O mundo de um youkai
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[Fairy lady, who stands on the walls]
“Fairy lady, who stands on the walls
Life is short and wait is long
The stars, away, dim with the dawn…
Fairy lady, who stands on the walls”
James tinha dado uma escapulida à cozinha no meio da noite. Os elfos-domésticos, como sempre, ofereceram-no de tudo um pouco, e ele estava agora cansado e empanturrado. Andava lentamente pelas masmorras, dando um tempo ao seu organismo, para que fizesse a digestão antes de ele se esgueirar pelo castelo fugindo da inspeção de Filch. Aproveitando o passeio noturno, porque não explorar as masmorras? Afinal, ele não tinha um plano futuro de fazer um mapa mágico de Hogwarts? Talvez esse passeio se tornasse útil.
E assim James foi entrando cada vez mais fundo nas profundezas do colégio, passando por locais que ele tinha certeza que poucos iam. O jovem encontrou uma gárgula muito estranha e feia, que o intrigou, olhou-a por longos minutos. Ela com certeza guardava algum segredo, ele podia sentir. Só não era melhor em encontrar feitiços do que Remo.
Bom, mas esse não era o momento de averiguar os segredos dos objetos, talvez outro dia ele trouxesse os amigos para ver esse local, com certeza gostariam. E assim poderiam desvendar juntos os mistérios da gárgula; mas a magia estava ali, James sabia… ele sempre sabia.
Marcando na mente o local em que encontrara a gárgula, James continuou andando, pensando em explorar as masmorras até onde fosse possível naquela noite, e depois traria Sírius, Remo e Pedro. Olhando as paredes reparou que haviam muitos quadros ali que pareciam rejetos. Todos tinham algo característico e feio. Como não fossem de fácil compreensão eles parecem ter sido despojados para um lugar menos nobre, como as masmorras.
A exemplo disto James se interessara muito por um quadro de uma mulher, que ele só sabia que era uma mulher pois usava um chapéu vermelho com uma rosa azul¹. O quadro era totalmente feio, havia uma mulher e a proporcionalidade não parecia contar para o artista, ela tinha os olhos juntos e o nariz ao lado da cabeça e muitas, muitas cores diferentes em locais que só deviam ter uma cor. Na verdade, James começou a se perguntar depois se era uma mulher de verdade ou algum tipo de monstro caricaturado, afinal, aquilo era de fato um chapéu vermelho com uma flor azul? Mas o que era mais estranho no quadro da possível mulher era que ele se movia lentamente. Algo vertia de seus olhos, talvez lágrimas? A “moça” se balançava muito lentamente, como se o tempo para ela passasse em uma dimensão paralela. Na verdade, o quadro em si parecia estar numa dimensão paralela, onde cores e formas formavam figuras completamente diferentes das que James conhecia.
Apesar de gastar um bom tempo observando o quadro da mulher, James não se reteve infinitamente nele, haviam ali, espalhadas de forma esparsa outras obras interessantes, algumas de fato completamente horrendas, outras curiosas e ainda outras diferentes de tudo que James havia noticiado até hoje. Quadros pequenos, grandes, tapeçarias, esculturas, armaduras completamente bizarras. Como a gigante que James viu: com um aspecto curvado, braços desproporcionais e uma máscara assustadora desenhada como se tentasse parecer a cabeça de uma enguia/dragão/serpente formando um todo simplesmente horrendo. Parecia até ter pertencido a um monstro.
James, mesmo sabendo que era só a armadura ali, sentiu um frio pela espinha ao imaginar quem a vestira, por tanto não se demorou muito por ali.
Passou muitos e muitos minutos andando, vendo as bizarrices, percebeu a excentricidade ia piorando quanto mais fundo ele fosse. Chegou até a se perguntar como os sonserinos conseguiam morar por ali.
O ápice da estranheza chegou para o rapaz quando ele se deparou com aquela tapeçaria. Era muito grande, devia ter o tamanho de Hagrid em altura, e a largura do mesmo de braços abertos. James parou para observar, Tinha uma aparência antiga, como se estivesse ali desde que Hogwarts havia sido criada, mas o que chamou a atenção de primeira, foi sua estaticidade, nada nele se movia. James se afastou alguns passos para poder observá-lo por completo, teve de chegar quase a encostar as costas na parede do corredor para poder enquadrar tudo na visão dele.
A tapeçaria retratava uma grande floresta, toda verde, um lago no meio, cavalos brancos corriam soltos em uma parte, quer dizer, eles pareciam estar correndo, porque era impressionante, aquele era um desenho estático, como fotos de trouxa, pelo menos haviam dito a James que as imagens trouxas não tinham movimentos, incrível!
Mais à direita da floresta havia um castelo, “Espantoso como o castelo lembra Hogwarts.” pensou James, o lago que cobria um bom território, a floresta que rodeava o castelo, apesar de que na Hogwarts conhecida por James, a floresta não ficar tão grudada no castelo e de não circundar todo o lago, aquele quadro parecia mostrar uma Hogwarts bem mais selvagem.
Foi observando o lago e como a floresta parecia cobrir a maior parte de tudo, que James pela primeira vez reparou nela. Perto do lago, ali na beirada, onde hoje em dia devia haver a faia que ele gostava tanto de sentar com os amigos, bem ali tinha uma mulher. Ela estava sentada em uma pedra olhando para o céu, James se aproximou mais, queria vê-la melhor, parecia a única criatura humanóide retratada em toda a tapeçaria.
O rapaz olhou-a em detalhes, seu rosto a centímetro da pequena mulher, e qual não foi a surpresa de James ao reparar que na verdade ela era uma fada? Tinha asas de fada e tudo. Que estranho, ela tinha asas de fada, mas não se parecia com as fadas-mordentes de que James estava acostumado a ver. Curioso com o mistério ele olhou mais detalhadamente para a criatura. Ela era ruiva ou era só a tapeçaria que deixava tudo em tons avermelhados? Aqueles pontos brancos no rosto dela eram lágrimas ou trabalho de traças?
Intrigado, James aproximou o rosto, ué, a possível fada lhe lembrava alguém, os olhos verdes… quem James conhecia que tinha aqueles olhos verdes? Alguém próximo talvez? Esticou a mão sentindo a tapeçaria. Ruiva e de olhos verdes… quem ele conhecia que era assim? Ele passou os dedos sobre os cabelos ruivos que pareciam estar balançando a uma brisa. Curioso, procurou ver para aonde a fada olhava e viu que era na direção das estrelas do céu, aonde o sol acabava de nascer, mas ela parecia olhar para as estrelas que estavam gradativamente sumindo com o nascer do sol… ou o sol estava se pondo? Não podia afirmar. Voltou sua atenção a sra. fada que permanece nas paredes, sim, ruiva e de olhos verdes…. Oh, claro, a menina que estudava com ele, Evans não era? Lily Evans.
James sentiu o dedo atravessar a tapeçaria aonde ele estivera passando-o um segundo antes. Ele se assustou, será que rasgara a peça? Porém, logo sentiu não só o dedo ultrapassar o buraco, mas a mão inteira, e parecia não haver parede alguma atrás da tapeçaria. Seria uma passagem secreta? Afim de averiguar ele deixou que seu braço fosse lentamente sugado para dentro da imagem.
“Pêra aí! Passagens secretas não sugam as pessoas!”, mas antes que ele pudesse completar o movimento de tentar puxar-se para fora sentiu a velocidade da sucção aumentar.
“Droga, droga…. cadê minha varinhaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!” antes que pudesse completar o pensamento ou o movimento de pegar a varinha do bolso, ele foi completamente sugado pela tapeçaria, e lá estava ele, no céu.
No céu?? Ele estava caindo….. droga, a queda o mataria. James respirou fundo, pânico de nada adiantaria. Como ele podia ter sido tão tapado? Era lógico que a tapeçaria era mágica! Estava na cara, não existia um quadro, tapeçaria ou desenho artístico bruxo que não tivesse magia. Desenho estático nada! E ele feito um idiota ficara alisando a superfície de uma tapeçaria potencialmente perigosa, e isso tudo sem a varinha na mão. A varinha!!! Aonde ele estava com a cabeça, ainda não pegara a varinha? Pretendia morrer na queda?
Imediatamente a mão de James foi até o seu bolso, ufa, pelo menos a varinha ainda continuava lá, o chão se aproximava com incrível velocidade…. feitiço, feitiço…… que feitiço serviria para amortecer a queda…. rápido, rápido, ele tinha que achar um rápido! Oh droga, não era para o chão estar tão próxim…. é claro!
“Aeris Volumen!” gritou James quando se encontrava a menos de 5 metros do chão.
Uma grande massa de ar saiu da varinha apontada para o chão. A idéia era, mirando a massa de ar para o chão, ela voltaria para James e ele teria a queda amortecida pela volta do ar. Bem, não foi exatamente o que aconteceu. A massa de ar saiu da varinha de James, bateu no chão e depois voltou, mas ao invés de amortecer a queda dele, jogou-o de volta para cima, e ele foi pousar a uns cinco metros de aonde iria cair sem a massa de ar.
Bom, não era essa a idéia geral, mas funcionara, porque antes James ia cair de 100 metros de altura. A aceleração da gravidade atuando no corpo dele era muito maior em uma queda livre de 100 metros do que na queda de 5 que ele sofrera no fim. O feitiço desacelerara sua queda e depois o impulsionara um pouco para cima. Bem, o que importa é que vivo ele estava. A questão era aonde estava?
Respirando fundo, por causa da dor nas costas que sentia após cair de 5 metros de altura, James lentamente se levantou. Oh, legal, a cabeça também doía. Tentou sentir todas as partes do próprio corpo, certificando-se de que não havia quebrado nada. Olhou em volta e:
“Aaaaaaaaaaaaah!!” gritou.
“Aaaaaaaaaaaaaaaaah” uma voz feminina gritou logo em seguida.
James se levantou o mais rápido que a sua dor permitiu, a varinha em punho.
“Q-quem é você???” perguntou ele.
“Vo-vo….. você caiu do céu?” perguntou ela parecendo chocada.
James piscou, não podia ser, era ela, era ela sim.
“Evans?” perguntou ele. No entanto, a possível fada apenas fez cara de quem não estava entendendo.
“Lily Evans?” perguntou de novo James só para se certificar. Novamente a jovem não demonstrou reconhecimento para aquele nome.
Uma nuvem saiu debaixo da lua, e James pôde ver melhor o rosto da garota, de fato, era igual a Lily Evans, e de fato os pontos brancos no rosto dela retratados na tapeçaria eram lágrimas, e realmente, ela era ruiva e tinha olhos verdes.
“Você….. você caiu do céu!” disse ela em forma de afirmativa.
“É, pelo visto caí.” disse James limpando as vestes da terra e da grama que haviam grudado nela. O menino deu uma olhada a sua volta, se dando conta de que de havia literalmente entrado dentro da tapeçaria. Lá estava o lago, a floresta e além, o castelo que realmente era idêntico a Hogwarts. James olhou de novo para a garota a sua frente.
“Tem certeza de que você não é Lilia…”
“Você é um humano?” perguntou a garota antes que ele pudesse completar a frase.
“Sou, claro. Por que você não…?” James parou de falar, se dando conta de que ela podia não ser.
“Não, não sou um humano!” rejeitou a garota de forma orgulhosa. “Sou uma fada!” virou de lado mostrou as asas, que se moveram numa leve movimento de batida.
É, ela tinha asas, e James podia ver perfeitamente bem a junção delas com os ossos das costas da garota. Eram asas de borboleta… Desde quando humanos têm asas como as de borboleta?? Não, isso só podia ser um devaneio de um menino de barriga cheia!
“M-mas fadas….. fadas têm só esse tamaninho” disse James demonstrando uma distância de aproximadamente dez centímetro com os dedos indicador e polegar.
“Oras! Não seja bobo, eu tenho a mesma altura que você!” disse a fada ficando de pé num salto.
James olhou-a de pé, de fato, eles tinham quase o mesmo tamanho. Contudo, fadas deveriam ser seres bem pequenos…
“Aonde eu estou?” perguntou ele.
“De onde você veio?” perguntou ela.
“Quem é você” insistiu ele.
“O que é você?” perguntou ela pondo as mãos na cintura e olhando com os olhos semi-cerrados para ele.
“Eu é que pergunto! Você diz que é uma fada…… será que isso é uma peça ein Lily Evans?” perguntou ele já sabendo assim que pronunciou a frase de que ela não fazia sentido algum. Lily era uma cdf, uma garota mais certinha do que qualquer outra que ele tivesse notícia. Uma menina sem sal, sem graça, e enjoada. Jamais uma menina daquelas perderia tempo pregando uma peça em James, já que eles nem se falavam direito.
“Aquele é Hogwarts?” perguntou James apontando para o castelo.
“Aquele é o castelo.” disse ela olhando na direção que James apontava.
“Aonde eu estou? Por favor!!” implorou o garoto.
“De onde você veio?” perguntou a fada.
Ele suspirou, parece que não ia adiantar ficar naquela discussão boba sobre quem responderia primeiro as perguntas.
“Ok, vou contar minha história. Mas sente-se de novo.” disse ele apontando a pedra em que ela estivera sentada.
Obediente ela se sentou e ficou olhando para ele, como se o que ele tivesse para dizer fosse o que ela mais queria ouvir.
Um vento soprando um som pra lá de conhecido passou por James enquanto ele se acomodava na grama perto do lago. James sentiu aquele vento com um arrepio pela espinha, mas ignorando aquela sensação começou sua narrativa sobre Hogwarts e como viera parar naquelas terras distantes.
“E bem, quando eu taquei o feitiço da massa de ar não aconteceu o que eu queria, mas de qualquer jeito continuo inteiro, então ele serviu para o que foi lançado. E…. bem, e foi assim que eu vim parar aqui conversando com você que se diz uma fada.” encerrou James.
“Eu sou uma fada.” disse ela com firmeza “Mas…. como posso saber que você é um bruxo?” perguntou parecendo desconfiada.
“Bem, você me viu fazendo o feitiço da massa de ar!” respondeu ele.
“Claro que não vi!” afirmou zangada “Eu estava olhando pra lá.” apontou para o lado oposto em que James caíra “Só vi você caindo no chão depois de gritar qualquer coisa estranha.”
“Aeris Volumen.”
“Algo assim.” disse a fada não dando importância. “Prove que você é bruxo!” disse em tom de desafio.
“Por que eu provaria?” perguntou ele de forma displicente. Odiava mulheres prepotentes.
“Porque eu não te responderei nada se você não me provar.” falou como que o ameaçando.
James girou a varinha nos dedos, estava avaliando se valia a pena ou não provocar mais a auto-declarada fada. Bem, talvez fosse melhor atender ao pedido dela, ainda que feito de modo arrogante e não educado, afinal, ele precisava descobrir como sair daquele…. mundo, tapeçaria, fantasia… ou o que quer que fosse.
“Ok, eu vou te provar” sorriu maliciosamente. Atenderia ao desejo da fada, mas não ia ser de graça. “Aeris Volumen!” gritou apontando a varinha para ela.
A fada levou um susto com o feitiço e soltou um grito quando a força do vento fez ela rolar pela pedra e cair atrás desta. O garoto tentou controlar o feitiço para que não saísse tão forte quanto quando ele caía, no entanto, pelo visto ainda assim se excedera na força da massa de ar.
“Você está bem?” perguntou se levantando e indo ver se a fada estava viva.
Subiu na pedra para poder olha-la atrás, aonde havia sido levada. A jovem estava caída com metade do corpo na terra, os cabelos ruivos esparramados por todos os lados, inclusive sobre o próprio rosto, suas pernas estavam para o ar e a saia meio caída pelas coxas, involuntariamente James descobriu de que cor era a espécie-de-calcinha que ela usava.
“Você está bem?” perguntou ele novamente sentindo involuntariamente o rosto corar.
A fada se mexeu levemente, seu braço tremeu, sua mão se fechou, o rosto balançou, vagarosamente abriu os olhos.
“Me desculpe, você se machucou? A idéia não era te feri…”
“Finalmente! Finalmente!!!” num pulo a fada já estava sobre James, que atônito não sabia como reagir “Finalmente! Eu te esperei por tanto tempo! Não sabe as noites e dias que passei esperando por você! Eu te amo tanto… tanto!” enquanto falava meio histérica, dava saltinhos, apertando James em um abraço esmagador. “Você voltou….. você voltou!” se afastou um pouco dele, encarando-o, lágrimas escorriam pelo seu rosto. “Só que você era mais alto…. mas forte…. um pouco mais bonito. Bem, de qualquer jeito, é você!” disse ela sorrindo entre as lágrimas.
James, chocado, não conseguiu se mover. Tinha uma tapeçaria, que o engoliu, tinha uma fada com tamanho de gente e asas de borboleta, e agora a fada estava o agarrando e abraçando, com se fosse o amor da vida dela…. ok, ele precisava urgentemente acordar. Será que a força da pancada o fizera ter alucinações?
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