O menino que roubava varinhas - Capítulo 5

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[Capítulo 4]
No qual tem há revelações

Só há algumas coisas que eu devo contar antes de acelerar imensamente a história. Primeiro, lembra-se de Draco Malfoy? Pois é, aquela não havia sido a última vez que eu iria ver ele, longe disso.

O verão passou numa tranqüilidade normal, e minha varinha roubada foi cuidadosamente guardada dentro do meu colchão. Algumas noites eu a tirava lá de dentro e a observava. Naquele tempo eu não gostava da palavra roubar, final, não era um furto propriamente dito, era? Eu havia praticamente achado a varinha…

Excluindo-se estas vagas conjecturas, o fato é, algumas noites, com o coração acelerado, o nervosismo do furto ainda presente em cada célula do meu corpo, como se só de olhar para a varinha eu revivesse quase com a mesma intensidade o que foi me abaixar discretamente, apanhar a varinha e escondê-la um segundo antes de Herr Oliwander virar para mim e dizer: “Harry, vamos, o que você está fazendo?”.

Talvez fosse por gostar tanto dessa sensação de perigo, nervosismo, ação, que eu gostava de sempre que pudesse e não estivesse muito cansado, retirar a varinha de seu esconderijo e reviver todos aqueles sentimentos apenas no fato de fica-la segurando e analisando.

Mas mesmo assim o verão passou, e tenho certeza que Stanislau jamais desconfiou ou descobriu aonde sua varinha fora parar, e assim, voltaram as aulas e mais um semestre letivo junto com elas, e uma novidade veio de carona. O Povo Jovem.

O Povo Jovem, foi criado pelo Füher, todos os jovens acima de 10 anos e menores do que 14 deveriam fazer parte disso. Depois dos 14 faríamos parte da Juventude Hitlerista, e após os 18, ficaríamos de recruta no exército do Füher, mas este último fato na época ainda não era realmente irremediável, mas O Povo Jovem era. Não tinha nada de mais, fazíamos atividades extra-curriculares que envolviam a prática de esportes e o aprendizado sobre a superioridade bruxa sobre todas as outras.

E é exatamente lá que encontramos Draco Malfoy. Lá estava ele com seu uniforme padrão, que todos tinham que usar, esnobe como sempre, arrogante do mesmo jeito que eu o havia deixado. E a mesma implicância quase inata.

“Então Potter, como foi a sua partida de quadribol?” foi o cumprimento dele. Obviamente eu teria partido pra cima dele e teríamos rolado no chão nos batendo, se ele não estivesse acompanhado de dois trogloditas e se Ron não tivesse sabiamente me segurado. Eu não era exatamente fraco, mas Ron sempre foi alto, e eu baixo e magrela, então creio que era relativamente fácil me segurar quando eu tinha recém-completos 13 anos. Não sei se eu realmente preciso detalhar como aquele semestre foi um inferno. Basta saber que Draco Malfoy estava no mesmo grupo que eu, que ele tinha um pai influente e que adora me infernizar, tenho certeza que sozinho eu nunca teria conseguido tantas sovas e castigos dos professores como naquele semestre, fora os comentários maldosos que Draco adorava soltar quando nos esbarrávamos nos corredores. Às vezes era eu que tinha que segurar Ron para ele não partir para cima do Draco. E isso não era nada fácil. Draco Malfoy conseguiu transformar aquele semestre num inferno.

Agora preciso parar de falar um pouco do Draco e toda a sua implicância infantil e falar daquele ano na Alemanha.

Percebo com certo atraso que eu não realmente citei em que ano essa história se passa, até porque comecei fazendo uma pequena linha do tempo até chegarmos ao que interessa. Mas agora preciso de datas para contextualizar os acontecimentos, e se pudesse descontar esse meu deslize seria muito bom, por isso siga a leitura e não apenas abandone o texto, pense que sou um escritor iniciante e sem talento, mas preciso desesperadamente passar minha mensagem, e quem sabe você não possa me ajudar?

Estamos agora nesta história em 1936. Três anos depois de Hitler chegar ao poder, três anos antes de uma guerra sem precedentes ter início. Eu tinha completado 13 anos. A perseguição contra os muggel e mestiços aumentava a cada instante, agora cada muggel e nascido muggel tinha que ser identificado por uma faixa que obrigatoriamente usaria no braço e sua casa também recebia esse símbolo pintado na parede, o mesmo para os mestiços, com a diferença que estes recebiam um símbolo diferente.

Mas voltando a minha narrativa, eu não realmente virei um ladrão regular logo depois de ter roubado minha primeira varinha, a verdade é, passaram-se três anos antes que a segunda chegasse às minhas mãos.

Vou precisar falar um pouco sobre mim mesmo novamente antes de avançarmos na história sobre o meu segundo roubo. Sei que talvez isso não seja do agrado de todos, mas é algo necessário, afinal, o segundo roubo não faria sentido sem que as pessoas soubesse o que me levou até aquele momento; O momento em que eu estava sujo de sangue, saindo de minha primeira batalha mágica, vitorioso, ou talvez nem tanto. Quando me abaixei e peguei aquela varinha em minhas mão, lágrimas se misturavam com o sangue que escorria da minha sobrancelha cortada, e eu senti uma vontade tremenda de destruir aquele artefato, mas não fiz isso, depois de me quedar acabado no chão, Gina apoiou a mão com ternura em meu ombro, eu tentei ao máximo não chorar, doía tudo, ainda tinha a varinha segura na minha mão, como se ela fosse uma espécie de ponte com a realidade que eu acabara de deixar. Quando enfim saímos daquele local, ainda a segurava firme, e depois de tudo, ela foi guardada junto com minha primeira varinha, foi então que eu percebi o quanto era bom ter aquele s pedaços de madeira sobre meu poder.

Viu, não fez muito sentido. Agora, vamos por partes, primeiro você deve ficar por dentro de uma notícia veiculada nos jornais em 1936:

“Fugiu hoje da prisão, de forma nunca antes vista ou conseguida por alguém, o prisioneiro Sírius Black. Black é acusado de traição ao país, de muggelnismo e de atentado ao Füher, qualquer informação que possa ser dada sobre esse criminoso deve ser fornecida ao posto nazista mais próximo, lembrando que ele pode ser extremamente perigoso e instável. Em alguns dias Black seria executado, já que mesmo sendo de nacionalidade estrangeira, os crimes aqui cometidos são gravíssimos e sua fuga é um verdadeiro perigo para a comunidade Alemã.Toda a população deve ficar atenta e em breve deverá ser estabelecido um toque de recolher nas Regiões próximas à Capital.
Veja a história completa de Black na página 22.”

Todos estavam em polvorosa na rua Himmel, ninguém falava de outra coisa que não a fuga de Black, até porque, nós éramos uma das regiões próximas à Capital, o que significava que estávamos em perigo. Três dias depois dessa notícia chegar até nós, um toque de recolher foi estabelecido, não se via depois das 9h da noite nenhuma criança brincando de quadribol na rua, como sempre foi costume, aquela primeira semana foi um período horrível.

Um mês se passou antes que algo relativamente importante acontecesse.

Certo dia, que ameaçava começar a chover, eu voltava do habitual encontro do Povo Jovem quando um cachorro negro de grande porte chegou junto de mim. Ele começou apenas seguindo a mim e a Ron, não demos atenção a ele, já que estava longe e não parecia perigoso. Então chegamos a rua Himmel e ele ainda estava atrás da gente. Ron que sempre foi um pouco medroso tentou afugentá-lo, mas o cachorro o encarou de uma forma um tanto quanto sensurativa. Foi então que ficamos assustados, aceleramos o passo, mas isso pareceu uma má idéia, o cachorro nos alcançou rapidamente, e dessa vez resolveu emparelhar conosco, Ron tentou novamente assusta-lo, o cachorro latiu. Um latido rouco, Ron choramingou.

“Não corre” eu disse para ele “Ou ele vai te seguir, e ele é mais rápido que você!” não adiantou muito, quando o cachorro deu o segundo latido Ron saiu correndo. O cachorro pareceu segui-lo por um instante só por diversão, depois voltou até mim balançando o rabo, como se tivesse se divertido.

“Você acha engraçado assustar o Ron?” eu perguntei rindo, ele latiu em resposta. Caminhamos um momento em silêncio, ele andava ao meu lado com a língua de fora e abanando o rabo. “Você não é realmente perigoso né?” perguntei observando sua postura quase saltitante, contrastando com o porte grande do cachorro. Em resposta, como se em entendesse, ele pulou em mim e deu uma lambida. Só um ponto que devo ressaltar, sobre as duas patas ele tinha um pouco mais que a minha altura. Obviamente, quando ele pulou em cima de mim para me lamber, eu caí no chão.

Meus risos e protestos devem ter chamado a atenção de mamãe, porque o cachorro resolvera pular em mim quando estávamos bem enfrente de casa.

A cena: Eu no chão não-asfaltado, rolando, com um cachorro de rua sobre mim, me lambendo e colocando as patas sujas sobre a minha roupa. Origens do cão; desconhecida. Reação de minha mãe de criação; colher de pau na mão, os cabelos desprendendo do rabo-de-cavalo precário, ela vem rebolando, meio que correndo na minha direção, a colher de pau numa mão, a bainha do vestido na outra.

“Seu Saukerl estúpido! Archloch!!! O que você pensa que está fazendo seu merdinha?!” assim que me alcançou fui acertado por milhares de colheradas, o cachorro ainda em cima de mim, eu tentando levantar, sem conseguir sustentar o peso do cão, mais as colheres que me eram acertadas não permitiam, o cachorro rosnava para mamãe, e por isso ela acertou colheradas nele também. Para me salvar do bololô que havíamos nos tornado - criança, cachorro e mulher – eu rolei no chão e consegui por um instante escapar da colheradas e do peso do cachorro.

“Seu imbecil o que acha que está fazendo, se sujando mais ainda!!!” mais colheradas. O cachorro começou a puxar a bainha do vestido dela, tentando puxa-la de cima de mim. “E você seu cachorro imundo, saia daqui!!!” mais colheras. Acho que uma boa proporção aproximada é: Três colheradas pra mim, uma pro cachorro.

Lembra da sova que eu escapei? Pois então, aí estava ela, sem tardar me alcançou, eu disse que isso mais cedo ou mais tarde aconteceria.

Aquela noite eu dormi chorando. Isso não é a coisa mais legal de se dizer num texto que hipoteticamente pode vir a ser lido por qualquer um. Mas eu tinha treze anos e chorava não por algo como: “Oh, minha mãe me bateu, ninguém me ama!” Trata-se mais de algo como: “Aí minhas costelas… não consigo respirar! Minha cabeça deve estar rachando…. acho que fraturei um dedo.”

Porém, o mais incrível nessa história é que o cachorro, mesmo tendo levado uma sova quase tão grande quando a minha, dormiu aquela noite em frente a nossa casa. Tendo sido acordado por um provável chute de papai. Ele odiava cachorros de rua.

Mas no dia seguinte o cachorro me seguiu novamente na saída d’O Povo Jovem.

“Por favor…. minhas costelas ainda doem…. não faça nada de errado dessa vez.” eu pedi para o cachorro.

É, eu sei, quem em sã consciência fica conversando com um cachorro de rua? Eu também consideraria uma pessoa que fizesse isso no mínimo esquisita. Mas peço que aguarde um instante, logo tudo fará sentido.

Incrivelmente, o cachorro pareceu me entender, pois em resposta deu uma espécie de muxoxo rouco.

Quando estava próximo a chegar em casa virei-me para o cachorro.

“Ern…. bem…..” sim, eu achava muito estranho falar com o cachorro e imaginar que ele entenderia minhas explicações “Será que você poderia voltar daqui? Mamãe ainda deve estar irritada, e bem, ela pode sair correndo atrás de você com a colher de pau, e talvez atrás de mim também….. sabe, ela pode ficar irritada, e minhas costelas ainda doem!” eu supliquei para ele. Que só me olhou e continuou seguindo o caminho até em casa. Eu suspirei resignado.. afinal, ele era só um cachorro, não ia ficar entendendo o que eu lhe havia dito.

Mamãe esperava já na porta de casa, a típica colher de pau na mão. No rosto uma expressão zangada, basicamente, nada fugia do normal ali.

“Porque esse cachorro imundo ainda está com você Saukerl?” perguntou ela assim que me viu chegar depois do cachorro.

“Não é culpa minha! Ele que fica me seguindo… eu pedi para ele ir embora, mas…”

“Você o quê?” ela perguntou com os olhos se estreitando, aquilo não era bom.

“Eu… bem, eu…. quer dizer, eu…”

“Entra, agora Saukerl!” devo dizer que ela quase gritou isso.

“Oi?” perguntei sem entender a mudança brusca.

“Você é surdo ou o quê, entra!” só para reafirmar o que havia dito ela deu uma colherada em mim. Eu entrei o mais rápido que pude e corri escada a cima para o meu quarto. Lá de cima ainda ouvi ela dizendo:

“E você…. fique longe do Harry, não precisamos de problemas.” logo em seguida a porta foi batida.

Dia seguinte, mesma coisa.

Saí d’O Povo Jovem e lá estava o cachorro, novamente Ron não estava comigo, ia com Mione na direção da loja dos pais deles, eu fiquei feliz pela companhia do cachorro.

“Se você vai ficar aqui por muito tempo é melhor eu te dar um nome né?” eu perguntei, ao que o cachorro latiu, eu não sabia se feliz ou reclamando. “Bem, amanhã eu apareço com um nome pra você. Quer dizer… se você ainda estiver por aqui amanhã.” o cachorro apenas soltou uma rosnado curto e seguiu seu caminho, o caminho da minha casa.

Assim que mamãe viu o cachorro me encarou de forma feia, eu apenas levantei os ombros a guisa de desculpa, seu olhar feio foi transferido para o cachorro.

“Xispa!” disse ela o ameaçando com a colher.

Eu entrei em casa querendo evitar problemas, mas me escondi perto da janela, querendo ver o que ela faria.

“Anda Saukerl, suma daqui!” ela pisou forte no chão, o cachorro apenas a encarou de forma recriminadora. Eles ficaram um momento se encarando, parecia ser uma batalha para ver quem desistia primeiro. Eu fiquei na expectativa, não sabia para quem torcer, não sabia no que aquilo ia dar.

O cachorro ousou se aproximar um pouco mais de mamãe. Ela não fez nada, apenas o encarou de volta.

“O que você quer aqui?” ela perguntou…. era impressão minha ou mamãe estava conversando com o cachorro?

E incrivelmente ele pareceu responde-la, deu um latido e apontou com o focinho a porta da casa.

“O que você está fazendo aí moleque?” perguntou papai entrando na sala, provavelmente todo o barulho chamara a atenção dele.

“Eu… eu tava só…” não deu tempo de inventar uma desculpa. Ele me empurrou da janela e espiou por onde eu estivera olhando, então viu mamãe e o cachorro. Foi em seguida na direção da porta.

“O que esse saco de pulgas ainda faz por aqui Rosa?” ele perguntou no patamar da casa.

“Eu estava tentando expulsar ele Walter.” mas ela não parecia tão segura assim quando disse isso.

“É só dar um belo de um chute nele, duvido que volte aqui depois disso” papai ameaçou ir na direção do cachorro, que se levantou por reflexo, mas mamãe segurou meu pai de criação pelo braço antes que este pudesse sequer iniciar o movimento.

“Não.” ela disse ríspida. “O cachorro entra, só por um momento. Precisamos ter certeza.” ela voltou a ter a voz firme. Sem esperar um segundo convite o cachorro veio abanando o rabo e entrou em casa.

Papai olhou interrogativamente para mamãe, que manteve o olhar firme e apenas entrou em casa.

“Feche todas as cortinhas Harry.” disse ela assim que passou pelo portal.

“Ein?” perguntei de forma dúbia.

“Você ouviu o que eu disse!” ela balançou a colher ameaçadoramente em minha direção, eu prontamente a obedeci.

Quando a casa enfim estava toda lacrada, e mamãe tinha se certificado disso, ela se virou para o cachorro, que tinha se acomodado a essa altura aos pés do sofá.

“Rosa… querida.” papai tentou dizer.

“Agora não” respondeu ela sem ser exatamente grossa. “Você.” disse apontando a colher para o cachorro. “O que você quer aqui? Ande explique-se.”
Eu e papai encaramos ela sem entender porque falava com o cachorro esperando uma resposta. Até aí já seria suficientemente bizarro. Mas o cachorro saiu do pé do sofá e…. aos poucos foi se transformando. Num instante ele era cachorro, no outro era algo estranho e então, virou uma pessoa. Um homem, para ser mais exato.

Estranho, bizarro, assustador? Isso é pouco. Aquele não era qualquer homem, sentado no chão da minha sala, os cabelos sujos, e compridos, acompanhados de uma longa barba mal feita, estava Sírius Black, o prisioneiro mais procurado daqueles tempos.

Eu fiquei sem ar, papai ficou branco como cera, e mamãe pareceu que iria ter um colapso. Claro que não foi imediatamente rápido reconhecer aquele homem, mas haviam tantas fotos dele espalhadas por Molchin que mesmo ele parecendo imensamente mais acabado que nos retratos, suas feições eram as mesmas.

“Você é realmente esperta como dizem.” afirmou ele com uma voz rouca, rouca como a do cachorro que há instantes ele era.

Mamãe se deixou cair numa das cadeiras da sala.

“O que…. o que você faz aqui?” ela perguntou, ficando estranhamente verde. Eu não entendia absolutamente nada.

“Você realmente pergunta?” ele disse com uma risadinha que mais pareceu um latido.

“Rosa….. Rosa….. O que esse criminoso está fazendo na nossa sala?! Vamos denunciá-lo, vamos…”

“Walter, fale baixo, os vizinhos!” mamãe o repreendeu. “Não posso denunciá-lo antes que ele me explique tudo.”

“Você conhece ele?” perguntei espantado por mamãe ter esse tipo de contato.

“Isso não é da sua conta Saukerl!” respondeu ela ríspida.

“Você sabe que isso não é verdade Rosa…” o homem no chão da minha sala disse.

“Harry, eu sou seu…”

“Não!” minha mãe se levantou da cadeira, recuperando a cor “Ele não precisa ficar sabendo de tudo! Você não tem o direito…!”

“Eu tenho mais direito que você…”

“Você é um prisioneiro fugitivo, não tem direito a nada!”

“Mas o Harry tem direito!”

“É, eu tenho direito!” gritei apoiando, estava cheio de tudo naquela casa parecer ser sustentado entorno de um segredo desconhecido, aquele homem estranhamente parecia um portal para a liberdade.

“Cale a boca, estúpido, isso é assunto de adultos!” foi a vez do meu pai entrar na conversa.

Seguiu-se a isso uma grande confusão e gritaria, que pedir para eu lembrar do que foi dito já é demais. Porém, posso afirmar que: mamãe xingava todos e ameaçava com a colher; papai variava de roxo a fúcsia numa velocidade incrível enquanto apontava o dedo gorducho de mim ao prisioneiro; eu gritava com todo mundo querendo explicações; e Sírius rebatia o que mamãe e papai falavam. Isso até que ele se virou para mim, mamãe bateu com a colher na cabeça dele e papai levantou da cadeira, isso tudo ao mesmo tempo que o ex-cachorro falou:

“Harry, eu sou seu padrinho!!!” falar talvez não seja a expressão certa, ele gritou isso. O que foi seguido de um silêncio estremecedor.

Mamãe ainda tinha a colher erguida numa ameaça de segunda colherada no meu recém descoberto padrinho, papai olhava abestalhado de mamãe, a Sírius, a mim, Sírius me encarava com os olhos perscrutantes, em busca de uma reação e eu estava ainda em pé em cima do sofá meio encolhido contra a parede com o choque que o grito dele teve.

“Eu….. quê?!” perguntei não conseguindo assimilar tudo direito.

“Seu padrinho, Saukerl, que mania de fingir que é surdo!” mamãe disse voltando a se sentar, parecia estar tendo uma síncope. Papai soltou o ar de forma exasperada e também voltou a se sentar.

Eu continuei encolhido, de pé no sofá contra a parede.

“Harry eu…” Sírius começou, enfim desviando o olhar de mim.

“Meu padrinho é um presidiário fugitivo?!” eu perguntei por fim.

“É… bem, eu sei que isso não…”

“Que maneiro!!!” eu voltei a me sentar. “Como você escapou da prisão? Como eram meus pais? Porque você foi preso? Você é um animago? Como me achou? Será que veio me levar embora? Posso viver fugindo com você?” todas as perguntas foram feitas de uma vez só, numa avalanche.

“Uma pergunta de cada vez Saukerl!” disse mamãe, Sírius riu.

“Bem… é uma longa história..” disse Sírius.

Resumo da história (que não necessariamente fiquei sabendo por completo naquele dia):
Sírius e meu pai sempre foram grandes amigos, desde a infância. Eles formavam um grupo peculiar de descendentes de estrangeiros que moravam na Alemanha, todos filhos de ingleses. Meu pai era apaixonado por uma nascida muggel, Lily Evans (minha mãe de verdade), e quando se formaram na escola de estrangeiros que freqüentavam um tempo depois se casaram. Hitler chegava cada vez mais perto do poder, e as idéias anti-mestiços e muggel não agradavam nem um pouco meu pai e minha mãe, afinal, além de ser casado com uma nascida muggel, um dos amigos dele era um lobisomem, um dos tipos de mestiços perseguidos. Então eles se uniram com um grupo de pessoas que também lutava conta Hitler e o partido nazista, liderados por um Sr. chamado Dumbledore. E então eu nasci, e naquela época mais ou menos, pouco depois Hitler tentou aplicar um golpe para tomar uma parte da Alemanha, meus pais se opuseram junto com o grupo que lutava contra Hitler, e foi nessa luta (a qual Hitler perdeu) que eles foram mortos, Hitler foi preso e por um instante pareceu que tudo estava acabado, Sírius que perseguira o espião de Hitler dentro do grupo deles (inclusive, este era um dos amigos de infância do meu pai), acabou sendo preso também, confundido com o espião de verdade, que se fez passar por morto. E agora, no instante em que eu tinha 13 anos, quando Hitler tinha enfim alcançado o poder (e claro, não libertado da prisão meu padrinho), as coisas na Alemanha começavam a ficar quentes, e meu padrinho enfim conseguira fugir da prisão. A primeira coisa foi tentar descobrir para onde eu havia sido mandando depois da morte dos meus pais, ele já tinha ouvido falar de Rosa Hubermann, a única parente alemã de minha mãe, por isso pesquisou por ela e me encontrou.
Ele queria ficar um tempo, bem curto, morando com a gente, enquanto se recuperava, e através de mamãe e papai, eventualmente de mim, ele queria localizar Dumbledore e o resto do pessoal que lutava contra Hitler.

Bom… eu poderia perder papel aqui contando em algumas páginas como foi que conseguimos pôr os planos de Sírius na prática. E dois temores me assolam neste instante. Irá o leitor querer realmente saber como foi que enfim descobrimos como contatar Dumbledore através do Lupin (o amigo lobisomem do meu pai)? Ou a pessoa que ler esse texto quererá que eu chegue direto ao ponto? Creio que alguns quereriam saber melhor como foi a história…. e outros provavelmente querem chegar direto ao ponto…..
Bom, escolho então o meio termo, e aqueles que ficarem insatisfeitos, por favor, fiquem com a minha promessa de que estou contanto o que é realmente essencial e necessário para esta narrativa atingir seu intento.

Meu pai de criação no começo não quis participar dessa investida em busca de confusão, como ele dizia, mas minha mãe foi persuasiva o suficiente para convence-lo a pelo menos fazer o mínimo, e devo dizer que foi graças a ele que encontramos a primeira informação. Ele resolveu freqüentar mais a afiliação nazista que tinha lá perto de casa. Meu pai de criação podia até ser um homem bruto, frio e cheio de preconceitos com coisas banais, mas uma coisa que nunca teve foi se interessar pela perseguição muggel, desde que a pessoa fosse decente, e ele não considerasse-a estranha ou de maus comportamentos e modos, para ele pouco fazia diferença se fosse muggel ou bruxa, e pra falar a verdade, papai era quase um aborto, por isso não poderia nem de longe ostentar lá muito preconceito contra muggel. A questão é, freqüentando as reuniões nazistas, ele entreouvia coisas interessantes, dentre elas uma informação sobre uma associação de mestiços que tinha em Munique, criada pelo partido nazista para reconhecer cada mestiço existente e identifica-los com um símbolo específico para que todos soubessem que eles eram mestiços, perdendo assim alguns direitos, como freqüentar certos locais, ou receber alguns benefícios.

Quem teve a idéia do que fazer com essa informação foi Sírius, e quem executou o plano foi mamãe, sob os protestos de papai.

Ela foi até Munique, que como eu já devo ter dado a entender, não ficava muito longe de onde morávamos. Encontrou essa associação de mestiços e com sua forma sempre sutil e delicada (estou sendo irônico) convenceu os nazistas de lá a lhe fornecerem o endereço de Remo Lupin, pois este era um “estrangeiro filho de uma porca manca que estava lhe devendo até as calças, e que ela o queria escorçar pessoalmente!”, ou pelo menos foi isso que mamãe disse para a gente aos risos naquele dia mais tarde enquanto explicava como tinha sido tudo.

Descoberto o local onde Remus morava, e quando Sírius já estava melhor e mais apresentável, ou seja, de banho tomado, cabelo amparado e barba feita, ele – na forma de cachorro, eu, e mamãe partimos atrás de Remus.

Acho que não preciso relatar a viagem, já que nela não ocorreu nada de interessante. Chegamos aonde Lupin morava, e não era nem de longe, ou visto por outro ângulo, um local minimamente agradável ou hospitaleiro. Assim que chegamos ele nos olhou interrogativamente, mas ao avistar o cachorro preto parece que entendeu tudo e nos fez entrar imediatamente.

“Você deve ser o Harry.” disse ele estendendo a mão, sem que eu precisasse me apresentar.

“Sou sim.” respondi aceitando o aperto “Mas como….”

“Você é igualzinho a James.” disse ele de forma um tanto nostálgica, mas sorrindo.

Logo de cara eu gostei dele, me pareceu ser alguém muito simpático, parecia ter mais cabelos brancos do que deveria e suas roupas chegavam a ser piores e mais remendadas que as minhas, mas isso não tirava dele a capacidade de ser um cara legal.

Sírius explicou tudo para Lupin, e aquela tarde se passou tranqüila. Eu queria poder relatar o que exatamente foi discutido naquele dia na casa de Remo Lupin, mas não creio que possa fazer isto, já que fui expulso daquela casa por minha mãe, que me mandou ir brincar na rua. Claro que eu fui protestando e puxado pela orelha, mas fui, e alguém de lá dentro, muito esperto por sinal, tacou um feitiço impermeabilizante na porta, me impedindo assim de escutar qualquer coisa… sendo assim, naquele dia só me restou de fato tentar brincar com as outras crianças da rua. Então eu não faço a menor idéia do que eles falaram e do que foi decidido.

Quando já começava a anoitecer finalmente me deixaram entrar de novo, eu e mamãe fomos embora logo depois, sem Sírius.

Eu queria entender por que, mas a minhas únicas respostas eram a ordem de ficar calado e alguns tapas, Sírius me abraçou e Lupin despenteou meu cabelo, ganhei naquele dia - além de alguns hematomas novos para minha coleção - a única promessa de que um dia nos veríamos de novo. Não foi fácil, já havia me acostumado com a presença de Sírius, era como ganhar um pai/irmão e logo em seguida perde-lo, mas era impossível duvidar dele quando ele me encarou daquela forma séria e decidida e disse:

“Eu vou visitar você nas próximas férias.” faltava ainda muito tempo para as férias, era verdade, mas ele me explicou que tinha muitas coisas para fazer, e que quando aparecesse nas férias iria me tirar para passear por um bom tempo. Mamãe não gostou disso, afinal eu trabalhava nas férias, mas entendeu a importância daquilo tanto para mim quanto para Sírius.


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