O mundo de um youkai
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[Capítulo 1]
Ron deu uma longa fungada, piscou os olhos continuamente os ajustando a toda a claridade do céu azul, puro, limpo. Nem parecia que há três dias consecutivos havia nevado incessantemente. Sua mão passou pela neve ao lado do corpo, ele sabia que logo estaria úmido, tremendo e até espirrando antes mesmo que levantasse da neve. E ainda assim permanecia deitado no quintal, como se esperasse algo.
E o curioso é que ele realmente esperava. Aquele era o primeiro dia das férias de Natal. Não que ele realmente precisasse desse tipo de coisa de gente grande, sua vida era uma grande e constante férias. Isso pelo menos até mamãe não achar que eles tinham que estudar alguma coisa. Às vezes conseguia cabular as atividades com Ginny, já que ambos eram os menores, podiam inventar uma desculpa qualquer e Molly acabava se distraindo com os gêmeos para se preocupar com os caçulas. Guerrear contra os gnomos do jardim era a atividade cabulatória favorita de Ron e Ginny. Ultimamente eles sempre terminavam vencendo, afinal, as criaturinhas pareciam estar ficando cada vez menores. Mamãe dizia que ele estava crescendo, que talvez virasse um menino bem alto, mas ele ainda assim achava que os gnomos também estavam encolhendo, pelo menos um pouquinho.
Ron espirrou, um daqueles espirros que pegam a pessoa de surpresa, fungou novamente e estava passando a mão enluvada pelo nariz quando ouviu os risos, passos e o som do portão sendo aberto, tudo ao mesmo tempo.
Se levantou de um salto no mesmo instante, abaixou-se desajeitadamente por causa dos quilos de roupa que seu pequeno corpo vestia e juntou um montinho de neve nas mãos, ainda tentou mais ou menos moldá-lo enquanto corria, gritando.
Os três Weasley que entravam pelo portão estancaram momentaneamente ao ouvir a espécie de grito de guerra infantil e uma diminuta criatura vestida com grossas roupas coloridas correr na direção deles, as tiras das abas do gorro revoando furiosamente atrás de sua cabeça, viram também o monte de neve que Ron segurava nas mãos. Sr. Weasley deu um longo passo para o lado, ainda carregando os malões, Percy se jogou para o mais longe que conseguiu e Bill se encolheu levemente por instinto, sabia que era ele o alvo.
Ron podia quase sentir o cheiro da vitória, porém o que realmente sentiu foi uma pancada forte em sua nuca, inevitavelmente se desequilibrou e caiu, se esparramou de cara no chão, sua boca aberta no grito de guerra foi atolada de neve e a rústica bola que pretendera arremessar em Bill caiu tola e inofensivamente aos pés do irmão mais velho.
Fred começou a rir escandalosamente alto.
“Na mosca.” disse George rindo também e batendo em cumprimento no ombro do irmão.
Fred ainda abriu a boca para fazer algum de seus comentário espirituosos sobre Ron, que começara a se levantar e parecia estar cuspindo aparentemente toda a neve do jardim, quando um montinho branco passou raspando pelo rosto de George e acertou Fred em cheio na bochecha. Da sua boca saiu apenas uma exclamação de choque e dor.
“Pega essa idiota.” disse Ginny dando-o a língua por entre os dois dentes que faltavam na frente da boca.
“Ginny…” disse Sr. Weasley em tom de aviso enquanto passava com os malões para dentro de casa. A menina apenas fez uma expressão emburrada e esperou o pai entrar e fechar a porta para repetir:
“Idiota.” disse para o irmão e correu. Fred se abaixou pegando um montinho de neve, acabou deixando sua nuca exposta, Ron não hesitou muito, embora na pressa, tenha errado feio o arremesso.
“Nossa, você é muito ruim!” exclamou Ginny para o irmão, que ficou vermelho e fez um muxoxo.
“Você está do meu lado ou do deles?” perguntou revoltado.
“Do de ninguém banana!” e dizendo isso ela espremeu um montinho de neve na cabeça de Ron, que estava tão surpreso que não lembrou por longos instantes de fechar a boca, enquanto via a irmã correndo e gritando em seguida:
“Cada um por si!!!”
E então, fez-se o caos.
Uma guerra de bolas-de-neve poderia se dar de diversas formas, usualmente haviam dois ou mais times, equipe contra equipe, porém, também podia ser algo individual, e o último a sobrar em pé era o vencedor. Claro que quase nunca durava o suficiente para todos estarem caídos, sempre chegava a hora do jantar, mamãe aparecia gritando ou papai mandava todos para dentro.
E assim, Percy, que no momento se achava um pouco grande de mais para brincar disso, tentou sorrateiramente atingir o calor do interior da casa, isso até três bolas praticamente ao mesmo tempo o acertarem. Uma na cabeça, outra nas costas e uma na coxa. Ginny, Fred e Ron. Ao cair metade esparramado no tapete da porta dos fundos e as pernas ainda na neve, cinco vultos o rodearam e então jogaram todos ao mesmo tempo bolas em Percy, que tentou inutilmente proteger a cabeça.
Mas ele não era um Weasley nem havia sido posto na Grifinória a toa. Limpando os óculos como pôde, ele enxergou quem estava a sua volta, rolou com toda a força que pôde para a esquerda, Ginny caiu de bunda na neve quando o irmão veio para cima dela. Livre do cerco, Percy correu para o mais longe do grupo que podia, se abaixou até o chão e começou a bombardeá-los com montes de neve mal formados.
“Seus ridículos! Não sabem nem atacar!” e continuou arremessando.
Ginny gritou, Ron correu, Fred e George se abaixaram e Bill acertou Ron pelas costas. Ron escorregou alguns metros pelo chão fofo, assim que parou juntou um monte de neve e começou a arremessar em qualquer coisa que se mexesse. Ele não ia ser o primeiro a cair, não de novo. Dessa vez ele iria até o fim, e ia destruir Bill.
Mais alguns minutos se seguiram de puro caos, Ron acertava e era acertado, mas seus olhos estavam sempre atrás de seu irmão mais velho, Bill pagaria por todas as guerras que Ron perdera, verão passado, na guerra de lama perto do rio Bill começara tudo ao empurrar o mais novo de cara num monte de lama, desde aquele dia Ron prometera que nas férias de inverno iria destruí-lo com todas as bolas de neve que pudesse. Não importava se Bill insistisse em afirmar que ele não empurrara Ron propositalmente, que ele havia tropeçado, Ron não ligava, nem sabia ao menos o que a palavra ‘propositalmente’ significava!
“Hey, psiu! Ron!”
Virou-se automaticamente na direção da voz e arremessou uma bola, viu longos cabelos ruivos revoando e voltando a se esconder atrás da bromélia no canto do quintal.
“Eu quero falar com você seu bundão! Missão de paz!”
“Não existe missão de paz numa guerra cada um por si.” respondeu ele já juntando um novo monte de neve.
“Claro que existe, se não eu não estaria aqui!” respondeu a menina como se falasse a coisa mais óbvia do mundo à pessoa mais obtusa do universo. Ron tinha 7 anos, dentro de alguns meses, 8. Não demorou muito desconfiando ou pensando, logo correu para de trás da bromélia, ao lado de Ginny.
“Então?” sussurrou ele como se compartilhassem um segredo.
“Você quer vencer o Bill?” perguntou ela de volta também sussurrando.
“Eu sei que é quase impossível, mas no verão passado ele me empurrou e eu…!”
“Tá, tá, você passou o ano todo falando disso, eu sei.” disse Ginny para um Ron cada vez mais emburrado. “Estou falando em uma união.”
“Quem vai casar?” perguntou confuso.
“Não idiota. União entre nós, um negócio.” como Ron continuasse com um olhar intrigado, Ginny prosseguiu. “Eu não atiro em você, você não atira em mim, aí fica mais fácil se preocupar com o Bill.” Ron pensou na proposta, apesar de não ter muita força, Ginny tinha uma excelente pontaria, o que não tornava aquilo um mau negócio.
“E como eu vou saber se você não vai quebrar a promessa?” perguntou desconfiado.
“Aqui.” disse Ginny retirando a luva da mão direita com os dentes e cuspindo na palma, em seguida estendeu-a para o irmão.
Ron pareceu pensar por alguns segundos, até que chegou a conclusão de que o acordo não seria tão ruim assim, retirou sua própria luva e também cuspiu na palma aceitando em seguida a mão estendida de Ginny.
“Lembre-se que a promessa do cuspe é muito séria.” Não havia nenhum esboço de sorriso em seu rosto, Ginny também assumiu um ar sério.
“Eu sei.” disse reforçando o aperto das mãos cuspidas. “Agora nós temos um acordo, somos alados!” disse feliz, saltando para fora da bromélia.
“Aliados.” corrigiu Ron, mas não tinha certeza se estava muito correto. Colocou a cabeça para fora da planta conferindo o terreno, quando sentiu uma quantidade generosa de neve caindo sobre sua cabeça.
“Acha que pode se esconder para sempre nanico?” perguntou Bill já correndo para longe. Ron levantou na hora e correu atrás, pegando no caminho um bocado de neve.
O que aconteceu naquele momento seria o assunto da família por todo o feriado natalino. No fim das contas ninguém sabia verdadeiramente o que tinha de fato acontecido, nem mesmo Ron ou Bill saberiam se a versão de Fred sobre o gnomo era mais verdadeira do que a de Ginny sobre a possível mágica que vira Ron acidentalmente fazer.
O fato verídico, é que foi tudo muito rápido, mas começou e terminou de formas que são fáceis de concluir.
Bill corria, Ron ia atrás, guardando aquele monte de neve para o momento apropriado, apesar da diferença de duas cabeças entre os dois irmãos, Ron tinha pernas compridas, corria rápido. Porém, não contava com um obstáculo inesperado no meio do caminho. Poderia ter sido uma pedra, um galho, uma raiz, ou até mesmo um gnomo incauto como afirmava Fred, o fato é, Ron tropeçou, e seu ímpeto o levou direto para frente, como se ele voasse, pelo menos durante alguns segundos. O que infelizmente coincidiu com o momento em que Bill se abaixara para recolher um pouco de neve, ainda em movimento. Ron voou em sua direção, e então a cena mais memorável daquelas férias aconteceu. De alguma forma mirabolante, e é aí que Ginny diz que houve magia, o mais novo não apenas caíra por sobre Bill, a batida contra o irmão o fizera dar uma pirueta, ele girou desengonçados 360 graus por sobre o corpo abaixado de Bill - que acabou caindo de cara na neve - e se estabacou longe o suficiente para escorregar o rosto de nariz fino direto pela parte de concreto livre de neve ao lado da parede da casa. Doeu.
Fred, George e Percy riram, se dobraram de tanto gargalhar, Percy deixou até seus preciosos óculos escorrerem pelo rosto e caírem na neve, George se apoiava em Fred, que estava prestes a cair tamanha a curvatura que seu corpo fazia ao gargalhar.
E Bill via estrelas, mesmo de olhos fechados, seu pescoço doía do mal jeito da queda e sentia que Ron acertara alguma costela dele.
Ginny foi a primeira a chegar até Ron quando ele começou a abrir o berreiro.
“Ron! Ron!” disse ela tentando ajudar o irmão a se sentar. Foi quando viu seu rosto, fez uma expressão tão trágica que Ron apenas sentiu mais vontade de chorar. Estava perdido, estava morrendo. Só podia ser isso. Sentia até sua vida ido embora numa espécie de ardência.
Ele não podia ver, mas seu rosto não estava bonito. Podia sentir o gosto de ferro na boca, entretanto não sabia o que era, sua bochecha ardia, e não era de frio.
“Você é um bebezão!” disse George se aproximando, de onde ele estava não podia ver o rosto do irmão. Ginny olhou feio para ele. Ron continuava gritando.
“Cala a boca neném, se não mamãe vai vir pra cá e estragar a brinc…” Fred estava dizendo quando viu o rosto de Ron. O mais novo até parou de chorar para encarar o irmão que parara tão repentinamente de falar, os olhos de George demonstravam medo, iam do rosto do irmão ao chão, Ron acompanhou o olhar dele até o chão.
“Eu vou morreeeeeeeeer!!!” gritou desesperado se jogando no chão e sacudindo o corpo freneticamente enquanto continuava a gritar. Ele havia visto sangue, não só no chão como por toda a sua roupa, obviamente, aquilo só significava que ele estava morrendo, ele sabia, podia sentir a vida o deixando.
“Droga, mamãe vai me matar.” disse Bill assim que se aproximou da cena mancando um pouco e massageando o abdômen.
“Não se ela não souber o que aconteceu.” disse Fred, e seu rosto assumiu um ar conspiratório.
“Ah claro, ela não vai reparar numa ou duas gotas de sangue.” disse Ginny que tentava acalmar o irmão, ainda que seus olhos estivessem marejados.
“Ela não vai reparar se não vir o Ron.” disse George, também assumindo um ar conspiratório.
“E como você espera que ela não o veja?” perguntou Bill impaciente, todos sabiam que mamãe estaria gritando e culpando todos eles, principalmente porque tirando Ginny, Ron era o mais novo, e Bill, o mais velho deles.
“Podemos enterrá-lo na neve.” disse Fred ansioso, como se tivesse acabado de dar uma idéia genial.
“Ah, ótimo, enterrá-lo na neve, genial.” disse Bill dispensando a idéia de Fred como se ele não fosse mais inteligente que um gnomo de jardim. Andou até Ron.
“Vamos, é uma boa idéia.” completou George acompanhando Bill. “Nós o enterramos, e ele fica congelado lá, até cicatrizar, depois o buscamos. Mamãe não vai sentir falta dele até o jantar, e se ela perguntar dizemos que ele deu uma escapulida.”
Ginny olhava de um irmão ao outro. Achava que a idéia dos gêmeos não era realmente ruim, contudo, esperava que Bill não aceitasse aquilo. Viu o olhar do irmão mais velho se fechar por um momento, assumindo um ar vago enquanto ele ajudava Ron a se levantar.
“Não, temos que arcar com as conseqüências. E esse foi o plano mais idiota que eu já ouvi.”
Ginny achou o irmão mais velho simplesmente lindo naquele momento. Como ela nunca havia percebido que ele era tão forte, determinado e quase um adulto?
“Vamos Bill, ele é um ferido de guerra!” insistiu Fred. “Todos sabem que quando se está em guerra pode acabar ferido, ele foi uma baixa dessa guerra, mas terá de agüentar até o fim.”
“Foi ele que começou essa guerra inclusive!” exclamou George revoltado.
“Isso é uma guerra de bola-de-neve não uma guerra de verdade, e mesmo nas guerras de verdade os feridos não são abandonados a própria sorte.” disse Bill tentando sustentar o peso de Ron no seu colo.
“Ah não Bill… mamãe não vai nos deixar sair para neve por anos, até nos formamos em Hogwarts, e olha que ainda nem entramos! Não podemos ficar assim só porque o Roniquinho aqui tem duas tábuas frágeis no lugar de pernas!” exclamou Fred correndo envolta de Bill enquanto ele levava o mais novo para dentro de casa.
“Deixa de ser egoísta Fred.” respondeu Bill, e Ginny, que estava andando ao lado dele, encarou-o. Nunca vira antes alguém tão admirável antes. Ron ainda chorava, embora não fizesse barulho, e tinha um ar assustado, ouvia tenso àquela conversa, Ginny procurou a mão dele e entrelaçou seus pequenos dedos já livres da luva com os do irmão, sujos e arranhados.
“Não se preocupe, eles não estão falando sério.” disse ela só para ele. Ron não pareceu muito confiante, fungou uma vez impedindo uma grossa gota de catarro de escorrer. Sua mão antes frouxa apertou a de Ginny, estava tão quentinha… tão diferente de sua própria gelada e ardida, a dela parecia macia. Ele soluçou.
“Bill… não, mamãe vai matar a gente…” insistiu George, e olhou para Percy. “Aposto que ela vai proibir cada um de nós de fazer o que mais gostamos.”
“Aposto que ela vai esconder todos os seus livros de deveres Percy…” disse Fred, eles estavam buscando um aliado, e Percy estivera calado apenas acompanhando desde o começo.
“Ela nunca faria isso…” disse ele, mas não parecia tão seguro.
“Sabe, você é o segundo mais velho…” disse George, e todo e qualquer Weasley sabia o que ser um dos mais velhos significava.
Percy engoliu em seco, desejava tanto que Charlie não tivesse ido passar o natal na casa da namorada, com um mais velho que ele por perto não precisaria se preocupar muito. Se virou para Bill.
“Tem… tem certeza que não podemos pelo menos limpar um pouco o rosto do Ron? Digo, se mamãe o vir assim como está vai ter um ataque.” disse temeroso. Bill parou de andar, ninguém gostava quando Molly dava um ataque, não mesmo. Pareceu pensar por um instante.
“Ok, não vejo problema em limpá-lo um pouco.”
“Eu não quero vocês me limpando!” exclamou Ron com a voz meio pastosa e assustada.
“Vamos Ron, isso não fará mal nenhum, só vamos tirar um pouco do sangue em você. Não queremos que mamãe pense que te matamos.” disse Bill descendo o irmão do colo dele e fazendo-o se sentar no chão.
“Com o que vamos limpar ele?” perguntou Ginny ainda meio chorosa, segurando a mão do irmão.
“Neve!” exclamou Percy. “Mamãe sempre diz para passar algo gelado quando nos machucamos.” Todos os cinco irmãos olharam para Bill, esperando alguma decisão dele.
“Ok, pode dar certo.” disse por fim, e todos se levantaram para recolher neve.
“Eu não quero neve! Já estou todo cheio de neve até na cueca!”
“Fica quieto Ron, vai arder um pouco. Acho…” disse Fred se aproximando com as mãos cheias. Ron se encolheu.
“Péra.” disse Bill, e por debaixo do casaco puxou a bainha de uma blusa marrom, se aproximou do irmão menor limpou o mais delicadamente que conseguiu o arranhão que ia desde o nariz até uma bochecha, fazendo a blusa absorver a maior parte do sangue, depois limpou a boca ensangüentada e o pescoço sujo.
“Tire esse casado, está horrível Ron.” disse fazendo ele se despir do casado encharcado. Pegou em seguida um pouco de neve da mão de Ginny, que estava mais perto.
“Agora, enfiei um pouco na boca e deixe derreter, depois tente bochechar um pouco.”
Ron fez tudo obediente, enquanto o irmão mais velho pegava mais neve para limpar os resquícios de sangue pelo corpo dele. Ardeu quando passou por cima do machucados, ele choramingou, mas agüentou. Quando cuspiu a neve semi-derretida viu-a sair toda vermelha e sentiu uma vertigem.
Bill abriu a boca dele, e pareceu aliviado.
“Você não quebrou nada, deve ter só mordido a parede da boca na hora da queda.” disse bagunçando os cabelos do irmão, que não sabia muito bem o que aquilo significava, contudo, não parecia nada muito ruim.
“Fred.”
“Eu sou o George.”
“Ok, desculpe. George, dê seu casaco para o Ron.” quando ele pareceu que ia protestar Bill prosseguiu. “Se mamãe o vir assim e sem casaco vai nos matar, e o casaco dele está ensangüentado de mais para ela ver ele logo de cara…”
Relutante e fazendo muxoxos ininteligíveis George se despiu de seu agasalho e o entregou para o irmão mais novo.
“Pare de ser tão ranzinza, já vamos entrar em casa e você não vai mais precisar dele.”
Quando Ron estava devidamente arrumado e sua aparência parecia melhor, Bill o ergueu novamente no colo e seguiu para dentro de casa.
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