Amor é uma desculpa – Capítulo 13

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[Terminando]

Harry se sentia sem jeito.

Claro que estar alcoolizado cooperou para o fato de sentir sua noção flutuando ligeiramente, mas a vergonha estava ali. Afinal, encontrava-se sentado no chão do banheiro, aonde estivera há instantes atrás agarrando de jeito Draco, sua calça ainda apertava, a vontade ainda percorria seu corpo, embora o estivesse deixando em doses cavalares.

“Maria?” Draco quase gritava, e Harry sentia uma espécie de frio percorrer sua espinha, dividido entre duas emoções opostas e conflitantes: excitação e medo. “Você não havia dito que passaria este fim de semana na folga mensal com seu esposo?!”

“S-sim senhor.” respondeu a mulher, mesmo sem vê-la, Harry podia visualizá-la tremendo “O patrão do meu marido pediu um extra e como amanhã é dia de feira eu resol…”

“Não me importa!” dessa vez Draco de fato gritou. “Você… não… deveria… estar… AQUI!”

“Sr. Dra…”

Antes que a empregada pudesse dizer qualquer outra coisa, o surfista se levantou, pegou a porta do banheiro e a bateu com um estrondo que fez o próprio Harry levar um leve susto.

“Arrrgh” o loiro exclamou. Harry encarou-o, viu-o passar as mãos pelos cabelos, preocupado. “Merda!”

Houve um momento de silêncio, Draco se jogou contra a porta e foi escorregando até o chão, onde se sentou encarando algum ponto perdido com uma feição irritada.

“Péeeessimo momento pra a empregada aparecer.” comentou Harry num tom divertido. Draco o ignorou. “Por que você não demite ela?” a voz saindo embolada.

“Não seja imbecil! Não sou eu quem a contratou. Ela trabalha pros meus pais.” a paciência dele havia se esvaído há muito tempo. Mesmo assim, não sentia a menor vontade de gritar ou descontar em Harry. Incrível.

“Ué, invente qualquer coisa, diz que ela não está fazendo o serviço direito ou que…”

“Não fode!” o surfista quase gritou.

“Ohohoho, era o que eu quase estava fazendo com você há instantes” comentou com um sorriso próximo ao safado.

Draco o encarou, não sabia se queria sorrir ou bater com cabeça do emo contra a pia, por isso preferiu um meio termo.

“Grande coisa.” e voltou a desviar o olhar.

“Ahh…” suspirou Harry “Eu achando que ia dormir nos céus, e agora me encontro quase cochilando ao lado da privada” após a fala deu um grande bocejo enquanto apoiava o braço no vaso sanitário.

“Você é ridículo” disse sem ênfase alguma.

“Oh, seus gemidos quando estava de baixo de mim não pareciam afirmar a mesma coisa…” comentou Harry rindo.

Draco corou. Mas não deixaria aquilo passar tão fácil.

“Não ia durar muito, você sabe, já que eu estava mesmo prestes a inverter as posições. Assim elas ficariam corretas.”

“Hahahahaha, correto sou seu te pegando de jeito… vai dizer que não gosta Draq-IC-inho?” perguntou no meio de um soluço.

“Vai ver se eu estou na esquina” murmurou antes de voltar a ignorar o outro, afinal, ele estava apenas bêbado, seria ridículo ficar se importando.

“Mas você não está na esquina, tá trancado comigo num banheiro…” ao dizer isto Harry se pôs de joelho e engatinhou até Draco, seus rostos ficando muito próximos.

“O-o que você está fazendo…?” sentiu as bochechas queimando, não era nada legal ter aquele rosto nem aqueles olhos verdes tão próximo de si, dava uma queimação em algum lugar estranho e incrivelmente desconhecido que ele achava que não iria suportar.

“Te provocando, não é óbvio?”

Draco se sentiu inevitavelmente idiota. Como Harry ousava ser assim, tão sincero?

“Pois você está falhando mise… miseravelmente.” comentou ainda sentindo uma queimação perto do estômago e sem conseguir desviar os olhos daquelas orbes verdes.

“Será?” Harry se aproximou do rosto arrogante de queixo fino e nariz arrebitado, roçou seus lábios no do playboyzinho, sabia que no dia seguinte talvez nem lembrasse do que estava fazendo, ou muito provavelmente morreria de vergonha. Desconhecia o que o guiava, entendia apenas da agitação anormal na região do seu ventre ao observar o parafinado sem graça, sem ar, e levemente corado.

Draco sentiu a respiração de Harry esbarrando na dele, aqueles lábios rosados e deliciosamente macios roçando nos seus, sem fazerem contato de verdade. Não agüentou. Que se ferrasse o arrependimento, o medo, a insegurança e o que mais fosse. Puxou o metido a emo para si o beijou, com gosto.

Harry se sentiu comprimido contra o corpo do outro, numa posição inusitada, instantes antes se encontrava engatinhando, e agora era puxado assim, tão para perto.

Soltou um dos braços e começou a passar a mão pelo cabelo de Draco, que o pareceu encantadoramente sedoso, achava que encontraria algo duro e desgastado da parafina, no entanto, foi com prazer que sentiu a maciez dos fios platinados.

Uma mão de Draco escorregou para a cintura de Harry, que expirou com pressa, soltou o braço e começou a explorar a barriga de Draco por debaixo da blusa verde. E que barriga! O loiro aproveitou a deixa e puxou Harry para cima, fazendo-o de uma forma desajeitada se sentar em seu colo, sua mão se embrenhou por debaixo da blusa vermelha e exploram as costas lisas daquele que tantas vezes chamara de emo.

“Draco…” Harry soltou entre um suspiro e outro, sentia alguma coisa queimando, alguma coisa muito boa, e o nome escapara de seus lábios cheios de desejo.

De repente, o fato de Draco estar usando aquela blusa verde passou a não fazer sentido algum, a lógica dizia claramente que esta deveria ser arrancada, logo.

Seguindo o exemplo, Draco logo arrancou a blusa vermelha de Harry com um puxão só, e uniu seus corpos em um abraço ainda mais apertado. Pele na pele, calor no calor, moreno no branco, macio no macio, delicioso.

Harry começou a apalpar cada parte do dorso do surfista ao alcance de suas mãos, era simplesmente o natural, algo que pertencia ao fatos incontestáveis da vida. Ele precisava fazer isso, precisava sentir, explorar.

Draco sentia a cada instante que aquelas malditas calças jeans eram simplesmente e terrivelmente insuportáveis, queria apenas que Harry parasse de esfregar o quadril contra o seu, afinal, o jeans começava a apertar, muito.

Uma parte de si entrava em pânico. Entrava em um mundo que desconhecia. A bem da verdade, poucos neurônios se preocupavam com o fato de refletir sobre o que aconteceria, a maior parte deles se concentrava no prazer imediato, porém uns poucos neurônios persistentes insistiam no assunto, como seria quando os dois estivessem sem calças?

Harry riu, riu porque estava simplesmente em êxtase. Jamais havia experimentado nada parecido, riu também porque era ridículo a forma como aquela história de estar vestido incomodava. Nunca tinha achado desconforto em suas calças justas, e só percebia a diferença que fazia agora, ao se sentir praticamente enjaulado. Sem se fazer de rogado, pôs-se a abrir o próprio zíper, algo óbvio a se fazer.

Draco segurou a mão dele, impedindo-o.

“Você… você…” não, não era fácil, ele não queria parar e ainda assim estava ali, bancando o cavalheiro com um moleque emo que estava querendo se despir para ele. “Harry” olhou sério para ele, e recebeu de volta orbes verdes cheias de luxúria, maçãs do rosto coradas e, lábios deliciosamente entreabertos. “T-tem… certeza?” comentou inseguro no meio de um suspiro, enquanto o outro fazia fricção entre seus quadris, provocando-o.

Harry não respondeu, aproximou o rosto do pescoço de Draco e passou suavemente a língua por ali.

“Tô falando sério… essa é… é sua última chance. Tem…. tem…. arfh, tem certeza?” fechou os olhos quando a língua do outro descia pelo seu tórax e chegava até a linha de sua calça, o moreno o encarou nos olhos, provocando-o.

“Ora seu…” Draco o puxou para cima unicamente para empurrá-lo de costas o chão, enquanto de forma completamente desmedida e esquecendo qualquer pensamento desconcertante, foi a vez dele explorar o corpo de Harry com mãos e boca. Aquela noite prometia.

Na mente de Harry, já estava prometida. Teria sua primeira vez e não duvidava, Draco muito menos perderia a chance de experimentar as coisas tão maravilhosas que estavam para acontecer.

E Maria? Ela que se danasse!

oOo

“Draco, relaxa” disse Harry com a voz trêmula de nervosismo. “Vai dar tudo certo”

“Não vai não! E a culpa é sua, por ser alguém tão idiota!” respondeu ele jogando as folhas de papel que Harry o passara no chão. “Como você acha que Severino vai receber um trabalho no qual há pelos menos três abreviações de palavras! Céus, isso não é um post no seu fotolog!”

“Você não precisa ser tão escroto, foi o costume.”

“Costume de idiota! Você deveria escrever como gente.”

“Olha, só porque eu cometi um errinho…”

“UM ERRINHO? Você sabe como o professor Severino odeia esse tipo de erro causado pela encefalia dos jovens de hoje? Você quer nos ferrar? Quer que tiremos um zero?”

“Você não precisa ser tão imbecil assim, me dá essa porcaria que eu conserto para você!”

Harry tentou se abaixar para pegar as folhas no chão, contudo, Draco foi mais rápido e as pegou com um movimento brusco.

“Melhor não” ele nem se deu ao trabalho de encarar Harry, se virou de volta ao computador, abaixou um pouco o tom de voz, se tornando frio “Vá para casa, eu termino o que falta sozinho.”

Harry parou um segundo pensando que aquela era até uma boa proposta, pelo menos assim teria tempo de colocar mais uma foto no seu fotolog, e com certeza Draco sabia melhor do que ele o que estava fazendo. Mas…

“Claro que não vou, esse trabalho também é meu! Deixa de ser imbecil.”

Draco se virou para ele, parecia cansado.

“Olha, está tarde, daqui há pouco passa do horário dos seus tios te deixarem entrar em casa e você não vai ter onde dormir…”

“Ué, é só eu dormir aqui” disse Harry surpreso com a desculpa de Draco.

“Você não pode ficar dormindo aqui todo dia! Vá para a sua própria casa!”

Harry sentiu como se levasse um bofetão no rosto. Então era assim? Depois de tudo que tiveram no sábado… o dia de domingo passados juntos, era só chegar a segunda que era como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse havido os beijos, os carinhos, o amo… Droga! Agora Draco parecia ainda pior que antes. Não deveria ser ao contrário? Depois do que fizeram ele não deveria ficar mais carinhoso, mas romântico?

“Será que você pode parar de me olhar com essa cara chocada e revoltada e ir de uma vez para a sua maldita casa?” perguntou Draco bruscamente tirando o outro de seus devaneios. “Você está me atrapalhando e eu não quero você por perto me amolando.”

“Então foda-se. Fique aí sozinho com essa merda de trabalho.” Explodiu Harry de volta. Ele não ia ser tratado assim, não depois de tudo. Qual era o problema de Draco?

Juntou seu objetos por sobre a cama e o chão, jogou na mochila, a pôs sobre as costas e saiu batendo a porta. Deixou para trás um Draco muito mais aliviado sem a sua presença.

Só quando Harry colocou os pés na rua do lado de fora do prédio e sentiu o vento frio e cheio de maresia da noite desfazer sua chapinha, foi que parou um instante para pensar no que acabara de acontecer.

Não era como antes, dois passos para frente e um para trás. Dessa vez eles haviam corrido cem metros para a frente e agora Draco voltara ao ponto de partida, lá atrás. Ele estava agindo igual há um mês atrás, quando eles começaram essa história de trabalho de química.

Será que… será que era como um daqueles filmes jovens norte-americanos? Será que Draco nada mais era do que um palyboy (confere) arrogante (confere) que havia feito uma aposta com os amigos insuportáveis (confere) de que dentro de um mês conseguiria levar a mocinha (não confere) inocente (confere) pura (confere) e bela (confere?) para cama e depois que alcançava o intento, o vil loiro (confere), jogador do time de futebol-americano (não confere?) expulsaria de forma brusca a inocente jovem apaixonada (err… confere?) de sua vida e exporia sua vida sexual a todos?

“Oh, céus! As líderes de torcida devem estar rindo de mim agora” Harry pôs a mão na boca e foi escorregando lentamente até o chão. “Todas as horas que eu passei assistindo Tela Quente não me valeram nada, eu caí na armação adolescente mais antiga da televisão aberta!”

Harry tremia, sem conseguir acreditar que todas as juras de amor trocadas, todos os carinhos, aqueles olhares românticos de Draco e às vezes que ouvira um “eu te amo” dele, era tudo falso. Tudo!

Quer dizer, Draco não havia feito de verdade nada disso, mas, bem… podia-se considerar quase como se ele tivesse, certo?

De qualquer forma… se era tudo como nos filmes (tirando o fato de que Draco não tinha um casaco do time e nunca o havia dado a Harry numa noite fria), o mocinho real deveria aparecer a qualquer momento para resgatar Harry. O mocinho real tinha que ser alguém que esteve sempre ao lado de Harry, alguém que não chamasse muita atenção aos olhos distraídos da mocinha, mas que no fundo escondesse um grande amor. Provavelmente um jovem meio desajeitado, cuja única amizade seria a com a inocente mocinha, um tipo meio nerd e…

Péra. A única pessoa que se encaixava nessa descrição era Neville. Não. Não Neville. Eca!

Harry fez uma careta no mesmo instante que duas senhoras passavam de braços dados, terço e bíblia em uma das mãos. Uma olhou para Harry e deu uma cotovelada na outra, que também o encarou, as duas fizeram um ar de desaprovação e Harry conseguiu ouvir um: “…totalmente maluco, já o vi gritando com sacos de lixo em uma rua do Leblon.” Isso o fez perceber que estava agarrado à grade do prédio de Draco, caído no chão de joelhos, mudando a expressão de desalento para nojo.

Rapidamente se levantou, espanou a sujeira da roupa ao mesmo tempo que espanou os pensamentos da mente. Draco era sim um aproveitador que depois de conseguir desvirginá-lo jogara no lixo, mas aquilo era vida real e não um filme. Na vida real só existem vilões e nenhum mocinho.

oOo

Assim que Harry esticou a mão para tocar a maçaneta e abrir a porta se deu conta, pela primeira vez, que era terça, ele havia acordado, tomado café e andado até o colégio. Não havia reparado o que tinha comido, nem vestido, nem por qual ruas andara. Estava evitando pensar desde a noite anterior, tinha quase certeza que nem ao menos sonhara de noite. Mas agora chegara o momento no qual deveria pensar sobre algo de suma importância: aonde iria sentar na sala de aula? Procuraria o lugar habitual com Draco ou tentaria achar Neville? O vilão ou o possível mocinho?

“Vai ficar parado aí o dia todo?” perguntou uma voz enjoada, outra pessoa soltou um risinho frívolo.

Harry fez um muxoxo ignorando Parvati e Lilá, enfim abrindo a porta. Instintivamente seu olhar procurou o outro lado da sala, onde encontrou Draco, concentrado, lendo o livro de física. A cadeira ao lado dele estava vazia. Harry quase andou até lá, contudo, não podia. Seria humilhado pelo vil jogador de futebol-americano. Começou a andar na direção de Neville antes mesmo de olha-lo, e quando o fez, encontrou o amigo aproximando e afastando a lapiseira do rosto, ficando vesgo quando esta estava muito próxima de seus olhos. Definitivamente ele não podia ser o mocinho da história de Harry.

“Bom dia, Neville” disse se forçando a sorrir, nervoso.

“Ah, Harry, bom vê-lo por aqui” respondeu o menino com um tom de humor.

“B-bom me ver por aqui? Por que diz isso?!” perguntou Harry abraçando a mochila ao se sentar, com medo do que Neville poderia querer dizer com aquilo. Olhou em volta, tentando achar outro lugar para sentar. Ao lado de Ernesto, talvez?

“Ah, sabe, você está quase como um turista do lado de cá da sala. Nesse último mês se sentou sempre do lado de lá, com o Draco.”

“E daí? Quer dizer… você se importa com isso? Algo contra?” estava ficando realmente nervoso com o tom da conversa, será que Neville gostava realmente dele?

“Uhn… não, sei lá. Você e o Draco parecem se dar bem. Era legal você por aqui nas aulas de química, porque agora o Severino desconta praticamente toda a raiva só em mim.”

Harry encarou Neville desconfiado por alguns instantes, vendo se havia algum resquício de mentira no rosto rosado e rechonchudo do outro, porém, desistiu quando Neville de repente fez uma careta exagerada e se remexeu desconfortável na cadeira.

“Argh! Meu celular, guardei ele no bolso de trás e ele vibrou. A aula vai começar” riu o menino sem graça, tentando explicar a Harry o que acontecera.

Harry fingiu que compreendeu – e que não estava se perguntando por que uma careta tão grande ou o que o começo da aula tinha a ver com o celular guardado no bolso de trás –, finalmente soltou a mochila do abraço apertado e colocou-a no chão ao lado da mesa. Definitivamente Neville não parecia em nada com qualquer tipo de mocinho de filme. Se bem que de um jeito esquisito ele era até bonitinho…

Ok, não quando ele ficava vesgo como agora, ao voltar a por a lapiseira na frente do rosto… isso era saudável? Quer dizer, por que ele ficava afastando e aproximando a lapiseira de si? Precisava mesmo fazer isso em público? Harry rodou os olhos, ignorou o vizinho de mesa e pegou um lápis no próprio estojo e começou a rabiscar a mesa até o professor Remus entrar em sala, atraindo toda a sua atenção. Afinal, física era sua matéria favorita e nada era-lhe mais agradável que a matéria.

A aula, como tudo aquilo que é bom, passou como um flash, e logo chegou o intervalo, junto com ele trouxe uma pergunta de Neville:

“E aí, como vai o trabalho de química? Pronto para entregar amanhã? Eu e o Simas vamos ter que correr hoje, ele vai dormir lá em casa para conseguirmos terminar a tempo… Mas você parece que está se dando bem com o Draco…” havia ali um leve tom de inveja.

“P-por que esse tom de voz ao falar de Draco, Neville?” perguntou Harry já com medo da resposta.

O menino rechonchudo encarou-o por alguns instantes, aparentemente confuso.

“Ah… sei lá, o Draco é bom em química. Imagino que vocês já tenham terminado tudo, não vão passar a noite acordados como eu e o Simas.”

“Bom, para a sua informação, eu não faço a menor idéia se terminamos o trabalho” respondeu tentando afastar a idéia de Neville ser o mocinho do filme. “E parece que nunca mais vamos passar a noite juntos…” acrescentou tristonhamente para as próprias mãos.

“Como?”

“Ahn, nada não Neville. Estava falando sozinho” riu sem graça pensando em algum bom lugar para enfiar a própria cara. Caberia ela no buraco do apontador de lápis?

Inconsciente como estava, admirando o furo do próprio apontador, mal reparou que Neville deu até logo, passou por ele e saiu da sala, foi quando a porta bateu que se deu conta de que estava sozinho. Olhou em volta e encontrou apenas mais uma pessoa presente: Draco, do outro lado da sala, parecendo que havia acabado de acordar de cima do livro de física. Harry nunca imaginou que viveria para ver aquela cena.

“Há!” gritou em tom de triunfo antes que pudesse se conter, Draco deu um pulo em sua própria cadeira e o encarou surpreso, Harry cobriu a boca com as próprias mãos, arrependido de ter gritado tão intimista.

“Ah, você…” Draco fechou o livro e se levantou, ajeitando a roupa. Harry ficou chocado com o tom frio utilizado pelo outro.

“É, eu mesmo” respondeu zangado. “Chegar ao ponto de dormir numa aula é só pela sua arrogância com o trabalho de química? Deveria me dar o que falta para terminar, você sabe muito bem que eu não sou tão inút…”

“Já terminei tudo.”

“Quê?”

“Eu disse que:” começou o surfista pausadamente “ Já. Terminei. Tudo.”

“E onde está o trabalho?” perguntou Harry esquecendo momentaneamente que estava zangado com Draco.

“Na minha casa” respondeu como se fosse óbvio.

“Eu tenho que vê-lo antes de entregarmos, saber como ficou…”

“Você pode ver amanhã quando eu entregar.”

“Nada disso, eu vou hoje na sua casa ver como ficou” disse em um tom que deixava claro que não havia discussões.

“Eu tenho curso a tarde toda” Draco começou a andar na direção da saída, quase como se estivesse fugindo.

“Então é assim? Você está realmente me descartando depois de tudo que nós…” mas Draco já havia saído e seguia ligeiro pelo corredor. Ou as coisas haviam mudado repentinamente, ou Harry estava ficando realmente pirado.

Voltou a se largar em sua própria mesa e a encarar o apontador. Será mesmo que sua cabeça não cabia dentro daquele buraco de apontar? A resposta não veio até que o sinal tocou novamente, mais aulas, mais sinais, e mais aulas e mais sinais, depois aulas e mais…

“Harry, a aula já terminou” a voz de Neville soou distante.

“Oi?” perguntou ainda aéreo, percebendo que as pessoas saíam da sala, o professor guardava suas coisas e ele ainda estava tentando terminar de escrever o mais novo poema para o seu fotolog.

“Posso passar?” perguntou Neville apontando para a minúscula fenda deixada pela cadeira de Harry e a mesa de trás.

“Ah, tá” respondeu o menino ainda aéreo, pensando como terminaria o poema, que foto colocaria? Logo teria que começar a repetir fotos, porque as que tinha estavam acabando e aparentemente não tiraria novas nem tão cedo.

“Harry…” insistiu Neville com um tom tímido, esperando que o outro abrisse passagem.

“Ah, foi mal Nev” respondeu afastando a cadeira enquanto observava distraído o amigo indo embora. Se Neville fosse um pouco mais magro seria até bem bonito, talvez se esperasse os anos passarem e tempo amadurecê-lo, o amigo desse um mocinho digno…

Eca! No que estava pensando? O relacionamento dele e de Draco não havia nem ao menos terminado oficialmente e ele já estava avaliando suas possibilidades com outro menino? Tudo bem que Neville era seu amigo de longa data, mas ainda assim, Harry não era gay como Draco gostava de afirmar, nunca tivera interesse por meninos para ficar agora achando que seu futuro estava com outros garotos…

O que ele precisava mesmo era ir para casa, tomar um bom banho, terminar aquele poema e ficar navegando pelo mundo dos fotologs, fazendo novos amigos virtuais.

E foi assim, tentando não pensar muito e aliviando suas amarguras no mundo virtual que aquela terça-feira passou, incólume e vazia, exatamente como Harry se sentia.

oOo

“Olhando pelo lado positivo, só ontem escrevi três poemas, muito mais do que conseguia fazer estando bem com Draco. A depressão é o que move o mundo da arte”, pensava Harry enquanto refazia a chapinha na franja de seu cabelo e passava mousse na parte de trás para que ficasse bem arrepiada. “Vou agradecer a isso tudo quando for um grande poeta” mesmo que pensasse essas coisas e tentasse ver o lado positivo de tudo, Harry se sentia mais desanimado que nunca. Pelos menos mais do que o normal em quartas-feira com aulas de química no primeiro tempo.

“Oh, merda!” disse ele olhando no relógio enquanto jogava a franja para o lado. Ficara tão distraído se arrumando como há tanto tempo não fazia, que perdera o horário. Mas ainda havia esperança!

Pegou a mochila, jogou o estojo dentro dela de qualquer jeito e correu, agradecendo ao musse, por não deixar seu cabelo se desfazer.

O mundo parecia estranhamente conspirar para que tudo desse certo. O elevador já estava parado no andar dele quando chegou. Ao sair de casa e correr para a rua na qual o ônibus passava, encontrou-o retido no sinal e o alcançou bem a tempo. Por algum motivo assustador e excepcional, o motorista parecia com pressa, eram seis e pouco da manhã e mesmo assim o ônibus correu tão rapidamente que em cinco minutos ele havia chegado ao colégio.

Entrou segurando o cabelo, evitando que se embaraçasse na corrida frenética, pegou a escada para o segundo andar e teve sorte de não dar um encontrão com nenhum dos alunos mais novos que se reuniam no meio do corredor para jogar papo fora, chegou à porta da sala de aula, se abaixou e inspirou profundamente por alguns instantes. Tudo tinha dado certo. Deu uma última ajeitada na franja, empurrou os óculos na ponte do nariz, girou a maçaneta, deu dois passos para a frente e, o sinal tocou.

TRIIIIIIIIIIM

Harry por instinto segurou a respiração. O sinal sempre era um mal presságio. Contudo, dessa vez ele já estava dentro da sala de aula, e ninguém poderia negar isso.

“Em cima da hora, como sempre, Sr. Harry. Se perdeu nos corredores da escola?” disse o professor Severino com seu maior tom de desdém.

Harry olhou-o desafiante e entrou na sala, estava fechando a porta quando esta se abriu bruscamente, empurrando-o para longe e quase fazendo-o cair.

“Lamento o atraso, professor” disse a voz arrastada e nem um pouco lamentosa de Draco. A postura era altiva e desinteressada, no entanto, Harry percebeu que ele parecia tenso. Não por conta de Severino, obviamente, pois o professor nem se dignou a olhá-lo duas vezes. Por que Draco estava nervoso? Provavelmente por conta do trabalho de química mas… os dois sabiam muito bem que o trabalho deveria ter ficado realmente bom, ou Draco não teria dispensado Harry tão fácil. Ou será que algo tinha dado errado?

“Você trouxe o…” Harry começou a perguntar em um tom baixo, quase esquecendo que estava zangado e ofendido com Draco.

“Feche a porta, Sr. Harry. E sente-se, você está atrapalhando a aula” disse Severino ignorando com prazer o fato de que Draco chegara atrasado e que ele deveria fechar a porta por ter sido o último a entrar.

Sabendo que não valeria o desgaste de uma discussão inútil, Harry simplesmente fechou a porta, mau humorado. Não adiantava exigir justiça e imparcialidade aquele professor. Estava se virando na direção de Neville quando uma mão o agarrou pela alça da mochila e o arrastou em direção ao outro lado da sala. Ele esqueceu de protestar a ação repentina ao se dar conta de que era Draco quem o estava puxando para o outro lado da sala, era uma mensagem bem direta de que queria sentar junto dele. Será que não estava tudo perdido?

Daquele lado não havia uma dupla lado a lado de cadeiras vagas, porém, bastou que Draco falasse algo baixinho para um dos meninos sentados sozinhos que ele mudou de cadeira, indo se sentar ao lado de um amigo e liberando o espaço para os dois ficarem juntos. Draco se sentou na cadeira ao canto e tentou puxar Harry para a cadeira a seu lado, no entanto, após o susto de ser puxado tão de repente, Harry havia se recuperado.

“Não!” exclamou sem perceber que praticamente gritara isso.

Draco estreitou os olhos de forma perigosa. Harry estufou o peito e cruzou os braços, não iria ceder tão fác…

“Sr. Potter…” ouviu o tom mais venenoso de Severino e automaticamente desinflou o peito, nada de bom poderia vir dali. “O senhor vai se sentar ou continuará agindo como a grande aberração da turma, ficando de pé no meio da sala?”

Exatamente quando cuspiu a palavra ‘aberração’ com escárnio, o professor fez questão de lançar um longo olhar de cima a baixo em Harry, que fechou naturalmente as mãos em punhos. Quem era aquele homem asqueroso para chamá-lo de aberração? Quando ele mesmo só se vestia com aquele jaleco preto fechado até à gola e aquele cabelo mal cortado ridículo e oleoso?

“Harry, senta logo” sussurrou Draco em um tom zangado. “Você não quer que ele tire pontos do nosso trabalho, quer?”

Com um bufo despeitado Harry se jogou em sua cadeira, olhando feio para as pessoas daquele lado da sala que ainda riam do que o professor Severino havia dito.

“Muito bem” começou Severino olhando todos da sala com um ar sádico pairando em seu rosto macilento. “Espero que todos tenham se lembrado que hoje é o último dia para a entrega do trabalho que eu passei há um mês para vocês. Quero alguém da dupla venha até a minha mesa e entregue o seu trabalho. Em ordem, sem algazarra. Não permitirei conversas desnecessárias.”

Draco automaticamente se pôs a mexer em sua mochila e Harry se retesou. Será que tinha dado tudo certo? E o ar de nervosismo que tinha visto pairando sobre o surfista assim que chegara? E o atraso? Sem perceber, Harry havia prendido a respiração, soltando-a toda de uma vez quando viu a pasta plástica na mão de Draco com uma resma de folha encimada pela capa que eles haviam feito no computador.

“Está tudo certo?” perguntou em voz baixa para o surfista. Ele precisava muito daquela nota em química.

“É claro que está. Eu disse que havia terminado o trabalho ontem” respondeu Draco arrogante, ainda assim, Harry não viu nenhum sinal de que o outro estava mentindo.

O trabalho estava ali na mão dele, grande, parecendo completo e organizado, como deveria ser. Então, o que poderia haver de errado com Draco? Por que aquele ar preocupado ainda pairava sobre o menino? Será que ele se sentira mal pela forma como tratara Harry? Será que ele afinal não era o vilão maldoso da história que apenas queria levar a moci… Harry para a cama? Bom, ele tinha feito questão (de forma meio brusca e mal educada) de que Harry sentasse com ele, isso poderia significar um avanço, certo?

“Sai da frente, lesado” disse Draco pegando Harry de surpresa e empurrando a cadeira dele bruscamente para a frente, fazendo Harry ter as costelas imprensadas contra a mesa para que pudesse passar e entregar o trabalho a Severino.

“PORR- Poxa vida, Draco!” exclamou Harry se impedindo no último instante de soltar um palavrão bem audível.

Draco não olhou para trás, não pediu desculpas e pareceu não se importar. Foi até a mesa de Severino e entrou na fila que se formava em frente à mesa do professor. Harry afastou a cadeira da mesa e agarrou o primeiro lápis que viu pela frente. Começou a rabiscar a mesa furiosamente. Maldito surfista arrogante e mal educado. O que ele queria afinal? Só ter o gostinho de maltratar Harry um pouquinho mais?

Assim que Draco saiu da fila e veio na direção em que eles estavam sentados, Harry se retesou, se o surfista pensava que iria imprensá-lo pela segunda vez estava muito enganado, ele estaria pronto para revidar. Se o surfista viesse empurrando-o ele colocaria toda a sua força para trás e o derrubaria de cara no chão. Rá!

Contudo, Draco passou sem nem encostar na cadeira dele, se sentou em seu lugar e encarou Harry determinado.

“Ok, o motivo de eu ter te feito sentar comigo é que o Severino me avisou que hoje ele fará algumas perguntas sobre os trabalhos para os alunos que valerão pontos extras, e como você é minha dupla e um dos alunos mais detestados dele, é melhor ficar ao meu lado para que eu possa te ajudar caso ele escolha você.”

“Eu fiz o trabalho junto com você, não preciso da sua ajuda para responder perguntas. E duvido que ele vá me perguntar qualquer coisa, aposto que o amor dele por você é maior que a vontade de me ferrar.”

“Você não fez o trabalho comigo, eu terminei ele todo sozinho” disse Draco com escárnio evidente na voz.

“Porque quis!” Harry percebeu que elevara a voz, por isso instintivamente voltou a sussurrar zangado. “Se tivesse me deixado ficar na sua casa até tarde, eu teria te ajudado com o trabalho.”

“Ah, claro. Provavelmente você me atrapalharia ainda mais!” a voz de Draco era irônica, contudo, não parecia ter força suficiente, ele mesmo sabia que estava mentindo.

“Eu nunca atrapalhei o trabalho” comentou Harry praticamente sibilando. De repente se sentiu ofendido como nunca, o que Draco estava dizendo?

“Só não estrague tudo com a sua idiotice” disse ele ríspido, mudando de assunto e se virando de frente para a sala, dando um tom de ‘assunto encerrado’.

Harry sentiu vontade de jogar a própria mesa sobre a cabeça daquele imbecil parafinado, porém, se conteve há tempo, quando o professor Severino se levantou e começou a andar de um lado para o outro na frente da classe. Exatamente como um grande morcego escolhendo de que aluno beberia o sangue.

“Sr. Neville…” começou ele com uma voz tão sádica que fez o pobre jovem do outro lado da sala se encolher ao ouvir seu próprio nome. A turma automaticamente caiu em um silêncio mórbido, prevendo que nada bom viria. “Gostaria de fazer algumas perguntas a respeito do trabalho. Perguntas essas que valem pontos caso acerte. Mas pense bem antes de responder, se errar perderá um ponto inteiro.”

Neville se encolheu em sua própria cadeira enquanto engolia em seco, lançou um olhar consternado e rápido a Simas, atrás de si, que passou do pálido assustado ao verde doentio lentamente.

“Como o sódio foi isolado pela primeira vez?”

Neville parecia prestes a colocar o café da manhã para fora. Ele precisava tanto ou mais da nota quanto Harry, e não podia se dar ao luxo de perder um ponto inteiro, ou teria de ver Severino não somente nas aulas, bem como nas férias para a recuperação. E ninguém queria encontrar Severino nas férias, não mesmo.

“Ahn…” começou o menino exitante, olhou para Simas em busca de apoio e o menino fez um movimento de encorajamento com a cabeça, ainda que parecesse tão temeroso quanto Neville. “Foi por meio de… uma eletrólise da soda cáustica?” Severino levantou uma sobrancelha, um ar sádico começava a nascer no rosto dele, Neville se desesperou, falou em um guinchado que fez metade da turma rir. “Soda cáustica fundida. Fundida!”

O sorriso de Severino lentamente desapareceu, ainda que continuasse com o tom de ironia no rosto. Sem dizer nada ele se virou e voltou a andar pela sala de aula. Neville sentiu um alívio imediato, a cor voltou a seu rosto rechonchudo, ele e Simas sorriram um para o outro, e o menino de trás deu uma tapinha nas costas do amigo, comemorando a primeira vitória do dia.

Contudo, Severino não deixaria barato. Aquela havia sido só a primeira pergunta para a dupla, no final da aula, os alunos sabiam basicamente como o professor queria o trabalho, pois suas perguntas reconstruíram todas as pesquisas que eles tiveram hipoteticamente de fazer. Severino olhou ameaçador para Harry uma ou duas vezes, o menino nessas horas se retesava e se preparava para as piores perguntas, no entanto o professor apenas crispava os lábios em desaprovação e se voltava furioso para outro aluno.

Draco respondeu de bom grado à umas três perguntas e ao final de cada uma delas Severino sorria em aprovação, aquele esgar estranho e deformado em seu rosto. O sinal já estava quase batendo, quando ele resolveu arranjar mais uma pergunta para prender os alunos até o último momento.

“Para encerrar a aula, a última pergunta, valendo um ponto inteiro. Na média” todos de repente estavam prestando total atenção, era o que a maioria ali precisava para passar de semestre tranqüilamente. “Qual o ponto de fusão e o de ebulição do Sódio? E, qual a origem de seu nome?”

A turma protestou audivelmente, o professor estava fazendo três perguntas e não uma só, ninguém naquele momento parecia querer ser escolhido. Ganhar um ponto na média era interessante, mas perder esse mesmo ponto não seria nem um pouco benéfico. Então Severino se virou na direção de Draco e Harry, olhou diretamente nos olhos do menino com aquelas orbes negras e sádicas, a pele macilenta se contorcendo em um sorriso que beirava o cruel. Com uma voz baixa e venenosa ele pronunciou o nome.

“Sr. Harry, poderia me responder?”

Harry sustentou o olhar de Severino, aparentando mais segurança do que sentia. Na verdade estava na dúvida qual o ponto de ebulição e qual o de fusão… Respirou fundo, sentiu Draco tenso a seu lado, mesmo que na verdade, se Harry errasse aquela questão não houvesse perda para o trabalho em si, só para a nota dele, e bem, isso significava recuperação na certa.

Lembrando-se que o sódio era um metal alcalino, o ponto de ebulição deveria ser o maior, e o de fusão, o menor. Se não fosse isso, bem ele estava ferrado. Mas era melhor não pensar muito no assunto. Abriu a boca para responder, sentiu Draco se aproximar dele, como se estivesse prestes a sussurrar a resposta, no entanto, Harry só tinha olhos para Severino. Era hoje que iria obrigá-lo a dar pontos e não tirá-los.

“O ponto de fusão do sódio é noventa e sete vírgula oitenta graus, e o ponto de ebulição oitocentos e oitenta e três graus. A palavra sódio vem do italiano ‘soda‘, que significa sem sabor.” Harry disse tudo rápido, com medo de que se desacelerasse perdesse a linha de raciocínio e acabasse falando algo errado. Tentou colocar uma máscara de indiferença enquanto observava atentamente a expressão de Severino.

O professor primeiro deixou transparecer uma leve surpresa por seu rosto, em seguida crispou os lábios e fulminou Harry com o olhar, como se ele fosse o culpado de um crime terrível, e não um aluno que acertara a pergunta mais complexa que ele fizera.

“Vejo que você pelo menos absorveu alguma coisa ao fazer o trabalho com o Sr. Draco” disse ele se virando da forma teatral de sempre.

Harry se virou instintivamente para Draco e o encontrou sorrindo. Não um daqueles sorrisos irônicos e desagradáveis, mas um sorriso sincero, como se estivesse realmente orgulhoso por Harry ter acertado a pergunta. O sorriso sumiu em um piscar de olhos, quando os olhos dele encontraram os de Harry. Draco se aprumou em sua cadeira e voltou sua atenção para a frente da sala, como se tivesse ainda alguma matéria a ser lecionada naquela aula.

Severino andou lentamente até sua cadeira, se sentou, cruzou as mãos em frente ao rosto, olhou longamente para todos os alunos de rostos ansioso e quando estava satisfeito com o que vira, disse:

“Por hoje é isso. Estão liberados” então o sinal que marcava o fim da aula e o início do primeiro intervalo tocou. Como sempre, Severino não podia liberá-los nem um minuto antes do sinal.

oOo

“Draco!” merda. O que ele estava fazendo? Por que estava chamando o maldito? Não deveria dar atenção, não deveria estar fazendo isso. Contudo, lá estava ele, correndo apressado com a mochila apenas sobre um ombro, fazendo sua franja voar, e despentear-se, algo que ele vinha evitando o dia inteiro.

Pelo menos o surfista idiota fizera o favor de para de andar, se virou na direção de Harry parecendo desagradado em vê-lo atrás de si.

“O que você quer?” perguntou em um tom quase mal educado assim que Harry o alcançou.

“Ahn…” começou o jovem inseguro. Caramba, ele não podia mesmo estar fazendo isso, era humilhante, degradante, e mesmo assim tinha de ser feito, não poderia ficar mais um dia se remoendo em dúvidas sobre Draco ser ou não ser o vilão abusivo do filme. “Então, quarta você não tem muita coisa para fazer, que tal a gente ir para a sua casa e…”

“E fazer o que?”

“Ah… sei lá, qualquer coisa.”

“Harry, o trabalho terminou, não temos mais nada para fazer juntos.” respondeu o surfista em um tom frio e distante. Harry pensou em parar por ali, mas precisava chegar até o fim.

“E o nosso acordo. Aquele que fizemos…. uhn… há um tempo atrás. Sabe, sobre a Pansy” acrescentou em um sussurro só para Draco.

Viu o rosto bronzeado do outro se tornar pálido, e assumir uma expressão zangada.

“Não há mais acordo. Não preciso mais dos seus serviços” respondeu em um tom que incomodou Harry sobremaneira, fez parecer que os ’serviços’ eram algo degradante.

“E como você vai se livrar da Pansy sem mim?” perguntou Harry irônico, tentando atingir o ponto fraco de Draco.

“Eu me viro sozinho. Não preciso mais de você, já me deu tudo o que eu precisava” havia ali um ar de duplo sentido, Harry não captou de primeira sobre o que ele poderia estar falando, no entanto, ficou devidamente indignado.

“Ora, seu…” fechou as mãos em punho e imaginou que não seria tão ruim assim espancar aquele parafinado maldito bem ali.

“Olha, Harry” prosseguiu Draco com um tom intimista, sério. “O que nós tínhamos acabou. Não posso mais ficar por aí brincando com você. Não fica mais me procurando, preciso de espaço.”

Ele andou e foi embora. Harry continuou parado, com a boca aberta imaginando se acabara de ouvir o que ouvira.

Primeiro ele era quase uma puta, depois Draco diz que já havia tido tudo o que precisava, que provavelmente seriam favores sexuais, então depois ele falara como se Harry fosse, além de um brinquedo, alguém possessivo que não desgrudava do pé dele. Espaço?! O que ele quis dizer com ESPAÇO?

“E aí, Harry?”

O jovem, ainda em estado de choque e revolta se virou, e encontrou Neville, que deu uma tapinha amigo em seu ombro. Era isso. Draco era de fato o jogador de futebol americano manipulador e insensível que só queria levar a mocinha para a cama. E a mocinha imbecil caía na dele enquanto o verdadeiro mocinho, bonzinho e que a amava verdadeiramente estava sempre a seu lado, consolando-a nos piores momentos e fazendo-a finalmente enxergar a verdade, o jogador de futebol americano gostosão não valia nada, era melhor ficar com o nerd simpático e sincero.

“Ah, Nev…” suspirou Harry antes de se pendurara no pescoço do amigo, jogando seu peso ali.

“Argh, Harry!” exclamou o menino com uma voz sufocada.

“Ah Nev… eu deveria ter prestado mais atenção na Sessão da Tarde. Você me perdoa? Nunca mais me deixo levar pelo jogador de futebol americano bonitão!”

“Que? Jogador? Argh! Harry, você é pesado” tentando sustentar o amigo no lugar, Neville em algum momento deve ter percebido que Harry se encontrava num estado lastimável, pois parou de se mover, se ajeitou e deu uns tapinhas sem graça nas costas do amigo. “Uhn… bem. Er… eu te perdôo?” disse ele inseguro.

Harry olhou no rosto rechonchudo e rosado de Neville, bem dentro daqueles olhos castanhos inundados da mais pura confusa inocência, viu o menino simpático e atrapalhado que o amigo era, viu a desengonçadisse dele, a força oculta e a firmeza de caráter, então, percebeu em um estalo que não era Neville o mocinho de sua história. Ele tinha ali um amigo, não um amante. Estava sozinho no mundo novamente.

“Você é um cara legal, Nev” disse Harry se recompondo e colocando a mão no ombro de Neville, como se nada tivesse acontecido.

“Er… Valeu, Harry. Eu acho.” Neville corou e olhou para os lados, consternado. “Quer tomar um suco na lanchonete do outro lado da rua? Você parece que precisa conversar…”

“Não, eu vou para casa, escrever poemas, tirar fotos e pensar se devo ou não cortar os pulsos. Esse mundo é tão cruel, e gélido. Não há amor no mundo Neville. O amor é a ilusão dos tolos!” dizendo isso, se aprumou e voltou a andar para fora do colégio, ignorando os olhares de riso em sua direção.

“Bem, qualquer coisa, pode me ligar…” disse Neville inseguro, em um fiapo de voz apenas audível, como se na verdade tivesse medo que Harry realmente resolvesse ligar.

Harry apenas andou, sendo guiado por suas pernas, deixando a franja cobrir o rosto e o escuro de sua calça penetrar a sua alma. Esse era o fim. O fim que ele merecia por ter um dia acreditado que Draco não queria apenas usá-lo. A relação dos dois ficara bem clara desde o início, se ele fizera questão de achar que poderia haver algo a mais, era culpa dele.

Ao chegar em casa, pegou a primeira canetinha preta que achou e começou a rabiscar os próprios braços com símbolos que ele considerava que expressassem o seu interior naquele momento. No fotolog postou uma foto sua, sozinho, com um olhar desamparado e uma única frase:

Xabia q naum iamus dar xertu, exe eh o fim. Love is an excuse to get hurt.


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4 Responses to “Amor é uma desculpa – Capítulo 13”

  1. Você esta de parabéns pelos ‘contos’, apesar de gostar mais dos reais com nomes reais e bastante detalhe…. não consigo resistir as sua histórias (que eu só li os SLASH)….

    Esse foi ótimo E o “Imagine Você” então….

    também adoro trilha sonora mas não consegui as musicas de despertador nessa história, se poder me ajudar agradeceria.

    Ah só queria saber detalhes dessa história….
    Foi Real? Nomes por favor naum vou contar pra ninguém…rsrrsrs.
    Foi só isso? voce nen temtou chegar nele e diser que o ama??

    Enfim muito bom.. pelo menos voce teve uma pessoa pra chamar de meu….

    Lembro de vc ter colocado em uns de seus contos mas naum me lembro agora exatamente…

    Pq o amor naum é como na ficção? pq na vida real é sempre mais difícil?….

    Love is an excuse to get hurt.

  2. Perai… se naum é real quem é aquele fotolog????

    eu naum to entendendo mais nada……….

    de que sexo vc é?? quantos anos???

    no orkut tem uma garota………

    Ah esquece ja desistir de entender a muuuito tempo……….

  3. O fotolog foi criado por uma amiga minha, como presente de “aniversário de amizade”, então, cada foto postada lá, ela procura pela internet algo que se encaixe com os capítulos e posta, no contexto da história. Pq né, na fanfic o Harry tem um fotolog e eu digo que o nome é /scardoll, por isso essa amiga criou o fotolog com o nome e começou a postar como se fosse o próprio Harry =P

    E eu sou menina, como diz o meu orkut XD

  4. Que saco, me endentifiquei tanto com ele…………

    isso é pra mim apreder a naum sair da minha comu onde eu sempre li meus contos……

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