava animadamente e parecia interagir perfeitamente bem com o grupo. Harry ficou sem jeito, não sabia o que fazer, deveria estar parecendo um pateta ali parado perto do grupo, como alguém que quer fazer parte mais é ignorado.

Foi quando começou a tocar a mais nova música da Avril Lavigne, uma que se assemelhava a hip hop, ah, Harry não resistiu, gostava muito da música, além da Avril ser per-fei-ta!

Começou com a perna acompanhando o ritmo da música, a boca se movimentando como se tivesse cantando a letra, tímido.

Olhou em volta, viu que várias pessoas se levantavam das mesas e se punham a dançar animadas, sorriu com a empolgação de uma menina ali por perto. Sua perna começou a se mover mais, o corpo a balançar de uma lado para o outro, para frente e para trás.

Chegou o refrão.

Ele deu um pulo, tímido, mas não podia evitar… a música era simplesmente perfeita, animada, viciante. Cantou a altos brados o refrão, e de repente, antes de avaliar direito, já estava no meio da pista com as outras pessoas, cantando e dançando, se divertindo. A menina que parecia ser a mais empolgada sorriu para ele, que respondeu também, dançando e cantando. A compreensão nasceu entre eles, ambos amavam a música e estavam felizes dançando.

A batida original da música começou a se misturar com uma batida estranha, e aos pouco uma nova música foi entrando, se misturando, e enfim, dominando. O DJ era bom, e Harry estava agora empolgado, não queria parar de dançar. A música era um hip hop qualquer, agitado, cheio de bundas rebolando ‘chake the ass’ e outras coisas sem conteúdo ou sexualmente baixas de depravação da mulher… e daí? Harry queria apenas dançar, e estava se divertindo.

Imitou um rapper dançando, ou os rappers que ele via na MTV, a menina empolgada o imitou, sorriram. Ela parecia divertida, devia ser alguém legal de conversar. Mas ele não queria conversar, queria requebrar as cadeiras, não importando quem estava por perto.

Não que ele fosse um dançarino nato, ou alguém que realmente gostava de ir para o meio da pista, mas…

Uma mão o puxou pelo cangote, ele se sentiu atordoado por um momento. Se virou na direção do seu ‘atacante’ e encontrou duas orbes cinzentas aborrecidas.

“O que você está fazendo?” perguntou o outro no ouvido de Harry, parecia irritado.

“Er…” ele fez que estava pensando na resposta “Dançando, quem sabe…?”

“Você não veio aqui para dançar, será que tenho que te lembrar disto?”

“Isso é uma boate! E você parecia estar lá se divertindo com seus amigos, não precisava de mim! Me deixou ignorado e fora do seu grupinho, então qual o problema de eu me divertir um pouco também?” Harry gritou, com raiva. Mesmo assim não teve certeza de que Draco ouvira tudo com a música tão alta.

Ainda que não tivesse ouvido perfeitamente bem cada palavra, Draco havia sim entendido. Aquele olhar, o jeito ressentido com que o outro parecia proferir as palavras. Então ele também sentia falta de estarem só os dois, sem mais ninguém? Ou será que só estava reclamando por reclamar? Por via das dúvidas Draco se afastou, não precisava daquilo, não precisava…

“Vem, vou te apresentar pra todo mundo.” disse por fim. Harry não entendeu por completo, captou a maior parte por leitura labial, mas seguiu o outro em direção ao grupinho de patys e patos¹ que dançavam em uma espécie de rodinha.

Draco primeiramente deu um assovio bem alto, que pelo menos chamou a atenção da maior parte do grupo.

“Esse aqui é o Harry, estuda comigo!” gritou o mais alto que pôde.

Algumas meninas vieram cumprimenta-lo com um beijo de cada lado do rosto, um ou dois rapazes estenderam a mão para ele, recebeu um tapinha nas costas e alguns acenos de cabeça. Sorriu, mas agora a vergonha novamente caíra sobre ele. Não teria coragem de dançar novamente no meio do povo. Apenas acompanhou os meninos que se balançavam de um lado para o outro com passinhos curtos, tentava manter uma espécie de sorriso no rosto. Pelo menos agora Draco estava ao seu lado…

Foi quando se deu conta. “Ué, cadê a Pansy?”, olhou em volta e não a viu em lugar algum. Até porque, se estivesse por ali, provavelmente estaria grudada no surfistinha arrogante. Quando estava dando graças aos deuses pelo sumiço da criatura, ela resolveu aparecer ladeada por dois caras vestidos de garçons que traziam caixas de cerveja de baixo dos braços, um terceiro vinha atrás com uma bandeja cheia de garrafas, frutas e um copo de fazer drinks.

Harry, ainda dançando toscamente, observou a trupe se aproximando, era impressão dele ou estavam trazendo bebidas alcoólicas para menores de idade?

“O tio da Pansy é o dono da boate.” disse Draco, como que adivinhando a cara intrigada com que Harry observava as bebidas serem postas na mesa próxima.

Ele se admirou com a informação enquanto via alguns jovens se aproximando para pegar latinhas de cerveja e distribuir pelo grupo. Uma chegou a sua mão, oferecida por um rapaz negro, Harry não se lembrava do nome dele, assim como não lembrava o de praticamente ninguém.

“Aceita uma? Ou você é que nem o Draco, e não bebe?” falou com uma voz irônica e debochada, Harry se perguntou se era moda entre os amigos de Draco agirem dessa forma. Porque o rapaz usava o mesmo tipo de tom que Harry só havia encontrado no loiro até aquele momento.

Antes de aceitar a lata, Harry lançou um olhar para Draco, que não se abalara com o comentário ácido do amigo e apenas continuou na sua.

Harry nunca havia bebido. Quer dizer, experimentara uma vez cerveja, mas achou meio ruim. Só que o olhar desafiador e irônico do negro fez com que ele pegasse a latinha e a entornasse um grande gole de uma vez.

“Pois eu bebo. Obrigado.” disse de forma fria. O rapaz sorriu.

“Vejo que seu amigo não é tão cagão quanto você.” gritou o outro para Draco, que apenas levantou a sobrancelha num cínico tom de deboche, ainda assim, não respondeu nada.

“Blaise.” disse o moreno estendendo a mão.

“Harry.” respondeu.

Após um breve aperto de mão, o menino, que se chamava Blaise, virou e se misturou com o resto das pessoas. De fato, cerveja tinha um gosto muito ruim, mas para não fazer feio nem para ouvir comentários de Draco, ele bebeu aquela latinha até o fim.

Depois de terminar de beber, começou a tocar um funk. Harry se recusava a dançar tal música, pelo menos aquela, tão chata e cheia de baixaria, por isso pediu licença e foi se sentar na mesa. Draco pareceu que iria impedi-lo, ou segui-lo, mas uma das meninas da roda se aproximou e pareceu puxar assunto enquanto rebolava de um lado para o outro, e isto o deteve.

Sentado na mesa, Harry observava atento - posto que não tinha nada melhor para fazer - o barman fazendo as bebidas. Passado um tempo ele tinha decorado o processo: uma ou mais frutas, bebida da preferência, açúcar, fecha, agita, põe no copo, canudinho. Simples e eficiente, não devia ser lá muito difícil ser barman afinal.

As frutas pareciam bonitas, bem bonitas na verdade. Harry gostava de amora, gostava porque era meio ácida, mas doce ao mesmo tempo. Será que vodka era bom? Várias pessoas pediam os drinks com essa bebida… talvez ele devesse experimentar. Porém, seu olho passou pela garrafa que tinha escrito: Licor de cacau. Era impossível, tinha que experimentar.

“Moço… Moço!” chamou ao barman “Posso experimentar um pouco desse aqui?” perguntou apontando para o licor.

“Claro.” o homem pegou a garrafa e pôs um pouco em um copo, ofereceu a Harry e se virou em seguida para duas meninas que vinham pedir mais alguma coisa.

Harry experimentou, fez uma careta assim que a bebida queimou por sua garganta, mas gostou.
Depois de terminar o licor, resolveu que era hora de se aventurar em outras coisas, afinal, cerveja ele não gostava, mas se licor era bom, aquelas bebidas com frutas não deviam ser tão ruins assim…

Uísque era bom, mas meio seco, caipirinha era delicioso, caipifruta de amora era bem bom, de maracujá era delicioso, mas de morango… ah, a de morando merecia ser bebida mais de uma vez, além do licor, o de canela era bem legal, o de menta saboroso, e tinha o de…

“Chega, né?” perguntou uma voz fria, e aparentemente zangada, impedindo Harry de completar o movimento de levar o copo à boca.

“Draco!” ele exclamou feliz. “Você por aqui?” tentou novamente levar o copo a boca, mas foi impedido, o outro tomou de sua mão a bebida e a largou sobre a mesa, parecia irritado.

“Não preciso que você fique bêbado e me faça passar vergonha.” ele ainda segurava o pulso do menino, que começava a ficar incomodado.

“Me solta! Deixa de ser corno enrabado, se diverte um pouco, dança!” disse ele se livrando do aperto e rumando em direção à pista, de repente, o mundo pareceu um pouco mais colorido, e ele girava, se sentia quase como flutuando… e a sensação de dançar… o que estava tocando mesmo? Funk, axé, hip hop? Ele nem sabia mais, estava feliz, estava se divertindo.

Obviamente saíra de perto do grupo de Draco e seus amigos, voltou pra pista, o outro que se virasse com aquela porcaria de maníaca viciada nele, o momento era de dançar, não de se preocupar.

Foi quando Harry viu a menina do começo da festa sentada em uma cadeira, não parecia estar achando a música divertida, e Harry lembrou do sorriso da menina, ela não podia ficar daquele jeito, amuada, não, estava errado.

Se aproximou dela, sorriu. Ela hesitou, mas aparentemente se lembrou também de quem ele era, Harry estendeu a mão, novamente ela pareceu avaliar, mas no fim cedeu, ele a puxou para a pista.

“Eu não gosto de axé.” disse ela no ouvido dele.

“Eu também não!” respondeu, e riu, afinal, pouco importava a música. A garota sorriu de volta, meio tímida.

Harry dançou imitando a coreografia das pessoas a volta, claro, seus reflexos eram bons… mas não para a coreografia da dança, por isso se atrapalhava. Não sentia vergonha nenhuma, na verdade, nunca se sentira tão livre. E a garota começou a achar engraçado, dançou também. Depois, começaram a inventar sua própria dança, faziam seus próprios gestos e passos, que pretendiam ser parecidos com o que era cantado; e riam, Harry não percebia como sentia falta de rir assim, seu rosto estava até doendo de tanto sorrir, ele estava feliz… estava?

Começou o funk, batidão, pesado, dos proibidos, foi só o que precisava para a menina grudar nele, rebolando, ele acompanhou, desceu até o chão, se esfregou, sentiu, dançou requebrou e tudo o mais possível. De repente, se deu conta de como a menina era atraente, pequena, magra, bonitinha, com os cabelos castanhos claro, o nariz fino… por que não? Avaliou a possibilidade, não tinha nada a perder tinha? Nunca havia ficado com ninguém em uma festa, mas não ia morrer se experimentasse, né? E assim podia provar pra si mesmo que as coisas que Draco provocava nele eram só besteiras, coisas da imaginação, o que Harry queria era uma namorada assim, pequena, fofa, feliz, um relacionamento simples, não é o que todo jovem deseja?

De repente - de repente para Harry que havia se perdido uns momentos filosofando sobre ir ou não ir até o fim - a garota apareceu com um cigarro na mão. Harry não propriamente gostava do cheiro do cigarro, mas não tinha nada contra. A jovem sorriu para ele.

“Se incomoda?” perguntou apontando para o cigarro. Harry deu de ombros, para ele não fazia diferença. “Toma, quer um pouco?” perguntou oferecendo a Harry o mesmo que estava em sua boca. Ele hesitou por um instante, mas não por um instante lá muito grande, afinal, aquela era uma noite de experimentar, certo? Aceitou o cigarro.

Ele não ouviu o barulho.

Levara um tapa na mão, o cigarro voara longe, caiu no chão, a mão doeu, olhou para o lado, viu Draco, parado, zangado, cheio de fúria. Seus olhos se encontraram por um segundo, Harry sentiu vergonha, Draco pareceu desprezá-lo.

“Ei cara, o que cê acha que tá fazendo?” a garota gritou inconformada “Quer que eu chame o segurança, seu babaca?”

“O que você acha que está fazendo seu emo idiota!” gritou Draco ignorando a menina, falava apenas para Harry.

“Fazendo o quê, ein?” gritou de volta, não ia ficar ouvindo sermãozinho de um arrogante filhinho de papai.

“Bebendo que nem um estúpido, e agora fumando! Quer se matar?! Por que não corta logo os pulsos, seu imbecil!!?”

“Cara, se controla!” gritou a menina, tentando empurrar Draco que estava se aproximando mais a cada segundo de Harry. Enfim o loiro pareceu notar a garota, fuzilou-a com o olhar. Ninguém que fumava e oferecia cigarros merecia o mínimo de respeito dele.

“Hey, calma, tá tudo bem, deixa eu conversar com ele, a gente se entende.” disse Harry no ouvido da menina, sentiu o cheiro do cabelo dela, era bom, mas não era tão bom… tinha algo que era melhor não tinha? O que era…?

A garota pareceu relutar, Harry tentou sorrir, a afastando dali de perto, enfim ela cedeu. “Tá tudo certo.” gritou ele enquanto ela se afastava com um olhar desconfiado, provavelmente, ficaria assistindo tudo de longe.

“Tudo certo uma ova!” voltou a gritar Draco.

“Me deixa em paz! Minha vida não te pertence só por causa do nosso acordo! A vida é minha!” gritou ele, começava a ficar enfadado com a briga, queria só dançar… Mas Draco não queria, segurou-o pelo braço.

“Você tem bosta na cabeça? Aonde acha que vai chegar bebendo e fumando? Se quiser te empresto uma gilete, cortar os pulsos é mais inteligente que morrer de câncer ou cirrose!”

“Não… ENCHE!” disse sublinhando cada letra pronunciada. “Você não é nada meu, não passa de uma babaca arrogante. Por que se importaria com alguma coisa? É só um namorado fajuto de contrato, só sabe brincar comigo… idiota!” Ele não sabia quem era o idiota, era ele mesmo ou era Draco? Se sentiu triste, vazio, a música parecia apenas um empecilho, não queria mais dançar, queria chorar. Sua honra o impediu. Não ia chorar, nunca iria chorar! Não era uma pessoa estúpida, não ia se humilhar, jamais. Desvencilhou o braço do aperto frouxo.

A pergunta de Harry fora como um soco no estômago de Draco. Por que? Por que ele se importava? Por que se preocupava? De que lhe interessava se o outro bebia, fumava, ou estava quase agarrando a menina? A garota era até bonita, porque ele tinha ido ali atrapalhar? Por que? Ele nunca fizera isso com nenhum de seus amigos… e aquele emo nem amigo de verdade era. Estava tudo errado, o mundo estava errado, as coisas estavam fora do lugar.

Era errado ele se pegar sonhando com aquele idiota, era errado ele gostar de provocar o idiota e sentir prazer nisso, era errado ele sentir falta, se preocupar, deixar de dormir pensando nele, era errado enxergar o outro num cartaz idiota, era errado, estava tudo errado, seu coração, seu coração era o mais errado, porque acelerava, parecia parar, dava um salto ou fazia coisas estranhas, assim do nada? Por que? Por que ele se importava?

Andou na direção de Harry novamente, o puxou pelo braço, precisava tirar satisfações, não era assim, não devia ser assim, era culpa dele.

Harry estava indo em uma direção qualquer na multidão, nem pensava direito, só sabia que estava irritado, fulo, com os sentimento a flor da pele, quando novamente uma mão agarrou o seu braço. Se virou, pensou que teria vontade de socar aquele loiro sem graça maldito. Seus olhos zangados se encontraram com as orbes cinzas, hesitantes, confusas, estranhas…

Harry pulou em cima.

Mas não foi para brigar, dar um soco ou qualquer coisa do tipo, ele agarrou Draco pelo pescoço, beijou-o, com força, vontade, desejo. O outro pareceu ficar chocado por uns instantes, mas logo passou os braços pela cintura de Harry, o puxou para mais perto, queria, também queria, queria muito. Harry jogou mais ainda o peso sobre ele, que escorregou, sentiu que esbarrara em algo maciço, algo como uma cadeira, caiu sentado no chão, Harry sobre ele.

Foi então que o mundo fez sentido. Tudo rodava numa velocidade frenética, a música as pessoas, as luzes, mas enfim a humanidade fazia sentido. Ele entendia de tudo. Tudinho. Era o Deus do universo. Claro, era lógico.

Harry desceu os beijos para o pescoço de Draco, que soltou um gemido abafado pela música. Mas aquilo foi suficiente para ele com os olhos semi-cerrados enxergar a espécie de roda que se formava em volta. Não podia fica ali. Não, precisava de privacidade, urgente.

“Harry… Harry!” com um muxoxo o moreno desgrudou os lábios de Draco, o encarou com um olhar nada santo que fez o loiro engolir seco, será que agüentaria? “Aqui não… vamos… pra minha casa.” quase não conseguia falar, exalava vontades, e Harry respondia, não era mais um emo, era um menino… um menino fatalmente atraente.

“Claro.” outro sorriso daqueles e Draco não saberia se agüentaria a sua própria vontade.

Saíram da boate correndo, de mãos dadas, as pessoas os encaravam, mas eles não se importavam. Draco pelo menos não dava a mínima, Harry ria, se divertindo. Fez sinal para o primeiro táxi que viu, Harry passou os dedos de forma provocadora pelo braço dele, entraram, ele só teve tempo de dizer o endereço da própria casa, quando seus lábios foram tomados, até ensaiou um protesto, mas ele foi perdido no tempo e no espaço.

Quando deu por si, sua mão já explorava a pele do outro por debaixo da blusa, sentia o corpo macio, outras mãos começaram a explorar suas costas, puxando a blusa, apertando a pele, beijos foram perdidos por todas as áreas superiores do corpo. Draco teve a impressão de ouvir o motorista falando alguma coisa, mas para ele pouco importava.

Percebeu que chegou quando o carro parou. Mas não sabia se havia parado há muito ou há pouco tempo; Harry não percebera, e o continuava atacando. Tentou tirar o dinheiro para pagar o motorista, mas as mãos incautas do outro não tornaram a tarefa fácil, Draco riu, como há muito não fazia, estava extasiado de mais para sentir vergonha ou ficar zangado.

Tirou uma nota de cinqüenta, para uma corrida que não passava de vinte, e saiu do táxi sem se importar com o troco. Entrou no prédio, risos. No elevador, mais amassos, contra as paredes de ferro, contra o espelho. Câmeras de vigilância eram o menos importante.

Abriu a porta de casa, Harry o segurava por trás, a mão brincando próxima ao cós da calça. Draco riu, quem imaginaria que Harry fosse tão soltinho assim quando bêbado?

Quando a porta se abriu, ele se virou de frente, capturou os lábios do outro, distraindo-o da tarefa de provocar suas regiões inferiores. Entraram estranhamente embolados, esbarraram na mesa da sala, o vaso sobre esta se desequilibrou e rolou, só não caiu porque ficou preso na cadeira, mas fez um bom barulho, eles afastaram os lábios por um instante para rir, mas só um instante. Ainda andando embolados e grudados, foram até o corredor. A idéia original era irem até o quarto, mas em um momento Harry se jogou com um pouco mais de força sobre Draco, e este foi buscar apoio na parede, acabou dando de costas com a porta do banheiro, que não estava fechada. Caíram os dois no chão, Harry por cima.

Draco tentava a todo custo tirara aquela blusa horrível do outro enquanto sentia os beijos no pescoço e as mãos passeando por sua calça, chão frio era algo que ele nem ao menos percebeu quando suas costas enfim nuas foram postas contra os azulejos. Não precisava da maciez de uma cama, o chão duro pouco o importava, concentrava-se no prazer, nos lábios, na pele, no gosto do outro, Harry estava meio que sentado em cima, o provocando. Gemidos nada discretos saiam dos dois, algumas marcas Draco sabia perfeitamente que não sairiam pela manhã, mas ele não ligava, não mesmo.

Nada naquele mundo o iria impedir de enfim realizar seus mais insanos sonhos guardados à sete-chaves em um local inóspito da mente, não.

Nem quando uma mordida um pouco mais forte de Harry o fez abrir os olhos por um segundo, fazendo-o ver por sobre o ombro do outro a figura de Maria parada à porta com um olhar de choque o deteria. Não importava, logo ela iria embora. Tinha grandes chances de que pela manhã ligasse para os seus pais avisando o que vira, e eles talvez voltassem de viagem só para…

“SAI!” gritou em desespero, voltara a ser dono de si. A consciência dos fatos o acertando com uma porrada. Tentou levantar, mas o outro o forçou a voltar a ficar deitado. “Eu disse SAI!!!” gritou de novo e empurrou Harry de sobre si, o outro caiu no chão estatelado, no rosto um olhar de incompreensão, ressentimento, mágoa. Draco fraquejou, sentiu como se partissem algo dentro dele em milhares de pedaços. Mas não podia, não, tinha que seguir até o fim. “Maria, o que você está fazendo aqui?” perguntou para a empregada ainda parada à porta. Harry levou um susto, virou-se bruscamente, viu a serviçal em choque atrás de si. Harry corou como um pimentão maduro, queria se esconder, se enfiar embaixo da terra e sumir para todo o sempre.

“Se… senh…” a mulher gaguejou, parecia não estar achando a fala. Draco estava branco como papel, havia em seu rosto uma sombra homicida. “O que é isso que está havendo?” perguntou por fim, sua voz parecia apressada e prestes a falhar.

“Isso o que Maria?” perguntou ele, queria que sua voz soasse fria e indiferente, mas estava quase gritando.

“Senhor Draco…!” exclamou ela chorosa.

“Foi só um acidente, eu caí, pronto, está tudo bem. Você já pode ir.” claro que era uma mentira deslavada do tamanho do Everest, mas era o que ele podia dizer. Nada explicaria o fato de estar sem blusa, Harry com a calça semi-aberta, as marcas de unha e chupão ou ambos descabelados e suando. Ele tinha certeza que Maria estivera em pé ali tempo suficiente inclusive para ver algumas daquelas evidências sendo fornecidas.

De repente, a noite perdeu todo o seu brilho, o chão estava incrivelmente duro e frio, e tudo que ele queria era dormir e acordar daquele pesadelo, não podia estar acontecendo, de jeito nenhum…


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