Amor é uma desculpa - Capítulo 5

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[Iniciando]

Mas uma segunda-feira se iniciava, Harry tateou em busca do despertador… sem querer acabou esbarrando no objeto e este foi ao chão, fazendo mais barulho ainda.

“Ai ai, eu odeio acordar cedo, eu odeio não conseguir desligar o despertador, eu odeio ser míope porque eu acordo cego e não posso dormir de óculos, eu odeio meu cabelo que desperta tão feio, como querendo me dizer: vais ter um dia de merda!” recitou Harry meio sonolento e rabugento, ainda sem se levantar da cama. “Cara… isso daria um ótimo texto pra colocar no meu flog…. cadê minha câmera?” disse o menino finalmente despertando por inteiro e sentando-se na cama.

Harry esfregou os olhos e bocejou, “Deviam existir mais fins de semana e menos dias úteis…” pensou ele ainda meio lento, se levantando.

oOo

Uma musica de Red Hot Chilli Peppers invadiu o quarto, Draco abriu os olhos lentamente, permanecendo ainda deitado, a hora de acordar chegara, pensou ele, logo em seguida se sentando. Devagar ele se levantou, espreguiçou os braços, alongando-os, e foi para o banheiro do seu quarto escovar os dentes.

oOo

Harry, como sempre chegou atrasado uns 5 minutos no colégio, por isso ele não pôde entrar, pelo menos não até que batesse o sinal para o segundo tempo, o que só ocorreria dali há 50 minutos. Uma junção de coisas fazia com que as segundas de manhã não fossem dias nada bons para o menino, primeiro que graças ao final de semana Harry acabava indo dormir tarde no domingo, por conseqüente ele acordava meio tarde também, chegando sempre atrasado no colégio toda santa segunda-feira e perdendo um tempo de química (na segunda Harry tinha um tempo duplo dessa aula), que era a matéria em que ele obtinha as piores notas, mas para coroar tudo, o professor de química parecia não gostar nem um pouco do menino, ele sempre implicava com Harry, piorando a situação já precária deste com a matéria. Harry sempre sabia que segundas nunca traziam nada de bom com elas.

O sinal finalmente tocou e ele foi arrastando os pés, infeliz até sua sala de aula.

“Atrasado de novo.” cumprimentou o professor assim que Harry pôs a cara pra dentro da sala “Não entendo como alguém com as suas notas pode ainda se dar ao luxo de perder uma aula inteira minha.” disse o professor se dirigindo só a Harry.

“Tá professor Severino… tá…” respondeu Harry cansado. - (Severus Snape)

Sendo que para as outras duas meninas que também chegaram atrasadas o professor apenas disse. “E vocês, Srtas. Levander e Parvati, que isso não se repita.”

Harry se jogou na cadeira que sempre sentava, ficando de cara amarrada.

“Olá Harry.” disse o menino que sempre se sentava ao seu lado.

“Oi Neville.” respondeu desanimado.

Neville era o único menino na classe pior que Harry em química, também, o garoto ia sempre se arrastando em praticamente todas as matérias, menos biologia, na qual ele sempre tirava boas notas.

“Que quê houve Harry, porque você chegou atrasado?”

“Ah, o de sempre…” disse fazendo um gesto vago com as mãos “Acordei tarde.”

“Bem, agora que a turma inteira está presente e como eu ia dizendo antes de sermos interrompidos,” voltou a falar Severino “esse bimestre teremos um trabalho em dupla valendo metade da nota.”

Quando o professor disse isso a turma inteira começou a reclamar

“Okay, vocês preferem que seja individual?”

Aí sim a turma protestou de vez, dizendo que preferiam, é claro, que fosse em dupla.

“Estou fazendo um favor a vocês, principalmente para aqueles que estão mal na minha matéria, estes devem aproveitar a chance.” disse o professor olhando para Neville e Harry. “Só que, eu sortearei as duplas.”

Novamente a turma entrou em rebuliço, reclamando que era injusto, que não podia ser assim, que não ia dar certo…

“Eu estou fazendo um favor a vocês, e ainda ouço reclamações?! O próximo que disser alguma coisa vai continuar reclamando e na coordenação!” finalmente, o silêncio completo. O professor, como toda a sua pedagogia, todo o seu charme e simpatia, sempre conseguia de modo muito sutil controlar a turma, ele era digno de um prêmio de professor mais simpático do ano…

“Mas fessor, pra quando será esse trabalho?” perguntou Levander. Para Harry, apenas mais uma menininha fresca da turma.

“Bem, se vocês não tivessem ficado me interrompendo com tantas abobrinhas, eu já teria explicado tudo perfeitamente bem.” disse o professor dando uma parada estratégica para passar os olhos por toda a classe. “O trabalho será sobre a historia do sódio, como e quando ele foi descoberto, para o quê e por quem ele foi usado inicialmente, quero um relatório de seus isótopos, isóbaros e isoeletrônicos mais famosos e em que são usados. Também quero que vocês pesquisem por que o sódio tem esse nome e o que ele significa, além é claro de me listarem seus usos e funções hoje em dia, e não adianta tentar copiar textos do google, até porque eu conheço todos os sites com o conteúdo correto. Por isso tratem de pesquisar direito, um trabalho mal explicado, ou incompleto significará uma nota muito menor.” Severino fez uma pausa para deixar que as pessoas terminassem de anotar o que ele dizia. “Vocês têm exatamente um mês a partir de hoje para fazer este trabalho. Então não me venham reclamar de prazo ou pedir mais tempo. Estou lhes avisando com um mês de antecedência.” o professor se virou para se sentar na sua cadeira, esperando de novo que as pessoas terminassem de anotar.

“Severino! Você tem alguma sugestão de aonde a gente pode procurar?” perguntou Parvati.

“Sim, mas são vocês que devem procurar sozinhos por isso.” disse ele displicentemente.

A maior parte da turma ficou com cara de idiota, pensando como iria fazer um trabalho desses, ainda por cima com uma dupla que poderia não vir a ser uma das melhores.

“Bem, agora que todos terminaram de anotar, vou realizar o sorteio das duplas.” disse o professor pegando um saco em sua mesa. “Aqui estão os nomes de todos os alunos, vou sorteá-los dois à dois, e anunciarei as duplas em voz alta apenas uma vez, por isso prestem atenção para não virem me perguntar depois.”

Nesse momento Harry não sabia o quê pensar, ele até poderia preferir fazer dupla com alguém bom em química, mas a maioria dessas pessoas já tinha um grupinho muito fechado e ele não estava nem perto de estar dentro deste, fora que ninguém iria querer de fato fazer trabalho com Harry, por isso ele achava uma certa vantagem existir o sorteio, já que fazer trabalho de química com o Neville, que era pior do que ele, não era uma boa perspectiva. Mas Harry pretendia se esforçar dessa vez, não queria ficar em recuperação final, não ia dar esse gostinho a Severino.

“…Parvati Patil e Blaise Zabini….” disse Severino anotando em seu diário mais uma dupla sorteada “Agora…” disse ele pegando mais dois papeizinhos no saco “Harry Potter e…. Draco Malfoy.”

Harry boquiabriu-se… como assim ele ficara com aquele surfistinha arrogante?! Tudo bem que o menino era uma das pessoas boas em química, um dos queridinhos do professor, mas mesmo assim, iria ser um terror ter de trabalhar com ele. Afinal, eles viviam em mundos completamente distintos, fora a arrogância e prepotência que o outro menino demonstrava.

Draco ouviu seu nome e ficou um pouco surpreso com sua dupla, ia fazer com o emozinho chorão, se aquele garoto começasse a chorar na frente dele ou ficasse de frescura para fazer o trabalho dizendo que estava deprimido Draco pretendia dar-lhe um tabefe para aprender a ser gente.

Depois do anuncio de quem seria sua dupla, Harry deitou a cabeça na mesa e ficou lá pensando o que faria para não ter problemas com o outro menino, já que precisava de nota. Mas também ficou pensando em como a sua vida era uma droga, esta deveria ter sido a pior segunda-feira da vida dele, passando até a segunda chuvosa que ele tivera seu mp3 roubado.

E ali, com a cabeça abaixada ele ficou até chegar o intervalo, esperando que um milagre caísse do céu e o salvasse da tristeza que começava a invadir o seu interior.

“Ei, Harry!” chamou uma voz distante ” Alow, ô Harry, acorda ai cara.”

“Uhn…?” gemeu Harry de mau humor, não querendo despertar.

“Putz, dá pra acordar de uma vez ô emozinho!”

“Eu não sou emo!!!” disse Harry zangado, abrindo os olhos de uma vez.

“Aaah, pelo menos eu descobri um jeito de te acordar rápido.” disse Draco se sentando na mesa.

“Ah… é você.” disse Harry com mais mau humor.

“A gente precisa conversar.”

Harry olhou o menino desconfiado.

“E sobre o que você quer conversar?”

“Sobre a nossa vida como um casal… Pô, sobre o que você acha que eu iria querer conversar com você???” Harry olhou-o com raiva, o garoto era muito arrogante, mas ele não iria responder às provocações, por isso apenas esperou que ele falasse logo o que queria “É óbvio que eu quero falar com você sobre o trabalho de química.”

“E….?” perguntou Harry impaciente.

“Bem, a gente tem que marcar um dia para começar a fazer.”

“Já…? Mas o Severino nem marcou direito o trabalho.” disse Harry surpreso com a nerdisse do rapaz em querer fazer logo o trabalho.

“Ah, e por isso o emozinho vai ficar em casa tirando fotos, chorando e só na última hora vai se mover? Você já viu a quantidade de coisas que temos que fazer? Eu não vou abaixar a minha nota por sua causa, se você pelo menos fosse bom em química eu dividiria o trabalho em dois e faríamos cada um a sua parte, mas você é um dos piores alunos. Só que eu não pretendo carregar você nas costas, porque quem sabe, ao longo do trabalho você não ganhe alguma utilidade, afinal, fazer tudo completamente sozinho vai ser difícil…”

Harry ficou ouvindo aquele menino arrogante e convencido, apenas falando mal dele, duvidando de sua capacidade… Ah se Draco soubesse o que aquilo desencadearia no final…

“Tá legal.” disse simplesmente Harry, não estava ainda afim de discutir com um playboyzinho arrogante “Mas também não vou trabalhar pra você como um escravinho, simplesmente ouvindo e acatando suas ‘ordens’, eu tô meio mal em química mesmo, mas isso não quer dizer que eu não quero aprender.”

Draco olhou-o inexpressivo, apenas levantou a sobrancelha “Tá bem, agora que você de fato acordou… podemos em fim marcar os dias possíveis de fazermos o trabalho. Terça e quinta eu tenho compromissos, aos sábados de manhã eu surfo (e isto não esta passível a alterações), segunda, quarta e sexta eu costumo estar livre, e domingos só devem ser utilizados em caso de extrema necessidade.”

Harry olhou para o menino impressionado com o profissionalismo que ele demonstrava ao falar, muito embora esse tom impessoal não agradasse por completo a ele.

“Aaaahn… sei lá, eu não tenho nenhum compromisso certo, acho que só no final de semana que geralmente aparece algo para fazer, algum lugar para ir…. Mas meus tios não gostam que eu chegue muito tarde em casa, ae depende de para aonde a gente vai…”

“Você mora aonde?” perguntou Draco.

“Por que, ce vai me visitar?” questionou Harry de forma irônica.

Draco suspirou, como se estivesse cansado de conversar com alguém como Harry.

“Porque, caro paquiderme, eu preciso saber qual é o melhor lugar para a gente se encontrar e fazer a pesquisa.” respondeu falando com a voz arrastada e com tom de sarcasmo.

Harry pensou naquela hora: “Que menino mais nojento! Como ele pode ter amigos???”

“Eu moro no Leblon, e paquiderme é a mãe.” respondeu Harry já sem paciência “Pra que ce quer se encontrar pessoalmente se a gente pode fazer tudo pela internet conversando via MSN?” perguntou Harry desviando o olhar, ficando com mais raiva ainda do menino.

“Ai ai. Você não presta mesmo atenção às aulas… Severino sugeriu que não usássemos a internet como meio de pesquisa.” disse Draco demonstrando impaciência. “Você, caro paquiderme, já ouviu falar de biblioteca? Ou no seu mundinho emo é proibido ou é algo muito feliz e interessante para vocês suportarem conhecer ou entrar em uma?”

Dessa vez o menino foi longe de mais.

“Olha aqui, pára de me encher o saco seu surfistinha filhinho de papai! Eu só fiz uma pergunta e você não precisa ficar me ofendendo a cada duas palavras suas! Eu nunca te fiz nada ô mané!” disse Harry explodindo, e agradecendo pela sala ainda estar vazia.

Draco apenas esperou que Harry terminasse, mantendo o tempo todo uma expressão vazia no rosto.

“Terminou o showzinho emo? Podemos falar de coisas sérias agora?” perguntou Draco.

“Que tal você começar a parar de ser grosso?” perguntou Harry se levantando e encarando o outro menino.

“Grosso? Quando eu fui grosso? Achei apenas que estivesse sendo realista…” respondeu Draco com um sarcasmo tão forte na voz que Harry sentiu vontade de cuspir na cara dele ao mesmo tempo que sentiu seu rosto ficar vermelho de tanta raiva.

“Tudo bem, cabeça de parafina, o que você quer fazer?” disse entrando no jogo do outro menino “Eu tenho quase todo dia livre, tirando eventuais compromissos.”

“Essa quarta então emozinho?”

“Por mim tudo bem filhinho de papai. Mas aonde a gente se encontra?”

“Não acha mais fácil a gente simplesmente sair juntos do colégio pra não ficar atrasando o trabalho, paquiderme?”

“Eh cabeçudo, mas nós humanos costumamos realizar um ritual diário importantíssimo chamado almoçar, nós humanos não podemos ficar sem isso.” disse Harry achando até aliviante poder falar através de xingamentos e podendo colocar pra fora tudo que pensava do outro menino.

“E será que o chorãozinho não pensou que a gente poderia almoçar juntos na casa de um de nós?” perguntou Draco em um tom sem emoção aparente.

“Na minha casa não rola, meus tios jamais deixariam algum dos meus ‘amigos’ comer lá em casa, cabeça de parafina.”

“Acho que eles estão certos nisso, mas de qualquer jeito, eu não sou seu amigo.” disse Draco como se aquilo fosse à coisa mais simples do mundo.

“AINDA BEM!” meio que gritou Harry já nervoso com a conversa.

“Por favor Harry, sem gritos na minha aula” disse a professora de literatura que havia acabado de chegar.

Harry sentiu ainda mais raiva de Draco, que sorriu sarcasticamente para ele, o playboyzinho o havia feito passar vergonha na frente da professora…. Harry sentia um ódio crescente pelo menino.

“Não disse, todo emo é estressadinho… De qualquer jeito!” disse Draco meio alto, impedindo Harry de responder “Quarta, não marque nada, você almoça lá em casa, e nós vamos de lá direto para a biblioteca.” após falar, Draco se levantou e foi para o outro lado da sala, onde costumava sentar-se.


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