O menino que roubava varinhas - Capítulo 6

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[Capítulo 5]
No qual há um pulo na história

Eu queria poder contar aqui mais sobre aquele ano.

Na verdade, isso é mentira. Estou é feliz de não ter que necessariamente relatar aquele ano, e realmente feliz por isso não ser uma biografia, ou aquele ano ia ter que entrar. Afinal, eu não quero entrar em detalhes no que concerne ao inferno que foi O Povo Jovem com Draco no mesmo grupo que eu, nem como foram ridículas as partidas de quadribol contra Draco, onde ele com a sua vassoura último modelo venciam a mim e minha vassoura que devia ter pertencido a pelo menos 5 gerações de Hubermanns. Claro que isso não era sempre, porque no quesito talento eu era infinitamente melhor, então algumas partidas eu até conseguia me dar bem, isso se nós não encerrássemos a disputa antes, ao cair no chão nos batendo ou eventualmente duelando com as varinhas.

Outro fato triste, que eu só vou elucidar para que o fechamento da história seja coerente, mas que se isso fosse uma biografia, ocuparia páginas e páginas; Hermione Wranger fugiu da Alemanha naquele ano. Ela e seus pais foram embora, escaparam antes que ficasse pior. Quando foi instaurado que muggels e nascidos-muggels fossem marcados e destacados do resto das pessoas, ficou claro para eles que era hora de buscar um novo lar. Eu poderia contar o que soube depois pela boca de Hermione, de como foi sua fuga, como eles sobreviveram e como escaparam com sorte e ajuda de um certo embaixador português na França³ quando Hitler invadiu este país, onde inicialmente se refugiaram.

O que quero unicamente dizer, é que naquele ano Hermione fugiu, e Ron ficou diferente durante um bom tempo. Ele fingia que não se importava muito com ela, eles viviam brigando, mas quando ela foi embora, e aquilo pareceu ser para sempre, ele realmente ficou mudado, parece que pela primeira vez ele entendeu quem era e o que queria Hitler. Foi então, que Ron pela primeira vez odiou o Füher. Eu também senti falta dela, era uma boa amiga. Mas só fui entender sua importância e toda a sua fibra depois que tudo terminou, e enfim a revi, descobrindo logo em seguida o quanto ela foi corajosa e jamais se entregou ou permitiu ser marginalizada.

Como eu ia dizendo, aquele ano passou sem muitas coisas relativamente importantes para a continuidade dessa história. Chegamos então a 1937, e continuamos na mesma, sem Hermione, e com Draco a me pentelhar e a afirmar para quem quisesse que queria que os sangues-ruins (nascidos muggel) se explodissem todos, pois a Alemanha estava melhor sem eles. Ron apanhou muito dos trogloditas guarda-costas do Malfoy, mas também deixou grandes marcas nestes, quando Draco proferiu isso em voz alta. Até alguém conseguir apartar a briga, Ron havia feito um grande estrago no rosto esnobe do outro. Mas assim segui minha pacata vida, até o verão, o qual eu esperava ansioso, pois havia a promessa feita por Sírius.

Nada aconteceu no começo das férias, e não teve sinal de que aquela seria diferente das outras, por isso continuei a trabalhar na loja de Herr Oliwander. Isso até o dia 31 de julho, quando recebi um presente de aniversário via coruja. Não sei se eu comentei isso – provavelmente não – mas eu nunca ganhava presentes que não fossem de mamãe e papai. Receber algo via coruja para mim era algo incrivelmente novo.

A caixa não tinha remetente, mas eu sabia que só podia ser de Sírius. Dentro dela haviam muitos doces, dos quais a maioria eu nunca havia comido antes, e lá no fundo – coisa que eu só reparei depois da caixa estar metade vazia – tinha uma carta, também endereçada a mim.

Nela havia escrito algo como (não a guardei, por isso não posso realmente transcrever as palavras exatas): Dia 20 de agosto, vamos fazer um longo passeio, leve somente o essencial para uma semana.

Não havia assinatura.

Mas aquilo me deixou agitado e animado o resto das férias. Mamãe claro, não gostou nem um pouco, afinal o que diríamos para as outras pessoas sobre o meu sumiço durante uma semana inteira? E o trabalho com Herr Oliwander? Para onde eu iria? E se eu não voltasse?

Foi então que ela decidiu algo: ela iria junto comigo.

Claro que eu protestei, esperneei e me revoltei. Mas mamãe estava irredutível.

“Não seja idiota Saukerl, é uma ótima desculpa, ‘fui viajar com você para visitar um parente doente’, muito mais fácil de acreditar do que você viajando sozinho!”

E com isso a discussão foi encerrada, afinal, ela tinha razão não é?

Eu estava tão feliz que aqueles 20 dias passaram voando, até Ron se animou um pouco, contagiado pela minha alegria, embora infelizmente eu não pudesse dizer a ele porque eu estava tão feliz…. seria estranho dizer: “Ah, estou feliz porque um parente vai ficar doente e eu vou viajar!”.

De qualquer jeito, quando dia 20 chegou, eu e mamãe já estávamos com tudo pronto. Minha mala estava arrumada desde o dia seguinte, não que ela fosse maior do que uma trouxa pequena, mas já estava lá embrulhadinha e pronta, mamãe já tinha escrito uma carta a Herr Oliwander, explicando nosso sumiço e pedindo desculpas, e meu pai de criação já estava mal humorado e carrancudo desde o dia anterior.

“Realmente precisa de tudo isso? Não era mais fácil simplesmente não deixar o menino viajar?” ainda bem que mamãe não deu ouvidos a ele.

A questão é, o dia 20 foi passando, e a cada hora eu ficava mais nervoso, e a cada hora eu tinha quase certeza de que fora esquecido. Então anoiteceu, e eu pensei: “É agora!”… mas não foi. E foi ficando cada vez mais tarde…. e mais tarde…. então chegou a hora de eu dormir, e o sono foi me tomando… mas eu não queria, por isso fiquei sentado olhando pela janela do quarto, esperando algum sinal. E acabei adormecendo, a cabeça apoiada na janela, a boca aberta.

Foi quando algo finalmente aconteceu. Minha mãe me acordou.

“Anda logo Saukerl, ele está aqui.”

Eu nem esperei que ela falasse uma segunda vez, me levantei imediatamente, peguei minha trouxa de roupa e fui correndo para o andar de baixo.

“Olá Harry.” não era Sirius.

Imagine a situação: você aguarda ansioso a vinda de alguém que te é muito querido, então anunciam que esta pessoa tão aguardada enfim chegou, só que quando você vai serelepe e alegre ao aguardado encontro, lá está parado um velhinho alto e magro, com uma longa barba branca, vestes púrpuras com estrelas bordadas em prata, oclinhos de meia lua e olhos de um azul tão intenso que parecem brilhar mesmo a pouca luz. Acho que chocado é uma boa palavra para descrever como fiquei naquele instante em que o Sr. excêntrico me cumprimentou.

Não respondi imediatamente, primeiro tive de fechar minha boca que havia se escancarado.

“Ah… olá.” tentei timidamente, com um olhar inquisidor.

“Me chamo Albus Dumbledore” disse ele com uma pequena reverência.

“Onde… onde está o Sirius?” esta era a única coisa que passava pela minha cabeça no momento.

“Logo, logo você irá encontrá-lo. Eu vim te buscar pois acho que é mais seguro, caso algum curioso nos veja.” me questionei seriamente se Sirius, mesmo sendo um fugitivo procurado, conseguiria atrair mais atenção do que aquele Sr..

“Podemos partir?” perguntou ele, mas eu não tive tempo de responder.

“Claro, Dumbledore. Mas não sem mim.” interveio mamãe rebolando até a gente. Dumbledore ergueu levemente as sobrancelhas mas não se opôs, apenas abriu a porta permitindo que eu e ela passássemos alcançando a rua.

Na verdade, só estou contando essa primeira vez que vi Dumbledore por dois motivos: 1. Apresentar este Sr. tão importante, não só para minha vida como para a queda do nazismo; 2. Para que você possa ter uma idéia de como ele sempre foi uma pessoa marcante.

O fato é, não houve nada de relevante para esta história que aconteceu naquele verão. Nem naquele nem nos outros dois seguintes. Apenas para não deixar o leitor insatisfeito ou cheio de dúvidas, vou lhes dizer o que se passou resumidamente em três anos.

Naquele dia em que Dumbledore buscou a mim e mamãe ele nos levou para um galpão abandonado, aonde se reuniam os anti-hitleristas, onde eu reencontrei Sirius. Lá uma parte da história do passado me foi contada, de como eram os meus pais e como eles lutavam contra Hitler. Tive algumas aulas nas quais aprendi a duelar e a usar uma varinha de outras formas que não se aprendia na escola. Lupin inclusive me ensinou a realizar um patrono, e todos acharam realmente muito impressionante eu ter conseguido fazer um patrono corporal com apenas treze anos, mas eu não acho que tenha sido tanta coisa assim.
Dumbledore me ensinou grandes coisas e ganhou com facilidade meu respeito e admiração. Se tem uma coisa que eu posso dizer, é que ele não merecia ter morrido como morreu. Como líder da ordem que ia contra Hitler ele era simplesmente perfeito, ele sempre foi um grande homem.

Claro que o tempo que eu passei lá não foi só luta e rebelião, me diverti um bocado com Sirius e Lupin, que me contavam algumas coisas sobre meu pai e faziam questão de que à tarde pudéssemos nos divertir um pouco. Mamãe assistia tudo mal humorada, mas não me impediu de fazer nada, só não me deixou ter aulas com Olho-Tonto Moody, um homem muito curioso e com uma mania de perseguição sem fim, ele queria ensinar experimentando em mim as maldições que por gerações haviam sido consideradas imperdoáveis, mas que naquela época eram apenas dignas de uma multa gorda, mesmo assim sendo usadas o tempo todo por nazistas em interrogatórios. Dizia ele que aquele treino um dia viria a ser útil, mas mamãe não iria mudar de idéia.

E então, passaram-se as férias, e voltaram as aulas, e voltou Ron Wealsmann e volto o maldito Draco Malfoy com sua implicância, ele estava ficando cada vez mais insuportável, mais… anti-muggel, por assim dizer. Ron e ele tinham muitas brigas, às vezes mais do que eu, afinal, Ron descobriu que odiava Hitler e odiava que falassem mal de nascidos muggel, muito embora nunca dissesse isso em voz alta, era algo que ele só falava comigo. Mas Draco tinha mais e mais motivos para acreditar em suas teorias de superioridade bruxa, que a ele foram ensinadas desde que nascera. Hitler ganhava território e ninguém se opunha, pelo menos não alguém ou algum país forte o suficiente.

Mas o ano de 1937 também passou e chegou 1938, nas férias daquele ano eu também fui ao encontro do meu padrinho e da ordem que se erguia contra Hitler. E o ano se passou e veio 1939, junto com esse novo ano vieram muitas coisas. Entre elas, o início da Grande Guerra.

Hitler cada vez mais abusava da situação de aparente passividade de todos em relação a sua busca por poder e subjugação. Mas foi naquele ano que enfim Dumbledore (que de fato era alguém muito influente) conseguiu por fim convencer seu país natal, a Inglaterra, a começar a impedir Hitler em sua busca megalomaníaca atrás de poder, junto com a Inglaterra veio a França, e portanto, a guerra. Eu tinha 15 anos quando tudo começou a esquentar. Eu tinha 15 anos quando Sirius morreu. Eu tinha 15 anos quando roubei minha segunda varinha.

Isto tudo foi pouco antes da guerra de verdade começar. Partimos do ponto de que nenhum país, mesmo a Inglaterra e a França, que estavam contra Hitler, não estavam querendo acreditar que ele estava fazendo a Alemanha retomar forças para enfim entrar em guerra novamente, Dumbledore tentava a todo custo avisar aos países que poderiam fazer a diferença, mas ninguém queria ouvi-lo e ele era ridicularizado, taxado de louco.

E foi em 1939 que Ron teve uma idéia… e uma idéia anti-hitlerista, uma idéia de luta.

“Harry.” ele me encarou sério, isso era raro vindo de Ron “Eu tive uma idéia…” uma idéia dele quase nunca era realmente uma boa coisa, eu o encarei, e vi que ele estava realmente sério, seus olhos refletiam aquela luz do luar de uma forma quase encantada. Estávamos deitados no chão da quadra de esportes, aquela mesma que anos antes havia rendido a Ron a alcunha de maluco. Faltava pouco tempo para o toque de recolher, virara um certo hábito nosso ficarmos deitados na quadra depois de treinarmos um pouco de quadribol, boas noites aquelas.

“Que… idéia?” perguntei receoso da resposta, desviando os olhos do rosto de Ron e voltando a encarar o céu estrelado. Era uma bela noite, noite de lua cheia.

“Devíamos lutar contra Hitler.” ele disse num sussurro. Eu apenas arregalei os olhos e voltei a encará-lo, ele me olhou de volta, a determinação marcava as linhas de expressão dele iluminadas pela lua.

“Ron…”

“Eu sei que parece loucura, afinal, o que crianças podem fazer contra um exército?” apesar do que dizia, havia convicção no rosto dele “Mas… podíamos reunir todos que estão desgostosos com o nazismo e…. aprender a lutar, um dia… isso poderia ser útil.” Ron voltou a encarar o céu.

“Mas… quem nos ensinaria?” perguntei tentando ser prático.

“Você.” fez-se um silêncio, eu não tinha o que dizer “Quer dizer, você é o melhor em Magias Defensivas e eu já vi os feitiços que você pode fazer…. quem consegue além de você fazer um patrono corpóreo?” Só depois de dizer isso tudo num tom nervoso é que ele me encarou de novo, e foi minha vez de desviar o olhar.

“Ron… eu….” mas eu não tinha o que dizer, ou uma boa desculpa para dar. “Mas Ron… quem nós vamos chamar?” enfim perguntei.

“Deixa isso comigo.” disse ele se levantando. “Você topa?” e me ofereceu a mão.

“Ah… posso pensar…” eu disse aceitando a mão e me levantando com apoio de Ron.

“Então tá!” ele passou o braço em volta do meu ombro e fomos andando juntos, conversando sobre trivialidades até nossas casas.

Uma semana depois ele apareceu no meio de um intervalo entre as aulas ladeado pela irmã mais nova, a Gina.

“Então cara, você aceita ou não ser nosso professor?” ele me perguntou, eu olhei alarmado para os lados.

“Ron! Aqui não!” sussurrei zangado.

“Só sim ou não.” disse Gina.

“Tá.. tá… eu ensino!” só queria me livrar daquela conversa o mais rápido possível.

“Beleza!” Ron comemorou.

“Nos vemos quinta, depois da Juventude Hitlerista, ao lado do rio, perto da ponte.” disse Gina em tom cúmplice, eu apenas concordei com a cabeça.

O grupo que Ron conseguiu formar era de mais ou menos 15 jovens, entre eles Liesel Meminger, a filha do editor d’O Pasquim. Eu poderia falar de cada um dos participantes, talvez mais sobre uns, menos sobre outros. A questão é, que de relevantes para a narrativa só haviam Liesel, Ron e Gina.

Começamos a nos encontrar quase todas as quintas, tirando alguns dias que alguém não podia ir então a reunião era remarcada. Cada um ali sofria alguma coisa por conta do Nazismo.

Ron, sofria a falta de Hermione e por isso enxergava mais a cada dia a injustiça e a crueldade que era excluir e humilhar os muggel, Gina sempre fora corajosa e concordava com a revolta do irmão, Liesel estava ali porque o pai dela fora proibido de veicular O Pasquim, visto que este acusava Hitler de muitas e muitas coisas, falava mal abertamente do nazismo e fazia insinuações de revolta, nunca era muito seguro mexer com o pai de Liesel.

Estes três foram os mais importantes para minha vida naquele período.

Durante um semestre tudo ocorreu tranqüilamente. Até o dia em que chegou aos meus ouvidos a notícia de que Sirius e os outros iriam lutar contra um grupo de nazistas enviados por Hitler, estavam sendo acusados de atividades ilícitas. A notícia antes de tudo chegou pela boca de Draco Malfoy, que estava mais do que bem informado sobre o ataque. A não-tão-miniatura de nazista estava se gabando para seus amigos de como o pai dele era próximo de Hitler ao ponto de fazer parte de seu exército particular que estava indo no dia seguinte destruir um grupinho idiota de rebeldes liderado pelo velho gagá do Dumbledore. Ela ainda teve a ousadia de garantir que todos sairiam mortos. Naquele mesmo instante eu parti pra cima dele, que não tinha idéia que eu estava ouvindo, e nós caímos em mas uma luta, as pessoas não se assustavam mais, parecia que se tornara quase um hábito, tínhamos nas costas quase três anos de inimizade já.

Assim que cheguei em casa, depois da sova que levei dos professores no colégio (por conta da briga), fui até a casa dos Weaslmann e peguei a coruja deles emprestada. Como eu não mandava cartas para ninguém, pelo menos não com a coruja emprestada dos meus vizinhos, Ron quis saber para quem eu estava escrevendo, apenas respondi:

“Ron, hoje eu viajo, não sei se volto.” Claro que os olhos dele ficaram arregalados diante de tal afirmação feita de modo tão solene.

“Harry…” a voz dele era um sussurro.

“Sabe todas aquelas aulas que tivemos de treinamento? Pois agora é real, e eu vou lutar.” disse despachando a coruja.

“Então eu vou junto.” Ele estava pálido, mas parecia decidido.

“Ron eu não…”

“E eu vou também.” Gina se pôs ao lado do irmão, ela nem pálida estava, embora seu rosto também fosse de determinação.

“Se vocês vão, eu também vou.” Era Liesel, chegara ali só naquele instante, tinha uma revista de baixo do braço, um olhar também decidido. “Quer dizer… isso se eu pelo menos souber aonde vamos…”

“Gente… eu fico muito agradecido por tudo, por toda essa consideração, mas essa é uma luta que devo enfrentar sozinho…” não queria que nenhum de meus amigos corressem riscos.

“Não seja bobo.” disse Liesel “Nós vamos com você de qualquer jeito,” Ela parecia resoluta.

“Liesel…. você nem sabe o que estamos indo fazer….” Ron estava ficando cada dia mais esperto.

“E daí, se vocês vão, eu também vou.” Não parecia que seria fácil dissuadi-la.

“Olha só, nós… eu vou partir numa luta de vida ou morte, sabe, lutar de verdade contra nazistas de verdade… não é só mais um treino, e eu não posso sair por aí com todos vocês na minha cola…” mesmo eu falando da possibilidade de morte, nenhum deles pareceu querer desistir. “E.. Lisel, afinal, o que você veio fazer aqui?”

“Ah, vim te entregar isto.” Ela retirou a revista de baixo do braço e me entregou. “Lembro que você gostava de ler O Pasquim, aí está uma edição que saiu na surdina, só não mostre pra ninguém suspeito.” Ela me lançou uma piscadela. “Então, quando partimos?” Perguntou em tom de casualidade.

Eu vou partir imediatamente.” respondi.

“Ern… para onde vamos mesmo?” perguntou Gina.

Será que ainda preciso realmente deixar claro que eles de fato foram comigo? Eu bem tentei fazer com que eles desistissem, mas foi inútil, e assim partimos em vassouras para o nosso destino. Por sorte éramos todos pobres, ou pelo menos eu e os Weaslmann éramos - Liesel até que vivia melhor que a gente – portanto nossas vassouras eram todas ruins e precárias e ninguém ficou para trás.

Chegamos lá um pouco depois da coruja que mandei avisando sobre o ataque.Tínhamos demorado um pouco para partir porque Liesel teve que ir na casa dela pegar a vassoura.

Obviamente ninguém lá ficou muito feliz em ver a mim e a três outros adolescentes, mas estávamos irredutíveis, íamos lutar. Sirius por sinal ficou preocupado, mas foi quem no final das contas, menos se opôs a nossa participação.

A minha carta, dizem alguns, salvou aquele dia… mas apesar disso, o pior para mim aconteceu.

Estávamos preparados quando os nazistas enfim chegaram, armamos uma armadilha para eles, que haviam transferido o elemento surpresa para nossas mãos. Alguns nazistas sucumbiram ali naquele instante, mas haviam muitos, e a luta foi grande e demorada, devo acrescentar que eu e meus amigos até que lutamos muito bem para um bando de adolescentes inexperientes, e devo confessar que no meu caso tive muita sorte.

Lutávamos há bastante tempo, e dentre os nazistas reconheci um certo rosto fino, cabelos loiros e ar esnobe e arrogante, era o pai de Draco. Por um momento ele me viu e veio em minha direção na batalha, havia me reconhecido, afinal, já tinha ido no Povo Jovem e na Juventude Hitlerista e já tínhamos nos esbarrado antes.

“Então, você realmente acha que vale lutar por muggels?” ele perguntou com um sorriso que eu conhecia muito bem, mas vindo do rosto de Draco.

“Minha mãe era muggel, caso você não saiba.” Respondi já duelando com ele, Sirius apareceu em meu socorro.

“Vejo que criou bem o seu afilhado, Black” Sr. Malfoy disse com escárnio “Ele é tão estúpido quanto você e seus amiguinhos.”

“Ah é?” Logo Sirius tinha me expulsado do duelo e enfrentava sozinho a droga do pai do Draco.

Não demorou muito eu achei outra pessoa para lutar, sempre tentando manter um olho em cada um dos meus amigos e eventualmente em Sirius. Foi num desses momentos, em que meu adversário havia caído no chão, enfim estuporado, que eu parei por um instante para ver como iam as coisas que vi, e até hoje é como se tivesse assistido em câmera lenta, o momento em que Sirius sorria sarcasticamente para Malfoy pai.

“Isso é tudo que você pode fazer?” no instante seguinte foi acertado por um feitiço saído da varinha do pai do nazistinha júnior. Vi seu corpo lentamente cair no chão, ele ainda tinha um sorriso sarcástico que foi lentamente desaparecendo enquanto seu corpo inerte alcançava o chão frio. Sírius estava irremediavelmente morto. Eu gritei, corri na direção dele. Alguém estuporou o Sr. Malfoy, Lupin me segurou antes que eu alcançasse meu padrinho, ele me disse alguma coisa, tentou me acalmar…. eu só lembro de encarar o corpo caído do meu padrinho, me deixei cair, e fui sustentado unicamente por Lupin. O que se seguiu depois é na verdade um grande embaralhamento dentro de minha mente, alguém deve ter ficado me protegendo quando Lupin enfim me largou e eu cai de joelhos no chão, aonde fiquei até que alguém disse levantando meu rosto, me obrigando a olhar nos seus olhos.

“Harry… acabou, nós vencemos.” eu não olhei nos olhos de Ron, apenas o fitei por um instante e voltei a encarar o vazio. Mas no meio desse vazio eu vi alguma coisa, alguma coisa que despertou uma parte de mim. Eu vi a varinha do assassino do meu padrinho pendendo em sua mão, seu corpo debilmente largado no chão. Ron deve ter me dito mais alguma coisa, mas eu não estava ouvindo, minha atenção havia sido tomada pela possibilidade de outro furto. Meu amigo me deixou, e eu fui em direção ao criador da cobrinha que me perseguia desde os treze anos.

Me abaixei e tomei a maldita varinha do nazista homicida desfalecido, lágrimas se misturavam com o sangue que escorria da minha sobrancelha cortada, e eu senti uma vontade tremenda de destruir aquele artefato, mas não fiz isso, depois de me quedar acabado no chão, Gina apoiou a mão com ternura em meu ombro, eu tentei ao máximo não chorar, doía tudo, alma e corpo. A varinha era apertada por mim como se fosse uma espécie de ponte com a realidade que eu acabara de deixar. Quando enfim saímos daquele local, ainda a segurava firme, e depois de tudo, ela foi guardada junto com minha primeira varinha, foi então que eu percebi o quanto era bom ter aqueles pedaços de madeira sobre meu poder.

Aquela foi minha segunda varinha roubada, eu tinha quinze anos, eu tinha muito ódio, eu tinha vencido uma luta e perdido alguém que amava, eu tinha enfim descoberto o que era dor, e o que era odiar mais que profundamente alguém. Eu odiava Hitler, mais do que Ron.

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³História verídica essa :) Não que a Hermione tenha participado XD mas realmente esse embaixador existiu, Sr. Aristides de Sousa Mendes.


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