O mundo de um youkai
< Anterior | Menu | Próxima >
[Trabalhando]
“Quarta-feira… droga, é hoje que eu vou ter que encontrar o cabeça de parafina” pensou Harry se levantando logo da cama, um segundo antes de o despertador tocar. “Ah, essa vida de escravo…. porque? PORQUE???” disse Harry gritando o último ‘porque’.
“Cala a boca Harry! Duda ainda está dormindo!” disse uma voz sibilante e irritada atrás da porta do quarto do menino.
“Aaaaah!” choramingou se jogando na cama de novo e cobrindo o rosto com o travesseiro. “Eu não quero ir pro colégio… não quero encontrar aquele loiro burro oxigenado!”
“Harry!” disse sua tia batendo na porta “Levanta logo, já que você está acordado vem logo botar a mesa, é o mínimo que você poderia fazer. Anda! Deixa de ser preguiçoso!” continuou a bater na porta tia Petúnia.
“Já vou… já vou…. Ah, porque o mundo me odeiaaa?!” perguntou o menino se levantando da cama como um defunto que levanta da tumba.
oOo
Draco ouviu a música de Red Hot Chilli Peppers tocando, mas não teve coragem de levantar… ficou uns 5 minutos acordado mas de olhos fechados.
“É hoje… droga, é hoje que eu vou ter que trabalhar com aquele emozinho… droga, por que Severino teve de sortear as duplas…? Minha vida seria muito mais fácil sem isso!” pensou Draco abrindo os olhos de vagar. O menino se sentou na cama, coçou a cabeça vagarosamente…
E se tacou de volta, caindo deitado… “Se eu não tivesse que realmente fazer esse trabalho, eu daria um belo chute na bunda dele… aí ele teria de fazer sozinho! Ha… ele ia se dar muito mal!” disse Draco tentando se animar.
O menino se sentou novamente, balançou a cabeça como que para espantar o desânimo e se levantou de vez.
“Maria! Hoje o almoço é pra dois!” gritou ele da porta do quarto.
oOo
“Obrigada.” disse Harry quando Maria lhe serviu mais purê de batata.
“De nada.” respondeu Maria sorrindo “É tão raro o Sr. Draco trazer um coleguinha para casa, é bom ver que ele faz amigos” disse Maria sorrindo para Harry.
“É, eu imagino que com esse gênio ele não tenha nenhum amigo além de mim, capaz até de atura-lo no almoço.” comentou Harry divertido olhando para Draco, que encarou-o com desprezo, como que dizendo que teria volta.
Quando Maria virou-se indo para a cozinha Harry deu a língua para o outro, que ficou meio surpreso com uma atitude tão imprevisível e infantil.
“Por favor, coma rápido… você veio aqui para trabalhar e não para ficar se esbanjando na comida da minha casa.” disse Draco fingindo que nada acontecera.
“Ah, então é isso… você tem ciúmes da comida da Maria é? Uhul Draco, primeiro aquela menina tão mais ou menos no cinema…. agora até a sua empregada? Eu não achava que você fosse assim…” disse Harry pegando mais uma garfada de arroz. Como Draco não respondia Harry olhou para ele, querendo ver que reação ele expressava a sua provocação, mas surpreendeu-se ao ver que o menino o encarava de modo raivoso.
“Cinema? Que garota, que cinema?” perguntou ele com raiva mal contida.
“Ah, não se faça de idiota, você sabe muito bem, no último sábado, vocês sentaram na minha frente, aquela foi a cena mais engraçada da minha vida!” disse Harry rindo ao se lembrar de das reações do menino as investidas da garota.
Draco se levantou e ficou encarando Harry de perto, assustando ele, que parou de comer no meio de uma garfada, esperando para ver o que o outro queria.
“Então era você o mané que ficava batendo na minha poltrona o tempo todo? Foi você que riu que nem uma bicha descontrolada?” Harry podia sentir que Draco estava fervendo de raiva. O moreno pensou em parar por ali… mas uma voz dentro dele falou mais alto, ele queria se vingar de todas as provocações e ofensas que sofrera de graça.
“É, esse era eu - tirando claro o mané e o bicha-, afinal, não era eu que fazia cara de pânico ao beijar uma menina.” disse Harry imitando uma cara de pânico caricaturada e caindo na risada logo depois.
Draco deu um empurrão no menino, fazendo com que este derrubasse o garfo no chão.
“Ei!” protestou Harry.
“Não ouse mais falar nesse assunto!” disse Draco cutucando Harry no peito com o indicador “Ou então não faço mais esse trabalho de química com você!”
“Você também precisa da nota.” disse Harry estreitando os olhos e fingindo que não se intimidava.
“Eu não preciso tanto assim, posso muito bem ficar sem ela, mas e você?” perguntou Draco se distanciando do menino e voltando a sentar-se.
“Ufa… que estressadinho… depois ele fala do emos!” pensou Harry sem expressar isso em palavras com medo de Draco cumprir a promessa e ele acabar ficando sem nota, ou com uma muito baixa. Ao invés disso, optou por mudar de assunto.
“Err… em qual biblioteca a gente vai?”
“Na Nacional.”
“E como a gente vai pra lá saindo daqui?”
“De ônibus, ou você prefere ir a pé até o Centro da Cidade?” perguntou Draco sem em nenhum momento olhar para Harry.
“Só tava perguntando que ônibus pegaríamos” disse baixinho olhando para o próprio prato.
“175” respondeu o surfista.
“Então, bora indo? Para dar tempo de pesquisar tudo direitinho!” disse se levantando.
“Até para chamar os outros para se levantar você é emo!” disse Draco sarcástico.
“Ah, não fode!” disse Harry, internamente feliz pelo outro menino ter voltado a ser arrogante “Antes arrogante do que violento!”
oOo
Harry e Draco não demoraram a chegar a Biblioteca Nacional, lá eles ficaram muito tempo em silêncio, apenas lendo textos e textos até conseguirem achar coisas que valessem à pena, e quando isso acontecia eles apenas anotavam o nome do livro e o número da pagina, para que em outro dia pudessem voltar com mais tempo para tirar xérox de todas as páginas, lê-las em casa e depois começar a redigir o trabalho, já que de acordo com Draco, tudo devia ser tranqüila e calmante feito, para que não ocorresse nenhum erro bobo.
Quando eram umas quatro horas, eles resolveram que já estava tarde. Precisavam voltar cada um para a sua própria casa e quem sabe ainda estudar para outra matéria… ou atualizar o fotolog.
Ambos pegaram o mesmo ônibus, já que moravam em bairros próximos, contudo, parecia que o destino (ou o motor do ônibus) não queria que eles se separassem tão cedo, o ônibus enguiçou no final de Copacabana, como os dois meninos não moravam longe dali resolveram ir à pé mesmo.
“Droga… tá vendo, é por essas e outras que eu odeio tudo isso.” choramingou Harry.
“Isso o quê?” perguntou Draco, que não falava muito desde que a excursão à biblioteca se iniciara.
“Ah, ce sabe, isso tudo…” disse Harry fazendo um gesto vago com a mão.
“Tudo o quê?” perguntou Draco com um suspiro cansado.
“A vida… tudo é tão triste, as coisas só dão errado pra mim.”
“O quê por exemplo?”
“Aaaah, o busão quebrou, meus tios são uns malas…” Harry pensou um tempo “Meu mp3 foi roubado num dia chuvoso… eu tenho que fazer essa droga de trabalho de química, e ainda por cima com vo…” Harry percebeu o que ia dizer e preferiu se calar.
“Comigo… eu sei, eu penso o mesmo sobre isso.” respondeu Draco ainda muito estranho para Harry, pois ele estava mais sério do que podia se lembrar de já tê-lo visto. “Você é muito fútil.” soltou Draco de forma seca
“Ei! Eu não sou fútil!” revoltou-se Harry “Tá vendo, é disso que eu falo, ninguém, ninguém nesse mundo inteiro parece me entender!!!” disse Harry sentindo vontade de se jogar na cama e não fazer mais nada além de se deprimir.
“Você, é umas das criaturas mais patéticas que eu já tive o desprazer de conhecer.” disse Draco sem emoção na voz
Aquilo, por mais que tivesse vindo de um playboyzinho idiota, ofendeu de fato Harry, talvez fosse porquê o outro menino falava sem seu usual tom de sarcasmo, ou simplesmente talvez porquê aquele não fosse um dia bom para Harry, mas ele só sabe que realmente não gostou de ter ouvido aquilo.
“Eu não sou isso…” disse Harry assumindo uma postura séria “Eu sou apenas… espontâneo. Só porque eu tenho coragem de ser e agir como eu quero, isso não significa que alguém como você, tão reprimido e o tempo todo tentando parecer normal, se escondendo atrás desse estereotipo de playboy, vestindo uma máscara de sarcasmo imbecil só pra afastar as pessoas, para elas não verem você de perto, isso nunca significou que você tem o direito de se achar superior a qualquer outro que tenha mais corag…”
Antes que Harry pudesse completar seu lindo discurso Draco saiu correndo puxando o menino pelo pulso.
“Ei, o que você tá fazendo, pirou de vez???” gritou Harry para o menino.
“Cala a boca, não chama atenção!” respondeu Draco apenas alto o suficiente para Harry ouvi-lo.
Quando chegaram na esquina mais próxima Draco virou bruscamente se espremendo contra a parede do segundo prédio da esquina de Ipanema (já que no meio de tanto papo furado eles já haviam passado pelo fim que faltava de Copa e já se encontravam no começo de Ipanema)
Harry bateu contra a parede, casado.
“Cara…. pirou?” perguntou arfando, não acostumado a fazer muitos exercícios físicos.
Draco não respondeu, apenas olhou com uma cara entre a seriedade e o pânico para a esquina da qual tinham vindo. Harry como não soubesse o que se passava, também ficou olhando para a esquina, esperando poder descobrir do que Draco estaria tão desesperado para se esconder.
Os meninos ficaram uns instantes tensos aguardando o que quer que poderia vir a surgir.
“Draco, por acaso você é esquizof….” mas então Harry entendeu o porquê de tanto pânico.
Tudo ocorreu tão rápido que ele demorou para compreender por completo o que acontecia.
Assim que viu Pansy aparecer na esquina ele imediatamente entendeu do que Draco fugia. Pôde ver em câmera lenta a menina começando a virar a cabeça na direção deles, aparentemente Draco também a avistara, por isso se virou para Harry, que pôde ainda em slowmotion observar a cara de pressa do outro menino, logo em seguida, Draco pegou Harry pela cintura, a força do movimento brusco fez com que o corpo de Harry fosse esmagado contra a parede, e antes que pudesse de fato processar tudo, Draco comprimiu os lábios contra os dele.
Alguns segundos se passaram sem que Harry conseguisse processar por completo o que estava acontecendo, o mundo havia voltado a sua velocidade normal. Ele piscou, e quando reabriu os olhos viu que ele não estivera enganado, Draco de fato estava o agarrando e beijando.
Soltou um grito de desespero, calado pela boca de Draco, o menino tentou gritar para ser solto, mas nada além de grunhidos pôde ser ouvido. Vendo que Draco não abria os olhos e continuava com a boca sobre a sua Harry tentou batê-lo. Mas Draco foi mais rápido e segurou o pulso dele, comprimindo com mais intensidade Harry contra a parede. O menino sentindo isso arregalou ainda mais os olhos já arregalados de susto. Ele olhou para os lados, tentando ver se alguém vinha em seu auxilio, mas a única pessoa que pôde ver foi a tal menina que havia ficado com Draco no cinema, ela estava olhando com cara de terror para os dois.
E fez-se a luz, então era por isso que Draco o havia atacado… por causa da garota… mas isso era uma atitude muito desesperada, ele não deveria gostar mesmo dela, para escolher beijar um menino que ele considerava patético e fútil, a encarar a menina.
Harry parou de tentar bater em Draco, embora ainda mantivesse uma careta assustada, não conseguindo evitar o pânico que sentia, apesar de certa forma estar consentindo que Draco o usasse momentaneamente, Harry não permitiu que o menino beijasse-o de língua. Afinal, para Harry isso ainda era algo que ele só gostava de fazer com alguém especial.
O menino imprensado contra a parede deu mais uma olhada discreta para aonde a menina estava, ele viu que ela desistira de olhá-los e tinha voltado a seguir seu caminho, muito embora agora ela andasse com jeito de quem iria matar o primeiro que lhe dirigisse a palavra.
Quando ela sumiu do campo de visão de Harry, ele cutucou a cintura de Draco com a mão razoavelmente livre (já que ela se encontrava imprensada entre o corpo dos dois), onde ele esperava que o outro sentisse cosquinhas.
Funcionou, Draco afastou sua boca da de Harry por um instante.
“Ela já foi, pode me largar.” disse Harry sem conseguir falar direito, pois sua boca continuava muito próxima a de Draco.
“Ela quem?” perguntou Draco com uma voz macia.
“A menina que você tá fugindo.” respondeu Harry já sem paciência. Talvez, mas só talvez, isso se desse ao fato de ele estar comprimido contra uma parede, com um menino segurando seu pulso e tentando beija-lo a força.
“Que menina?”
“Aí caramba! Não fode minha paciência, me solta logo!” meio que gritou Harry já de saco cheio de sua posição.
“Ha! Você acha que eu te peguei por causa de alguma garota?” perguntou Draco irônico.
“E por que mais seria?!” Harry já estava cansado daquele jogo, muito embora não se mexesse para sair daquela posição.
“Porque eu estava afim de te provocar…?” perguntou Draco aproximando o rosto do pescoço de Harry.
“PÁRA COM ISSO! EU JÁ SERVI AO SEU PROPÓSITO IDIOTA DE ESPANTAR A MENINA, ENTÃO ME LARGA DE UMA VEZ!!!!” explodiu já zangado pela atitude do outro menino, que além de usá-lo a sua própria vontade agora queria fazer joguinhos.
“Não sei se eu já disse…” falou Draco no ouvido do menino “Mas emos parecem ser muito estressadinhos.” terminou ele dando um beijo no pescoço de Harry, e finalmente soltando o outro.
Harry quase caiu quando Draco o soltou, não havia percebido que na compressão dele contra a parede seus pés quase não tocavam mais o chão, e seu corpo era sustentado da força de ação e reação entre Draco e a parede. Harry arfou cansado ainda do susto e da corrida.
“Você é louco, por que fez isso?! Tava tão desesperado assim….?” perguntou Harry ainda zangado pelo beijo completamente roubado “Ei… pêra aí! Tu é gay? É isso mesmo?!” perguntou se afastando de Draco. “Se você é eu não sou, então trate de se afastar de mim, eu não tô afim de um cara como você!”
“Cala a boca, você nem deve ter beijado ninguém a sua vida inteira além de alguma amiguinha de infância!” Batata… Draco acertara em cheio “Além do mais… você beija muito mal.”
“É claro, você tava me atacando!!! Eu não ia beijar você se eu tivesse escolha!” disse Harry quase gritando
“Se você tivesse me permitido, eu teria feito você nunca se arrepender desse beijo.”
“Sai de perto de mim! Não se aproxima seu gay!”
Draco olhou para o menino, começava a aparentar raiva.
“Se eu sou gay você é o cara mais bicha do mundo.” disse Draco com um tom de irritação na voz “Então, pára de ser uma bicha escandalosa e fala baixo?”
“Foi você… foi você que me transformou numa bich… num homossexual! Foi você, eu era um menino normal e depressivo até você aparecer…. Ah minha doce inocência perdida!” choramingou Harry quase rolando no chão de tanta confusão mental.
“Primeiro que um beijo não transforma ninguém em gay… e cara, se você acha que é gay…. pelo menos seja um gay macho, e não uma bicha desvairada…”
“Você….” disse Harry apontando para Draco de modo meio autista “Você… você é o gayzão da história! Você é a bicha desvairada… VOCÊ e só você!”
“Tá, já vi que não dá para conversar com você de forma gentil.”
“Gentil!? Gentil??? Seu… seu… molestador!”
“Ah, cala a boca! A questão é a seguinte,” disse Draco se aproximando de Harry, ignorando o fato deste se encolher quanto mais ele se aproximava. “você viu aquela menina não viu?”
Harry olhou para Draco por debaixo dos próprios braços, que protegiam sua cabeça como se ele estivesse prestes a ser atacado. Como resposta Harry apenas balançou afirmativamente a cabeça.
“Então, ela é Pansy Parkinson, uma amiga da minha prima, ela sempre foi apaixonada por mim, mas claro, eu tenho bom gosto, por isso nunca dei a menor bola pra ela, porque não costumo sair com menos do que as mais belas meninas.”
“O gostosão você, ein.” disse Harry ainda por baixo dos braços.
“Tira esses braços da cabeça… você tá ridículo!” disse Draco olhando para os lados vendo se ninguém estava observando os dois. Quando olhou novamente para Harry este lhe deu a língua, Draco de novo não conseguiu deixar de se surpreender com a reação inusitada.
“Só se você prometer que não vai me atacar de novo!”
“Porque eu te atacaria?!” perguntou Draco já nervoso com a conversa.
“Sei lá… talvez porque você é um louco depravado maníaco sexual, tarado por meninos sexys como eu….” disse Harry tirando os braços de cima da cabeça assumindo em fim uma postura ereta.
“Aff…” resmungou Draco “Já acabou o showzinho? Posso te explicar as coisas que aconteceram?” perguntou já arrependido de tentar apresentar os fatos a um menino tão serelepemente obtuso. “Tá, a Pansy é amiga da minha prima, ela tava afim de mim desde sempre, só que eu nunca dei bola, mas, as coisas mudaram quando eu fiz uma aposta com a minha prima e perdi, e o acordo da aposta era que quem perdesse deveria um favor ao outro.”
“Obviamente foi você quem perdeu.” disse Harry com um sorrisinho.
“Por um acaso do destino e muita sorte da minha prima, sim, eu perdi. Ela aparentemente tinha esquecido, até um tempo atrás, quando me cobrou essa dívida. E como você pode perceber, se o seu cérebro não for do tamanho de uma ervilha, o que ela me cobrou foi…”
“Que você se casasse com a Pansy! Ah meu Deus… você está noivo!” disse Harry fingindo que ia abraçar Draco, que empurrou o menino de volta para a parede.
“Não, cérebro de ervilha, ela me cobrou o favor de ser sempre gentil com a Pansy, ou seja, eu não posso dar um fora nela, nem dizer pra ela largar do meu pé, muito menos posso empurrá-la quando ela me agarra ou tenta me beijar a força.”
“É, eu sei o que é isso… ser beijado a força… sei bem o que é isso.” Harry olhando para o chão, fingindo estar traumatizado.
“Dane-se. A questão é, que o único jeito que eu encontrei de me livrar da Pansy é eu arranjando um namorado.”
“NamoradO? Porque não uma namoradA? Não seria muito mais prático do que virar gay do dia pra noite? E além disso, quem seria o menino louco que aceitaria você como namorado?”
Draco olhou para Harry como que respondendo-o.
“Ah, não viaja, eu só te ajudei com aquela droga de beijo… não vai pensar que vai poder o tempo tod…”
“A RAZÃO, é muito simples” disse Draco interrompendo Harry “Arranjar uma namorada da noite para o dia, não é fácil, as meninas que eu conheço assim como eu mesmo, não querem saber de namoro. Supondo que eu conseguisse arranjar uma namorada da noite para o dia, esta menina ia ter que ser de ferro, porque Pansy não desistiria de me perseguir e provavelmente tentaria me atacar, ou bolar alguma coisa para acabar com o nosso namoro, até porque se você não se lembra, eu não posso dar um fora nela. Maaas, se eu fosse, ou se ela achasse que eu sou gay, seria muito mais fácil dela desistir de mim… Além do que, através de um mútuo acordo é muito mais fácil para um menino pelo menos fingir que nós namoramos, estando ele é claro, ciente do papel que teria a desempenhar.” terminou Draco, encarando Harry, como que esperando uma resposta.
“E desde quando você vem maquilando esse plano?” perguntou Harry olhando-o revoltado.
“De fingir que eu sou gay para me livrar da Pansy já faz um tempo, mas eu só levei você em consideração… uhn, acho que hoje.”
“Hoho, eu sempre disse pra Hermione, todo playboy é um gay enrustido….” disse Harry mais para si que para Draco.
“Eu… não… sou… gay. Só quero que a Pansy pense isso.”
“Mas eu não quero que pensem isso de mim!” disse Harry revoltado com o egocentrismo do outro menino.
“É? Então perca as esperanças, porque todo mundo já pensa.”
Harry encarou-o surpreso… porque todos achariam que ele era gay? E essa pergunta muda deve ter transparecido em seu rosto, pois o surfista se pôs a dizer:
“Claro que essas suas roupas colantes e esse seu jeito tchola iam fazer as pessoas pensarem isso.”
“Mas calma ae, você sabe que se quiser que Pansy realmente acredite que você é gay (se é que você não é isso mesmo) então terá de fazer com que todo mundo pense isso, você vai ficar marcado eternamente por essas bandas como ‘o surfistinha gay’… Você realmente se enoja tanto assim dessa menina? (ainda acho que você deve ser gay)”
“Simples meu caro Watson, depois que eu me formar no colégio não pretendo ficar nem ‘nessa bandas’ nem no Brasil, pretendo fazer faculdade ou na França ou na Alemanha. Logo, ninguém se lembrará de mim, isso se eu ainda voltar ao Brasil um dia.” respondeu Draco pomposo.
“Mas eu vou continuar por ‘essas bandas’!” disse Harry ainda irritado com o egocentrismo do outro menino.
“Pense só…” disse Draco ficando ao lado de Harry passando o braço pelo ombro dele “Se você postar fotos insinuantes com outro menino (se ele ainda por cima for bonito), imagine o quão rápido o seu número de coments irá lotar? Pense, que talvez isso seja o primeiro passo para um gold, e quem sabe… já com o gold, em quanto tempo um post seu com outro menino numa pose sexy, seus coments não chegariam o limite?”
Os olhos de Harry brilharam
“Fechado.” disse ele estendendo a mão para Draco, como que finalizando um acordo, quando Draco aceitou a mão num comprimento cordial Harry completou “Mas eu quero mais, não sou tão mendicante a ponto de só aceitar isso como recompensa.”
“E o que você poderia querer? Dinheiro?”
Harry fulminou Draco com o olhar.
“Tenho cara de puta de luxo? É claro que não é isso, tô perguntando o que mais ce pode me oferecer como recompensa? Fotos num flog não duram pra sempre, mas minha fama de gay pode durar… e eu não vou pra fora do país tão cedo…”
“Bem, eu posso te oferecer minha gratidão. O que significa que você pode um dia pedir para mim um favor tão grande quanto eu estou te pedindo agora.” respondeu Draco, ainda apertando a mão de Harry.
Harry parou e pensou um pouco no assunto… Não havia nada em que Draco pudesse ser funcional a Harry no momento, mas quem sabe isso não se tornaria útil no futuro? Quer dizer, além é claro das fotos que poderia fazer e colocar no seu fotolog para ele bombar de vez…
“Você jura que vai cumprir sua promessa, e realizar um favor por mais excêntrico que ele seja no futuro, e que não vai esquecer disso, mesmo daqui há cem anos quando estivermos no asilo?”
“Bem, daqui a cem anos minha memória já não deve estar lá essas coisas, mas se depender de mim, sim, eu cumprirei minha promessa…” respondeu Draco, apertando com um pouco mais de força a mão de Harry, como que selando definitivamente o acordo.
“Tá, agora a gente tem que fazer a promessa do dedinho.” disse Harry estendendo o dedo mindinho para Draco.
Que deu um tabefe na mão de Harry.
“Não seja ridículo, isso lá é coisa que um garoto de 16 anos faça?!” perguntou se descolando da parede e continuando a andar por onde tinham vindo.
Harry acompanhou-o calado por um tempo, quando estava perto de chegarem na altura da casa de Draco, perguntou:
“E as nossas famílias? Também vamos ter que falar que somos gays?” perguntou Harry preocupado com a possibilidade dos Dursley descobrirem algo do tipo, mesmo que fosse armação.
“É claro que não! E não ouse nem tocar nesse assunto se você for lá em casa de novo. Esse nosso teatrinho será só da porta pra fora.”
“Certo… Eu também não pretendia falar nada disso para a minha família, acho que eles me expulsariam de casa.”
“Bem, eu cheguei. Amanhã a gente se fala no colégio…” disse Draco parando na esquina da sua rua “Ah, e não vai dizer pra ninguém o que a gente combinou, nós só vamos confirmar essa história para outras pessoas se, e somente se, a Pansy espalhar isso e as pessoas vierem nos perguntar, e só vamos ter que interpretar algo se a Pansy estiver por perto, mas por via das dúvidas, é melhor a gente começar a andar mais juntos, para se descobrirem nossa história ninguém achar que é armação de mais…”
“Tá bem, beleza, te vejo amanhã docinho de caju.” disse Harry piscando.
“Cala a boca.” respondeu Draco entrando no prédio.
Harry continuou seu caminho, pensando que tipo de foto com o Draco ele postaria no dia seguinte no seu fotolog. Dois meninos bonitos, jovens e sexys juntos, fazendo poses que dessem a entender um relacionamento entre eles, não era preciso mais nada para se obter um sucesso absoluto. Harry sentiu que estava nas nuvens.
oOo
No resto daquela semana os dois meninos, apesar se não se sentarem juntos ainda, passavam os recreios juntos, conversando. Obviamente eles ainda se tratavam por apelidos pejorativos, mas até que começavam a se acostumar com a presença um do outro, Harry nunca tivera um amigo de fato nesse colégio, já que Neville era uma bom menino, mas só sabia conversar sobre coisas que envolvessem plantas e novos jogos de videogame. E Draco não se incomodava se de vez em quando não passasse o recreio inteiro falando só de garotas ou novos points, coisas que Harry praticamente não falava.
Draco descobriu que o outro menino era na verdade alguém bem inteligente em física, e pensando bem, de fato ele tinha cara de ser bom nesse tipo de matéria, Harry tinha varias idéias de projetos ou construções de aparelhos interessantes, Draco conseguia acompanha-lo nos conceitos físicos, embora achasse que jamais teria as idéias do outro, mas ele fazia algumas avaliações críticas em partes dos projetos que Harry parecia não enxergar, era uma troca legal de conhecimento. Mas nem só de nerdisse vivia a relação dos dois, que falavam dos mais variados assuntos, incluindo surf, acaloradas discussões sobre tipos musicais e muitas alfinetadas de ambas as partes.
Harry descobriu que o outro menino era alguém até bem cabeça, embora aparentasse ser fútil e sem interesse por estudos, gostava de falar com ele sobre seus projetos, não tinha tido coragem de falar sobre isso com mais ninguém, mas Draco era diferente, ele parecia entender o que Harry tinha em mente, e o fazia enxergar algumas pequenas falhas de raciocínio. Todavia, Harry gostava também de falar sobre outras coisas, não imaginava que um playboy poderia ser alguém interessante, com um gosto musical estranho e uma opinião tão bem formulada e fomentada sobre a música da atualidade. Por que será que Draco escondia esse lado de todo mundo? Seria medo de não ter amigos se os outros descobrissem que na verdade ele tinha uma mente complexa e não era só mais um cabeça de vento? Era medo de se sentir excluído?
oOo
Sábado chegou e Harry resolveu ir buscar Draco na praia, para irem fazer o trabalho de química logo, em suas conversas com o menino, descobrira o horário que este costumava pegar onda, e que ele ia no Arpoador.
Como que um milagre, Harry levantou cedo no sábado, dia que ele costumava ficar dormindo até umas onze horas. Saiu de casa sem falar com os tios. Estava andando pelo calçadão quando percebeu que tinha sido uma idéia infeliz ter vindo de preto naquele sol. Porém, como não estava com pressa, demorou um pouco admirando o dia que amanhecia muito belo, parou para tomar água de coco num quiosque próximo ao Arpoador, e quando chegou à Praia do Diabo, onde Draco havia dito que pegava onda, o menino ainda bebia o coco, Harry sentou-se na areia, embaixo de um coqueirinho que tinha praia. Ficou olhando os surfistas que pareciam pequenos bonequinhos nas ondas, tentou achar uma cabeça loira e achou três. “Porque todo surfista tem que ser loiro?” perguntou-se Harry, ignorando os outros surfistas de cabelos escuros, que na verdade eram maioria.
Harry tentou pensar em o que diferenciaria Draco, o jeito de se vestir não era, o cabelo muito menos, todo surfista devia ter o cabelo parafinado…. talvez Harry pudesse identifica-lo pelo jeito de surfar, mas para Harry, completamente leigo em surf, todos surfavam da mesma forma, menos um moreno de calca azul escuro (Harry começava a classifica-los pela bermuda) que ficava caindo o tempo todo, tirando de Harry algumas gargalhadas.
Como não conseguia se controlar, Harry parecia estar assistindo um espetáculo de circo, as pessoas mais próximas a ele o olhavam estranho, ele era um menino todo vestido, com uma blusa preta, calça jeans e allstar, no meio da areia, que ficava rindo olhando para o mar. Nada menos deslocado do cenário que ele. Seu comportamento acabou chamando a atenção de umas meninas mais a beira da praia, e uma delas o reconheceu.
O sol começava a ficar mais forte, e ele se perguntava quando Draco pretendia parar de brincar na água, quando uma menina se sentou ao lado dele, por um momento ignorou-a, já que não estava afim de dar papo para patys de praia.
“Foi você não foi?” perguntou ela, e Harry não pode evitar encara-la. Ficou surpreso ao reconhecê-la como a menina que Draco estava fugindo, como Harry não pensara nisso? É claro que se a menina estava atrás de Draco ela iria querer segui-lo na praia.
“Fui eu o que?” perguntou Harry sinceramente não sabendo do que ela falava.
“Eu vi tá?” disse ela de modo patês. (do jeito que as patys agem)
“Viu….?” questionou se fingindo de desentendido.
“Não era você o menino que estava agarrando Draco dia desses?” perguntou ela de modo nojento. Agora Harry começava a entender a repulsa de Draco pela menina.
“E se fosse?” voltou a olhar para o mar, sem querer dar trela para a menina, mas revoltado por ela dizer que ele estava agarrando Draco quando era exatamente o contrário.
“Então é você… tentando roubar o Draco…” disse ela com uma voz tão nojenta que Harry resolveu que queria provoca-la.
“Que eu saiba quem está tentando rouba-lo só poderia ser você.” disse ele ainda sem olhá-la.
“Pois saiba que eu estou com o Draco faz tempo…” disse arrogante.
“Você quer dizer correndo atrás dele… porque com o Draco quem está sou eu.” respondeu Harry querendo se matar pelo o que estava dizendo.
“HAhahhahahahaha” riu ela de forma histérica meio esganiçada “O que te faz pensar que Draco teria algo sério com um menino como você, além de te aproveitar por algum motivo?”
“O pedido de namoro dele.” disse Harry querendo enfiar a cara na areia, mas não ia deixar aquela menina vencer ele, mesmo que o objeto de disputa não fosse realmente do seu interesse.
Aparentemente Harry vencera o primeiro round, porque a menina havia ficado com uma cara tão chocada e impressionada que ficou sem fala.
“Você está mentindo! Draco nunca faria isso, ele nunca namoraria….. principalmente um menino!” disse ela se recuperando.
“Ah é? Então vamos esperar que ele saia da água…” disse Harry torcendo para Draco se lembrar do plano, e não começar a xingar Harry por ter aparecido ali.
“Duvido, um menino, aposto que Draco só queria experimentar, ou lhe fazer um favor, já que você não deve conseguir pegar nem a pior das mocréias. Mas eu entendo ele, quer penas diversificar o cardápio, mas quando ele enjoar de você, é pra mim que ele vai voltar.”
Harry apenas levantou a sobrancelha, e olhou para a menina, em se tratando de beleza, Harry achava que se garantia, ele sabia que era um menino bonito, talvez tão bonito quanto Draco, mas não ficava tentando chamar atenção como o outro. E a menina…. bem, a menina não era feia, seria mentira dizer isso, mas ela ficava completamente ofuscada ao redor da garotas realmente belas a rodeavam.
Ele apenas riu gostoso do que ela falava. Draco voltar pra ela? Tudo que ele parecia querer fazer era fugir desesperadamente da garota.
“Falando nisso,” disse Harry se lembrando que não deveria saber muito sobre ela “quem é você?”
“A futura namorada de Draco.” respondeu de nariz arrebitado.
“Quanto a isso, eu diria que você não deveria estar tão confiante… mas na verdade eu perguntei seu nome.” disse Harry de fato não se lembrando do nome dela.
“Pansy, mas para você, Sra. Malfoy.” disse ela rindo como que achando que fizera um comentário muito inteligente.
“Bem, prazer Sra. Vai Sonhando, eu sou Harry.” disse ele sem se preocupar em estender-lhe a mão ou algo do tipo.
Nesse momento Harry olhou para o mar e viu Draco saindo dele, descobrindo que era o loiro de bermuda vermelha, Harry sorriu, e Pansy olhou na direção do olhar do menino, vendo também Draco, ela se levantou.
“Draaaaaaaaaaaaco, Draquinhoooooooo!” gritou com aquela voz irritante acenando para o menino saído do mar.
Draco olhou na direção deles, viu Pansy e logo em seguida pareceu reparar em Harry, que oscilava entre o nervoso e o esperançosamente vitorioso. Draco pareceu hesitar.
Ao ouvir seu nome sendo chamado, ele reconheceu a voz irritante na hora, porém não conseguiu deixar de olhar, todavia, quando seus olhos alcançaram Pansy, reparou na única aberração humana que viria à praia de calca jeans, e se sentaria na areia completamente vestido de tênis e blusa preta, esse seria ninguém mais, ninguém menos que Harry, o que ele faria?
Harry esperou que Draco confirmasse a história, não queria perder para Pansy, não para ela, tão arrogante e nojenta.
Draco começou a andar na direção dos dois, a prancha em baixo do braço, quando ele chegou cumprimentou Pansy, que parecia que ia abraça-lo, mas antes disso ele olhou para Harry e disse:
“Vamos?”
“Claro!” disse Harry se levantando, sorrindo ao ver de esguelha a cara meio abobada de Pansy.
Mas ela não ia desistir tão fácil…
“Draqui…”
De novo tudo aconteceu num instante, quando Draco viu que a menina estava prestes a ataca-lo, ele pegou Harry pela cintura, mas dessa vez, como estava no meio da praia não chegou a beija-lo na boca, só deu-lhe um beijo na bochecha.
“Senti sua falta, não demore tanto da próxima vez.” disse Draco encarando Harry, seus rostos muito próximos.
“C-Claro…” respondeu Harry ficando corado.
Pansy olhou toda aquela intimidade com os olhos arregalados. Draco não poderia ser gay… não ele.
“Draco…” disse ela baixinho, deixando a sua voz mais enjoativa do que já era.
“Oi Pansy?” perguntou Draco sem largar a cintura do outro menino.
“Eu..” tentou dizer ela, mas Harry achou que era hora de sacanea-la.
“Draco, bora indo, temos muita coisa para fazer, ainda quero te dar um banho.” disse sorrindo maliciosamente, mas por dentro sentia vontade de se jogar no chão e rolar de tanta vergonha que sentia.
“Huhuhuhu” riu Draco de forma também maliciosa, apertando ainda mais Harry contra o seu corpo. Soltando-o logo em seguida “Então vamos logo. Pansy, a gente se fala depois, sabe como é, tenho algumas coisas para fazer…” disse ele indicando Harry com a cabeça. Ao terminar de falar foi andando até sua bicicleta, seguido por Harry, que ainda se virou para Pansy que o encarou de volta, nesse momento ele lhe mostrou o dedo do meio, deixando a menina ainda mais vermelha de raiva.
Draco pegou a bicicleta, não poderia dirigi-la, pois não havia forma do emo maluco acompanhá-lo, e talvez fosse melhor ir a pé mesmo.
“Você me salvou, provavelmente Pansy ia me atacar de novo.” disse Draco com um tremor em um tom próximo de ‘obrigado’.
“Na verdade eu só vim aqui porque achei que seria melhor, para adiantarmos o trabalho.” disse Harry corando.
Draco fingiu que não viu, mas percebeu o quanto o outro era tímido, nunca achara que ele pudesse ser assim, tão envergonhado, tão criança em relação a namoros, mesmo que falsos.
< Anterior | Menu | Próxima >
Leave a reply